[resenha] O Doador de Memórias

11 de setembro de 2014 - quinta-feira - 19:59h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Literatura estrangeira, Resenhas

Título: O Doador de Memórias
Título original: The giver
Autor: Lois Lowry
País: EUA
Ano: 1993
Editora: Arqueiro
Páginas: 190
Sinopse: Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente – o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.
Compre: compare preços

– Não nos atrevemos a deixar as pessoas fazerem escolhas próprias.
– Não é seguro? – sugeriu o Doador.
– Decididamente, não é – afirmou Jonas, cheio de convicção. – Imagine se pudessem escolher seu cônjuge? E escolhessem errado? – E prosseguiu, quase rindo da ideia absurda: – Ou se pudessem escolher o próprio cargo?
– Seria assustador, não é? – disse o Doador.
Jonas deu uma risadinha.
– Muito assustador. Nem consigo imaginar. Temos realmente de proteger as pessoas das escolhas erradas.

Avaliação:
O mundo em que Jonas vive é perfeito. Em sua comunidade, as pessoas são educadas e gentis, expressam-se de maneira precisa, obedecem tranquilamente às regras e são muito felizes. O aprendizado das crianças nas escolas é efetivo, os casamentos são harmoniosos e as profissões dos adultos são adequadas e satisfatórias a cada um deles. Qualquer tipo de incômodo ou conflito é inexistente: fome, guerra, frio, calor excessivo, sujeira são coisas que não fazem parte do seu dia a dia.
Jonas está prestes a completar 12 anos. Nessa idade, as crianças recebem as profissões que irão exercer para o resto de suas vidas. Chamadas de Atribuições, as escolhas são feitas pelo Comitê de Anciãos, com base em observações realizadas ao longo dos anos anteriores, quando as crianças são designadas a realizar trabalhos voluntários dos tipos que mais lhes agradam. No entanto, Jonas é escolhido para exercer uma Atribuição única: o de Recebedor de Memórias. A partir de então, ele deverá passar por um treinamento com o atual dono da Atribuição, o Doador de Memórias. É nesse treinamento que Jonas irá entender por que o mundo em que ele vive é tão perfeito e qual a triste verdade por trás de tudo isso.

Devo confessar que fiquei absolutamente encantada com os conceitos sociais e culturais presentes neste livro! O funcionamento da comunidade retratada em O doador de memórias é o sonho de qualquer coração frustrado com a bagunça que é o nosso país. Tudo é tão certinho, tão lógico, tão simples.
Entretanto, durante o treinamento de Jonas, já como o novo Recebedor de Memórias, o leitor é exposto ao choque quando percebe o preço pago para se viver na perfeição. O questionamento sobre o valor das nossas lembranças, tanto em termos positivos quanto negativos, e sobre a importância da capacidade – e direito – de escolher é a reflexão levantada ao longo da leitura.
O enredo se desenrola em um ritmo ótimo, bem esclarecido, até o ponto de decisão causado pelo conflito referente a toda a verdade por trás desse mundo perfeito. A partir daí, acaba tropeçando um pouco na sua velocidade, dando certa impressão de descontrole. E é nesse ritmo atabalhoado que o livro termina, de repente.

Apesar do final um pouco precipitado, eu gostei muito da história como um todo. Acho que distopias nos atraem tanto justamente por nos apresentar um mundo onde a forma de pensar é totalmente diferente do que vivemos hoje, mesmo tendo culturas tão diferentes ao redor do planeta. Nesse aspecto, O doador de memórias tem a capacidade de incomodar o leitor e de não deixá-lo simplesmente consumindo as páginas de forma passiva.

Hoje estreia o filme baseado neste livro. Pelo que vi do trailer, a história parece avançar bastante em relação ao primeiro livro, além de ter alguns elementos diferentes. O Jonas do filme é bem mais velho. A personagem interpretada pela Taylor Swift mal aparece no livro, apesar de passar a impressão de ter um papel importante pelo que foi mostrado nos trailers. De qualquer forma, acredito que o filme será muito bom, mais como entretenimento e provocação à reflexão do que como adaptação de obra literária.

Leia um trecho: aqui (27 páginas de degustação)

Filme:

[Bienal SP 2014] O post pós-evento

1 de setembro de 2014 - segunda-feira - 21:55h   ¤   Categoria(s): Eventos

Entããããoo que a Bienal do Livro SP 2014 acabou ontem!

Tinha tanta coisa que eu queria postar que eu não sabia por onde começar. Mas resolvi fazer 1 post só, gigantão. Ele está por partes, então, se você estiver com preguiça de ver tudo, pode clicar nos links abaixo para ir direto ao assunto desejado. Senão, pode ir descendo a barra de rolagem normalmente.

Menu
- Lambança?
- Famosos
- Fotos do local
- Livroooosss!! \o/
- Não só livros
- E 2016?

 
» Lambança?

Olha, eu confesso que a minha ansiedade estava a mil antes da Bienal porque eu estava realmente com muito medo de como meu monstrinho compulsivo iria se comportar dessa vez. A edição de 2012 foi total pé na jaca, como vocês já devem ter cansado de ouvir.
Entretanto, para a minha surpresa final, digamos que a “minha” Bienal 2014 foi bem tranquila, sem exageros de quase nenhum tipo.
A pergunta que não quer calar: quantos livros você comprou, Lia?
A resposta: 11. É, onze.
Sóóóóó???
Só!
E o melhor de tudo: eu tinha estabelecido uma meta de no máximo 12 livros. Ou seja, ainda tinha espaço pra mais um, e eu nem preenchi!

Vejam como a foto a seguir mostra o rosto de uma pessoa serena, equilibrada, sensata, razoável e, acima de tudo, orgulhosa. Porque IMPOSSIBLE IS NOTHING! [pose de victory do Fred Mercury]

Os livros cabem em uma foto só e vocês conseguem ler o título deles! Isso não é incrível?

Com relação aos itens do post de Prevenção Contra Lambança, pfff, adivinha se consegui cumprir tudo aquilo! Fiasco total, hahaha!
» Desconto maior que 50%: Gué!!! Onde?? Tirando aquelas promoções de preços ultrabaixos, pouquíssimas editoras tinham descontos decentes. Uma estava com preços já mais baixos e descontos progressivos de até 15%. Outra chegou a até 40% de desconto, também progressivo. E uma outra, sim, chegou a 50% no último dia, mas era editora de livros mais técnicos. =/
» Comprar livros de menos de 300 páginas: Nenhum deles!! XD O mais fino tem 303 páginas, que é o Minha Metade Silenciosa.
» 1 livro por editora: 4 na Instrínseca, 2 na Gutemberg, 2 na Ediouro, 2 na Leya e… aaahhh, olha só, 1 na Record. ¬¬
» Usar uma mochila pequena: Em alguns dias, sim, usei a mochila pequenininha que tinha em mente, mas em outros, fui com uma mochila normal, média. Mas veja bem, pelo menos não fui de mochilão que nem em 2012. Pelamordedeus! O que eu tinha na cabeça naquele ano??
» Sacolinhas que machucam as mãos: Aháááááá!! Esse eu cumpri direitinho! Mas foi por 2 motivos: 1) minha mochila estava cheia, ou com câmera trambolho-fotográfica ou com garrafa térmica, blusa, nécessaire, etc., aí 2) dava preguiça de abrir, ajeitar os livros de forma que a quina da lombada não ficasse espetando seu traseiro, ai, um sofrimento, haha! E como o máximo que eu comprei em um único dia foram 5, não ficava ruim de infligir autossofrimento. XD Minhas mãos chegavam a arder um pouco quando ia tomar banho e a água quente caía nelas. Huahuhua!
» Ficar presa em fila de autógrafos: Eu não peguei nenhum. Chega uma idade em que a pessoa passa a ter menos energia pras coisas, sabe? Aí tem que usá-la de forma mais inteligente, sabendo priorizar e talz, entende?

Bom, a parte de marcadores também não foi exagerada, mas, nesse caso, nem foi opção minha. Tinha poucos disponíveis nos estandes mesmo. Ouvi bastante blogueiro reclamando disso. A foto de baixo mostra os livretos e 1 marcador de cada que eu consegui pegar. Nem todos têm repetido, mas do que tiver, vou sortear em breve no instagram.
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» Famosos

Gente, confesso que achei lindo saber que a molecada estava enlouquecida querendo ver Cassandra Clare, Kiera Cass, Paula Pimenta, Bruna Vieira, etc. Li muitos comentários sobre a parte triste, do tumulto e tal, mas sabe quando o coração se enche de amor e esperança quando paramos pra pensar que esses ídolos são autores de livros? Isso é maravilhoso! E isso também é pras pessoas jovens, rs. A minha cara pode enganar, mas as minhas costas doem e me lembram da minha verdadeira idade.

Eu fiquei feliz mesmo é de ter visto o Harlan Coben, do nada, do outro lado do corredor, no estande da Arqueiro, alto, lindo, careca e maravilhoso, distribuindo sorrisos e simpatia. Eu não tinha planos de acordar cedo pra pegar autógrafo dele. Nem sabia em que horário ele estaria no estande. Foi o destino que me permitiu a visão daquele homem ai-meu-deus, rs.

E falando em véia, ontem, o último domingo, estava bem tranquilo, por isso também consegui ver o Ronnie Von. Ele estava no estande da Planeta, autografando sua biografia pras senhôuras que são mais tias do que eu. Me enfiei no meio da multidãozinha e consegui tirar uma foto só pra fazer inveja pra minha mãe, hehehe.

De resto, vi Ziraldo rapidinho enquanto estava de passagem e Mauricio de Sousa, que eu nunca tinha visto antes. Vi Thalita Rebouças, beeem de longe, dando uma palestra pra uma galera, e acho que vi Bruna Vieira de costas, porque me disseram que era ela.
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» Fotos do local

Vocês já devem ter visto várias fotos de outras pessoas, mas eu quero mostrar a minha versão também. \o/

Entrada

Essas “arvrinhas” eram muito lindas!

Ediouro

Grupo Autêntica

E o estande mais bonito na opinião de muita gente
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» Livroooosss!! \o/

A parte mais importante da Bienal! Aqueles que são motivos de existência para o evento. E para nós, book-freaks, também.

Essa coleção é muito bem feita! Eu tenho o da Economia. Pra quem curte ou é curioso, é perfeita!

Torre imponente da Nova Fronteira

Edições da Globo Livros

Zahar, Companhia das Letras e seus selos
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» Não só livros

Algumas coisinhas diferentes que vi por lá…

Um Jack Sparrow gatinho de bobeira na entrada do Anhembi

Lápis no Submarino

Miniatura de casa vitoriana – sala da biblioteca

Plantinhas em um estande de livros sobre… ahm… plantinhas
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» E 2016?

Infelizmente, pra muita gente, nem tudo foram flores nessa Bienal. Quem foi nos 2 sábados pôde sentir com mais intensidade o pior do evento. As críticas de sempre (filas, desorganização) que já ocorriam em outros anos tomaram proporções ainda maiores em 2014. Eu li 3 textos interessantes que gostaria de compartilhar com vocês. Não vou escrever muita coisa por aqui porque seria basicamente uma repetição do que está nesses textos, com os quais concordo em boa parte. Mas a minha opinião final é: não acho que muita coisa vá mudar para 2016. Não costumam mexer em time que está lucrando, costumam?

A vez e a hora de uma nova Bienal de São Paulo
Henrique Farinha – PublishNews

Bienal do Livro em SP supera expectativas e leva 720 mil ao Anhembi
Maria Fernanda Rodrigues – Estadão

Bienal SP: tudo bem quando termina bem
Leonardo Neto – PublishNews
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Quem tiver post sobre a Bienal, com compras, fotos, etc., deixe o link nos comentários, please! =)

[Bienal SP 2014] Prevenção contra lambança

15 de agosto de 2014 - sexta-feira - 22:56h   ¤   Categoria(s): Coisas de leitor, Eventos

Prevenção contra lambança

Aah, que delícia saber que todo mundo já está preparado pra Bienal SP!! ^__^ ~♥ Falta exatamente 1 semana!!! \o/

Bom… como eu moro em São Paulo, não preciso fazer muito planejamento. Pra mim, tem a opção de metrô + ônibus gratuito ou um ônibus que vai direto da minha casa até quase na porta do Anhembi.

Meu desespero mesmo é com relação ao meu comportamento lá na Bienal! >_< Já estou há muitos meses ansiosa, preocupada com a possibilidade de fazer lambança e acabar comprando trocentos livros.

Então, montei uma listinha de coisas que eu posso fazer para livrar-me do mal-amém, quase um Guia de Bons Modos, hahaha! Não quero passar de novo por aquele perrengue psicológico torturante que foi o período pós-Bienal 2012.

Vamos lá, ver a lista de mentiras que vou contar pra mim mesma? XD

» Desconto maior que 50%
Sinceramente, a Bienal não é um dos melhores lugares para se encontrar livros a preço baixo. Em São Paulo, lá pro fim de novembro~começo de dezembro, tem a Festa do Livro da USP, onde os descontos são obrigatoriamente a partir de 50%. Na Bienal, há algumas editoras que realmente fazem umas promoções ótimas, com livros a 8 ou 10 reais. Uma delas costuma colocar os preços a 50% no último domingo. Já outras editoras são bem muquiranas nos descontos, e são justamente as que não merecem meu dinheiro. Rsrs. Não vou citar nomes, mas tem uma, conhecida pelo slogan “Pobres leitores” (hehehe), que em Bienais anteriores achou que estava arrasando com desconto de míseros 20%. ¬¬
Probabilidade de cumprir: alta

» Comprar livros de menos de 300 páginas
Sabe aquela roubalheira descarada que eu faço pra diminuir mais rápido a fila de livros? Pois é… vai valer para a “formação” da fila também. Em 2012, eu comprei muito livro gordo, e não os li até hoje porque dei preferência, voilà, justamente aos mais finos.
Probabilidade de cumprir: xiiii…

» 1 livro por editora
Regrinha difícil de cumprir, essa, né? Mas se eu tiver isso em mente, com certeza ajudará a frear o efeito polvo, quando meus 8 tentáculos quiserem sair pegando tudo que é livro nas prateleiras. A regra valerá principalmente para aquelas editoras lindas, maravilhosas, que têm aqueles livros que você quer muuuuuuito, mas que estão com desconto de… 30%.
Probabilidade de cumprir: Ahan. ¬¬

» Usar uma mochila pequena
Em 2012, eu tive o dom de ir com uma mochila de viagem, aquelas estilo mochilão, sabe? Elas são projetadas especialmente para distribuir melhor o peso que uma pessoa vai carregar, de forma que não machuque o seu corpo. Oooou seja, eu consegui comprar e carregar muuuuito mais livros do que se tivesse ido com uma mochila comum. Mais especificamente, uns 17 livros.
Pra 2014, eu já decidi: vou uma mochila normal, onde cabem uns 8 livros, no máximo. =D
Probabilidade de cumprir: total

» Sacolinhas que machucam as mãos
Em 2010, eu estava me desvirginando de Bienal do Livro. Éééé, acreditem, eu nunca tinha ido em uma. Aí a pessoa é cabaça, não sabe de nada e foi só com a bolsa. E comprou vários livros, pesados, que foram carregados nas sacolas plásticas ou de papel dadas pelas editoras. Isso machucou as mãos que foi uma beleza!! Mas sabe que é uma boa técnica pra você não comprar demais? Estou pensando se adoto isso ou não, rsrs.
Probabilidade de cumprir: vou pensar com carinho

» Ficar presa em fila de autógrafos
Geeente, tem que ter muita coragem pra madrugar e ficar 900 horas em fila de autógrafo, hein! Eu é que não tenho mais saúde pra isso, não, haha! Mas recomendo! Quanto menos tempo você circular no pavilhão, menor a chance de cair em tentação. Até rimou, ó!
Probabilidade de cumprir: quase zero, mas vá saber…

 
E estou aceitando mais dicas!!

[resenha] Seis Anos Depois

12 de agosto de 2014 - terça-feira - 10:59h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

Seis Anos DepoisTítulo: Seis Anos Depois
Título original: Six Years
Autor: Harlan Coben
País: EUA
Ano: 2013
Editora: Arqueiro
Páginas: 267
Sinopse: Jake Fisher e Natalie Avery se conheceram no verão. Eles estavam em retiros diferentes, porém próximos um do outro. O dele era para escritores; o dela, para artistas. Eles se apaixonaram e, juntos, viveram os melhores meses de suas vidas. E foi por isso que Jake não entendeu quando Natalie decidiu romper com ele e se casar com Todd, um ex-namorado. No dia do casamento, ela pediu a Jake que os deixasse em paz e nunca mais voltasse a procurá-la. Jake tentou esconder seu coração partido dedicando-se integralmente à carreira de professor universitário e assim manteve sua promessa… durante seis anos. Ao ver o obituário de Todd, Jake não resiste e resolve se reaproximar de Natalie. No enterro, em vez de sua amada, encontra uma viúva diferente e logo descobre que o casamento de Natalie e Todd não passou de uma farsa. Agora ele está decidido a ir atrás dela, esteja onde estiver, mas não imagina os perigos que envolvem procurar uma pessoa que não quer ser encontrada.
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– Natalie? Não. O nome da viúva é Delia. Ela e o dr. Todd Sanderson começaram a namorar ainda na época da escola. Cresceram aqui perto dessa rua. Estavam casados havia séculos.
Eu apenas a encarava.
– Jake?
– O quê?
– Tem certeza de que está no enterro certo?

Avaliação:
Jake Fisher é escritor. Natalie Avery é artista. Cada um deles está em um retiro próprio para profissionais de sua área, porém estes dois retiros são vizinhos. É dessa forma que eles acabam se conhecendo, se apaixonando e vivendo os melhores 3 meses de suas vidas. Entretanto, do nada, Natalie resolve se casar com um ex-namorado, Todd, e acaba rompendo com Jake. Tendo convidado Jake para o casamento para ter a certeza de que ele visse o fato com seus próprios olhos, Natalie pede, nesse dia, que ele nunca os procure.
Mesmo magoado, Jake toca sua vida pra frente e consegue cumprir a promessa feita a Natalie. Até que, um dia, fica sabendo que o marido dela havia falecido. Desnorteado pelo fato e com uma pequena chama de esperança, Jake vai ao enterro de Todd. Lá, não consegue encontrar Natalie. Pelo contrário: a viúva é uma mulher totalmente diferente, que, segundo fica sabendo, foi casada com falecido por 20 anos. Confuso com esse fato, Jake resolve visitar a cidade onde ficava o retiro que frequentou seis anos antes. Lá, ele é informado de que o retiro nunca existiu. A dona da cafeteria que ele e Natalie frequentavam diz não se lembrar deles. Entretanto, foi justamente ela que lhe apresentou Natalie. No livro de registro de casamentos da capela não consta o casamento de Natalie e Todd.
Esses fatos estranhos são apenas o começo da busca desesperada de Jake pela mulher que ainda ama.

Aaaah, Harlan Coben… Já fazia algum tempo que eu não lia um livro dele. E foi durante a leitura que eu percebi o quanto eu estava com saudades do seu estilo de história, do seu texto que simplesmente acorrenta o leitor.
Vocês já devem ter visto nas contracapas ou nas orelhas dos livros que Coben é conhecido na França como Mestre das Noites em Claro. No meu caso, confesso que isso é mentira, porque eu tenho o dom de dormir em qualquer lugar, mesmo se estiver lendo o mais interessante dos livros. No entanto, para mim, o autor deveria ser chamado de Mestre das Páginas Voando, ou Mestre do Não Quero Ir fazer Xixi Agora, ou Mestre do Deixa a Fome pra Lá, ou Mestre do Esse Ônibus Poderia Demorar Mais um Pouco pra Chegar.
Dizer que a leitura voa não é exagero. Você quer devorar sempre mais e mais. É tanto mistério, tanta coisa esquisita sem explicação, que você simplesmente necessita prosseguir virando as páginas para saber que diabo está acontecendo. A estrutura da história é brilhante, a forma como o autor vai esclarecendo algumas dúvidas ao mesmo tempo em que joga outras novas no colo do leitor é de enlouquecer. E as pontas soltas são devidamente amarradas, sem atropelo, mesmo em tão poucas páginas. Mas, afinal, trata-se de Harlan Coben e não se poderia esperar menos do que um serviço bem feito.

Um único ponto que vale comentar é que o texto é muito mais focado nos mistérios e pouco voltado para os personagens. Quem leu alguns livros da série Myron Bolitar sabe do que estou falando. Eu me sinto praticamente a melhor amiga do Myron e do Win, de tão bem que os conheço. Mas não senti proximidade com Jake e Natalie em Seis anos depois. Isso não tira, de jeito nenhum, todos os méritos do livro, e essa característica talvez seja bastante adequada para um livro independente, que não pertence a série nenhuma.

Há ocasiões em que você está a fim de ler um livro policial mais lento. Quer degustar o suspense, deixar o cérebro trabalhar com tranquilidade. Mas quando você quiser algo rápido, que te plante a curiosidade, mas que explique os fatos estranhos de forma clara e eficiente, é Harlan Coben que você deve ler. Definitivamente.
Seis Anos Depois

Leia um trecho: aqui

[resenha] Laranja Mecânica

13 de julho de 2014 - domingo - 19:30h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Literatura estrangeira, Resenhas

Laranja MecânicaTítulo: Laranja Mecânica
Título original: A clockwork orange
Autor: Anthony Burgess
País: Inglaterra
Ano: 1962
Editora: Aleph
Páginas: 199
Sinopse: Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma resposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex – soberbamente engendrada pelo autor – empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de “1984″, de George Orwell, e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, “Laranja Mecânica” é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.
Compre: compare preços

O vekio começou a fazer uma espécie de shons abafados – uuf uaf uof – então Georgie soltou os gubers dele e simplesmente deixou que ele levasse uma na rot sem dentes com seu punho cheio de anéis. Isso fez o vekio gemer muito na hora, e foi aí que brotou o sangue, meus irmãos, muito lindo.

Avaliação:
Já fazia muito, muuuuito, tempo que eu queria ler esse livro, mas a minha super fila de livros não lidos sempre vinha atrapalhando. Hoje eu posso me considerar uma leitora mais completa, já que eu fechei o trio 1984, Admirável Mundo Novo e Laranja Mecânica.

A história se passa em um futuro próximo e é contada por Alex, um adolescente que, juntamente com outros 3 amigos, tem o costume de roubar e agredir pessoas nas ruas ou em suas casas por simples diversão. A ultraviolência, comum nessa sociedade, gera uma contrapartida por parte do governo que, por meio da tecnologia e da manipulação psicológica, consegue suprimir qualquer traço desse tipo de comportamento. O tópico abordado passa a se tornar, então, o livre arbítrio. O direito de escolha do ser humano e os limites da interferência das autoridades são questionados pelo protagonista Alex.

Além do tema central em si, outro aspecto muito citado quando se fala do livro Laranja Mecânica é a presença da gíria nadsat, palavra que significa “adolescente”. A intenção do autor, ao inventar essas gírias e utilizá-las no texto, era causar estranheza ao leitor e fazer com que ele se sentisse deslocado, da mesma forma que um adulto de 30~40 anos se sentiria ao presenciar a conversa de um grupo adolescente. Um glossário foi criado para a edição americana, o que não existia na edição original, inglesa. Eu preferi ler o livro sem consultar esse glossário, seguindo, justamente, a proposta do autor, e é o que eu recomendaria a todos. Não há tanta dificuldade assim em deduzir o significado das palavras, já que o próprio contexto e as ocorrências repetidas ajudam bastante. Veja a citação acima, em cinza, para ter uma ideia de como as gírias aparecem no texto.

Uma das coisas comuns ao se discutir histórias de ficção científica ou, em específico, distopias antigas é avaliar o quanto o tema principal ainda é atual ou acabou se tornando realidade. Ao pesquisar um pouco sobre esse livro, li por aí, na internet, que Laranja Mecânica chocou um pouco os leitores na época em que foi publicado. Entretanto, o que me chocou mesmo foi o fato de eu, leitora no ano de 2014, não ter ficado tão chocada assim com a ultraviolência narrada no livro. O que está acontecendo com a nossa sociedade, que acharia perfeitamente “comum” um grupo de 4 adolescentes espancar e roubar um professor no meio da rua, à noite?

Eu não me recordo se já escrevi isso em alguma outra resenha, mas as minhas histórias de ficção científica preferidas são aquelas que expõem questões mais filosóficas ou comportamentais, e não apenas a tecnologia futurística pura. Admirável Mundo Novo, Eu, Robô e o filme Inteligência Artificial (A.I.) são bons exemplos. É provavelmente por esse motivo que Laranja Mecânica, sendo um livro de tão poucas páginas, ganhou importância de tamanha proporção.

Leiam. Simplesmente leiam.
Laranja Mecânica

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