Paris 2015 – a parte literária da viagem – I

13 de abril de 2015 - segunda-feira - 17:35h   ¤   Categoria(s): Blog

Entre os dias 30 de março e 10 de abril, eu fui viajar pra Paris.

Foi a 2ª vez que eu fui pra lá. A 1ª foi em 2011, mas fiquei na cidade somente por 3 dias, porque fazia parte de um roteiro maior, que pegou também Portugal, Espanha e algumas outras cidades da França.
Vai ter post sobre isso no meu blog pessoal, mas eu queria postar aqui a parte literária da viagem.

Este post I vai ter os seguintes tópicos:
- vi no metrô;
- locais que visitei;
- livros em museus.

O post II vai ter as compras. Não vou colocar aqui porque senão o bagulho fica gigantesco demais.

Algumas coisas vocês já viram no meu instagram, mas pra quem perdeu, posto algumas de novo.

» vi no metrô
O metrô de Paris tem muita propaganda, tanto nos corredores quanto nas estações. A maioria é de assuntos culturais, como teatro, cinema, exposições e livros. Vou chutar que uns 35% é de produtos de consumo e viagens.

Propaganda do livro Seis anos depois, do Harlan Coben
Paris 2015
Propaganda do livro do Jo Nesbø
Paris 2015
Harry Potter l’Exposition: em Saint-Denis, pertinho de Paris, na Cité du Cinéma. Vai de 4 de abril até 6 de setembro de 2015. Mais informações em www.harrypotterlexposition.fr.
Paris 2015

 
» locais que visitei
Vocês lembram que eu falei que uma das missões da minha vida era ir na Shakespeare and Company e comprar lá um livro de um autor francês? Pois é, consegui cumprir metade dela, rsrs. Na verdade, a S&C é especializada em livros anglófonos, então não encontrei nenhum livro em francês lá. Bom, até podia comprar um livro de um autor francês escrito em inglês, mas aí não faria sentido.
Paris 2015 Paris 2015Da primeira vez, eu fui só conhecer mesmo. Não tem foto de dentro porque não pode ficar tirando foto lá. O lugar é superapertadinho, entuchado de livros, visitantes e clientes. Imagina a bagunça e o incômodo que seria se pudesse tirar foto.
Aí eu voltei lá ainda mais 2 vezes, pra comprar 2 livros, um de cada vez, huahuahua! Uma das vezes estava meio muvucadinho, com fila pra entrar.
Paris 2015

A maison de Victor Hugo que fica na Place des Vosges, nº 6 é o local onde Victor Hugo morou entre 1832 e 1848. Infelizmente, ele estava fechado por conta de reformas para acessibilidade e museografia. A reabertura está prevista para 2 de junho. Mas deu pra tirar uma fotinho na porta. =)
Paris 2015

Inicialmente construído para ser um tributo a Sainte Geneviève, padroeira de Paris, o Panthéon foi laicizado, e nele hoje repousam célebres personagens da história francesa, entre eles, alguns escritores.
Cartazes explicando sobre Victor Hugo, Alexandre Dumas e Émile Zola
Paris 2015Cripta desses 3 escritores
Paris 2015 Paris 2015Túmulo do Victor Hugo
Paris 2015Túmulo do Alexandre Dumas
Paris 2015Túmulo do Émile Zola (tá bem ruim de ver, mas, acreditem em mim, rs, é o túmulo dele)
Paris 2015Estátua de Voltaire (o túmulo está atrás, esqueci de tirar foto)
Paris 2015
Também fui caçar o local onde a Gertrude Stein morou. Fica na rue de Fleurus, nº 27, e o prédio é habitado normalmente hoje.
Paris 2015 Paris 2015

A Bibliothéque Sainte-Geneviève fica próxima ao Panthéon. Ela apareceu no filme Hugo Cabret, quando o Hugo e a Isabelle vão pesquisar sobre Méliès.
Os visitantes só podem entrar na biblioteca acompanhados por um funcionário, que ficará junto com você dentro de um cercadinho bem no meio do salão da sala de leitura. A única coisa que é possível fazer é olhar, passar mal de deslumbre e tirar foto sem flash. Obviamente, não faz sentido permitir que turistas fiquem circulando entre as estantes e atrapalhando quem está querendo estudar. =)
Paris 2015

 
» livros em museus
Só umas fotinhos legais de uns livros antigos que tinham em alguns museus.
Paris 2015 Paris 2015 Paris 2015

Café da Manhã Intergaláctico – Editora Aleph

25 de março de 2015 - quarta-feira - 17:51h   ¤   Categoria(s): Eventos, Ficção Científica, Literatura estrangeira

Hoje, dia 25 de março de 2015, rolou o Café da Manhã Intergaláctico, realizado pela ultrafoda Editora Aleph.
Café da Manhã Intergaláctico
É claaaaro que eu fui lá conferir o que seria falado sobre essa combinação perfeita que é o universo nerd e a literatura.

O Café da Manhã aconteceu na Reserva Cultural, que fica na Av. Paulista, 900.
Primeiro teve o café da manhã em si, com alguns comes e bebes, e em seguida fomos para uma das salas de cinema que a Aleph tinha reservado para esse evento.

Bom, eu não sei nem por onde começar, porque falaram de tanta coisa bacana que eu me sinto como uma criança de 7 anos quando volta de um acampamento superlegal e quer contar tudo pros pais, rs.

O bate-papo foi feito pelo Adriano Fromer e pelo Daniel Lameira, respectivamente diretor editorial e editor da Aleph.

As fotos não ficaram tão boas porque são de uma tela de cinema dentro de uma sala escura. Fora o fato de eu ter sentado no canto. Mas também não fiquei tirando foto de tudo porque, convenhamos, eu tava lá pra prestar atenção ao que eles tinham pra falar.
Café da Manhã Intergaláctico

Alguns dos tópicos abordados foram:

» história e crescimento recente da Aleph
O Adriano Fromer contou um fato muito triste, que foi o falecimento do pai dele, há 3 dias. O professor Pierluigi Piazzi é o fundador da editora. A frase mostrada na tela é de quebrar as pernas! =´)
Café da Manhã Intergaláctico Também foram mostrados alguns números e gráficos sobre o quanto a editora cresceu, graças à (ou juntamente à) maior disseminação da ficção científica entre os leitores.

» universo expandido de Star Wars
O Daniel Lameira é, segundo o que eu vi em uma imagem de divulgação de um evento da Aleph, “responsável pela publicação dos livros do universo expandido de Star Wars, além de clássicos da ficção científica mundial”. Ele falou de Herdeiro do Império, do Timothy Zahn, passou alguns vídeos sobre o universo expandido…
Café da Manhã Intergaláctico…e mostrou, em primeira mão, a capa do 2º livro da Trilogia Thrawn: Ascensão da Força Sombria (o original em inglês é Dark Force Rising).
Café da Manhã Intergaláctico Pros fãs de Star Wars, acalmem-se. Tem mais uns 20 títulos do E.U. que a Aleph vai publicar. Alguns deles são:
- Um novo amanhecer
- O último comando (3º volume da Trilogia Thrawn)
- Darth Vader e filho
- Princesinha de Vader
- Sombras do Império
- Academia Jedi
- Tarkin
- Herdeiro do Jedi
- Troopers da morte
- Como Star Wars conquistou o Universo

» as eras da ficção científica
Uma das coisas que eu mais curti (na verdade, eu curti tudo, né…) foi um painel com a história da ficção científica, dividindo-a por eras, de acordo com as características e o estilo mais presente em cada época, e mostrando os livros e/ou autores mais típicos. Bem didático, bem interessante, um prato cheio pra quem gosta de aprender coisas novas. E eu nem gosto, vá! =D
Café da Manhã Intergaláctico

» difusão da ficção científica
Também foram discutidos a questão do porquê de a ficção científica só estar se difundindo recentemente, as razões por que muitas pessoas ainda não gostam do gênero, os preconceitos que ainda permanecem e o que, na realidade, a ficção científica aborda.

» lançamentos
Café da Manhã Intergaláctico No final, eles mostraram os futuros lançamentos da editora. Entre os que eu me lembro, estão:
- O Planeta dos Macacos – Pierre Boulle
- Jurassic Park – Michael Crichton
- Tropas Estelares – Robert A. Heinlein
- Cyberstorm – Matthew Mather
- Alien – Alan Dean Foster
- Eu Sou a Lenda – Richard Matheson
- Eu Estou Vivo e Vocês Estão Mortos – Emmanuel Carrère (biografia do Philip K. Dick)

» brindes ultrafoda
Vocês não têm noção do peso da sacola linda que os convidados ganharam na saída! Eu quase caí de costas quando vi o conteúdo!!
- sacola do livro O Planeta dos Macacos e 3 textos de prefácio ou introdução, do William Gibson, da Ursula K. Le Guin e do Isaac Asimov
Café da Manhã Intergaláctico – livros Kenobi, do John Jackson Miller, e As Fontes do Paraíso, do Arthur C. Clarke, caderninho (sem pauta!! \o/) de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, marcadores de páginas e uma garrafa contendo um pergaminho (referência ao livro O Planeta dos Macacos). De todos os kits distribuídos, em 5 deles a garrafa está premiada com 10 livros da Aleph
Café da Manhã Intergaláctico Fala sério. Diz se não é pra passar mal?

Queria agradecer de coração o convite da Aleph! Aprendi muito, me encantei, me diverti e fiquei passada com os brindes que ganhei! Valeu muito a pena ter acordado mais cedo, rsrs. ♥

[resenha] Eu, Robô

8 de março de 2015 - domingo - 15:43h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Resenhas

Título: Eu, Robô
Título original: I, Robot
Autor: Isaac Asimov
País: EUA
Edição original: 1950
Editora: Aleph
Páginas: 315
Compre: compare preços

Powell ficou boquiaberto.
– Você está sendo ridículo. Já falei que nós o fizemos.
– E se não acredita em nós – acrescentou Donovan –, ficaremos felizes em desmontá-lo!
O robô fez um gesto largo com as mãos, em desaprovação.
– Não aceito nada com base em autoridades no assunto. Uma hipótese deve ser sustentada pela razão, caso contrário não tem valor… e supor que vocês me fizeram vão contra todos os preceitos da lógica.

Avaliação:
1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

As Três Leis da Robótica de Isaac Asimov são apresentadas pela primeira vez nos contos que foram compilados na coletânea Eu, robô. Esta coletânea, de dezembro de 1950, contém 9 contos do autor, publicados em revistas entre 1940 e 1950.
A linha que costura e dá coesão à sequência dos contos é o relato de uma entrevista feita com a dra. Susan Calvin, psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc. Nascida em 1982, dra. Calvin aceitou conceder essa entrevista às vésperas de sua aposentadoria, aos 75 anos. Ou seja, o “tempo atual” do livro se passa um pouco depois do ano 2057.
Ao entrevistador, a dra. Calvin relembra os casos mais interessantes sobre os robôs da U.S. Robots, que são justamente os contos da coletânea. Na lista abaixo, seguem eles na ordem em que aparecem no livro, com sua data de publicação e uma sinopse bem curta.

Robbie - set/1940 – Ainda da época em que robôs não tinham a capacidade de se comunicar pela fala, Robbie é o robô-babá da família Weston, e foi adquirido para cuidar da garotinha Gloria, que o adora de paixão. Mas a mãe de Gloria não vê com bons olhos a amizade da filha com um robô.
Andando em círculos - mar/1942 – Gregory Powell e Mike Donovan são personagens de muitos contos de Asimov. Eles são engenheiros de testes de robôs experimentais na U.S. Robots. Em 2015, a dupla é enviada a Mercúrio para testar um robô que será responsável por extrair selênio das minas existentes no planeta. Mas, por algum motivo, o robô está andando em círculos ao redor de uma das minas, ao invés de trazer selênio para a estação mineradora.
Razão - abr/1941 – Powell e Donovan estão trabalhando em uma estação espacial juntamente com o robô Cutie, que é dotado da capacidade de utilizar a razão no seu raciocínio. Em um dado momento, ele não aceita que foram os humanos que o construíram e começa a defender a existência de um “Mestre” criador.
É preciso pegar o coelho - fev/1944 – Powell e Donovan foram enviados a um asteroide para testar um robô múltiplo (um corpo principal que comanda outros corpos menores fisicamente independentes), que foi criado para realizar extração de minério neste local. Todos os testes em laboratório deram certo. Mas o robô não estava cumprindo seu dever no ambiente real. Questionado pelos engenheiros, o robô afirma que tudo está dentro da normalidade, que não há nada de errado. Mas HÁ algo errado.
Mentiroso! - mai/1941 – Na U.S. Robots, a dra. Susan Calvin é comunicada sobre a existência de um robô que lê mentes. Todas as 33 unidades deste modelo, fabricadas anteriormente, não tinham essa capacidade. A montagem de todos eles é exatamente igual. Mas o número 34 podia ler mentes. Por quê?
Um robozinho sumido - mar/1947 – Dra. Susan Calvin, que nunca havia deixado a superfície da Terra até então, teve que ser enviada à Hiperbase, pois todo o trabalho envolvendo a construção do Propulsor Hiperatômico estava paralisado. Um dos robôs utilizados nesse projeto desapareceu. Ou melhor, ele se misturou a uma carga de 62 robôs idênticos a ele que apareceu na estação espacial, aparentemente porque ele não queria ser encontrado.
Evasão! - ago/1945 – Depois de ter seu supercomputador destruído ao tentar realizar cálculos para a criação de um motor interestelar, a principal empresa concorrente da U.S. Robots a procura, desafiando-a a construir o motor utilizando os mesmos cálculos. O Cérebro, potente computador da U.S. Robots, consegue cumprir com o desafio e cria uma nave espacial capaz de fazer realizar longas viagens interestelares. Gregory Powell e Mike Donovan entram na nave para conhecê-la, pois eles serão os prováveis engenheiros de teste. Quando eles se dão conta, a própria nave já saiu da Terra sem o comando deles.
Evidência - set/1946 – Stephen Byerley é uma pessoa pública. Advogado e promotor, ele é candidato a prefeito. Francis Quinn, um político que tem interesse em impedir que Byerley seja eleito, procura a U.S. Robots com o objetivo de pedir ajuda para que consigam provar que o candidato é um robô. Bem, a empresa é a única fabricante de robôs existente, e afirma conhecer todos os robôs que construíram…
O conflito inevitável - jun/1950 – Stephen Byerley foi eleito Coordenador da Região Norte do planeta. Estão acontecendo em alguns locais da Terra problemas relacionados à economia, que não deveriam acontecer, já que todos os cálculos são feitos por robôs programados com as Leis da Robótica. Todas as alocações de recursos e decisões de aspecto econômico deveriam beneficiar ao máximo o ser humano. Ou melhor, não deveriam lhe causar nenhum tipo de mal.

A maioria dos contos trata de histórias de robôs que, por algum motivo, estavam falhando ou tendo comportamentos inesperados. Além de se tentar descobrir a causa das falhas, as Leis da Robótica também são bastante discutidas. Para a minha felicidade, várias reflexões de cunho filosófico e psicológico são provocadas. Em todas as minhas resenhas de obras de ficção científica, eu sempre digo que é isso que vale nessas histórias. O que o futuro vai fazer com nossas relações humanas? O que a tecnologia vai causar em nosso comportamento? Atualmente já vemos vários textos enchendo a internet, falando sobre o quanto estamos mais desatentos, ou fotos de pessoas em uma mesa de jantar, todas com a cara enfiada no celular. Em Eu, robô, um passo adiante é dado nessa discussão: como a própria tecnologia poderia se comportar, se adquirisse alguns aspectos do comportamento humano? Esse assunto não tem como não ser fascinante!

Um outro ponto realmente interessante que me chamou muito a atenção foi em relação às datas citadas. Logo no começo do livro, há uma introdução em que o entrevistador fornece uma breve biografia da dra. Susan Calvin. A princípio, seria normal ler que a dra. Calvin nasceu em 1982, formou-se em 2003 e terminou o doutorado em 2008. No entanto, o que é passado recente para nós ou passado bastante longínquo para o entrevistador era, na verdade, um futuro distante para o autor na época em que o texto foi escrito. Confesso que achei essas diferenças de datas tão perturbadora quanto ler sobre um robô que não acredita que foi criado por um humano.

Com relação ao filme de 2004, com o Will Smith, independentemente de você ter assistido ou não, leia o livro. Leia. Ponto final. O enredo do filme não tem semelhança com nenhum dos contos. São mostradas as Leis da Robótica, alguns personagens aparecem, mas o livro é bem mais amplo e mais provocador.
Aceite meu conselho: leia o livro. =)

[resenha] Realidades Adaptadas

18 de fevereiro de 2015 - quarta-feira - 10:52h   ¤   Categoria(s): Crônicas/Contos, Ficção Científica, Literatura estrangeira, Resenhas

Realidades AdaptadasTítulo: Realidades Adaptadas
Autor: Philip K. Dick
País: EUA
Editora: Aleph
Páginas: 302
Compre: compare preços

Com certeza deve saber que a Pré-Crime reduziu 99,8% dos crimes graves. Raramente temos assassinatos ou traições reais. Afinal, o culpado sabe que será confinado no campo de detenção uma semana antes de ter a chance de cometer o crime.

Avaliação:
Preciso confessar uma coisa pra vocês: eu nunca tinha ouvido falar de Philip K. Dick até mais ou menos 1 ano atrás. Ééé! A pessoa se formou em Engenharia, tem uma boa carga de nerdice, diz-se ui-nossa devoradora de livros, curte ficção científica, mas não tinha ouvido falar de Philip K. Dick!!!! O que faz com um ser desses? Manda ir beber água de privada, né!
Você que não é nerd está perdoado. Você pode não conhecer o nome desse autor, mas com certeza até conhece histórias dele. Os filmes Minority Report e Vingador do Futuro são algumas adaptações para o cinema baseadas nos contos de Philip K. Dick.
Realidades adaptadas é justamente uma coletânea dos contos que foram parar na telona. O livro traz 7 histórias, que serviram de inspiração para os seguintes filmes:
- O Vingador do Futuro
- Screamers – Assassinos Cibernéticos
- Impostor
- Minority Report – A Nova Lei
- O Pagamento
- O Vidente
- Os Agentes do Destino

Uma coisa que eu gosto sempre de repetir quando escrevo alguma resenha sobre distopia ou ficção científica é que o que me atrai em histórias desse tipo é o aspecto humano, social, psicológico e filosófico do futuro imaginado. Naves interplanetárias ou cidades em ruínas, para mim, são apenas cenários de fundo que justificam algo muito mais complexo e que envolve aqueles que neles vivem. O próprio Philip K. Dick comentou que suas obras giravam em torno de dois questionamentos: o que é a realidade e o que constitui um ser humano.

Abaixo, tentei escrever um resumo mais curto possível de cada um dos contos, usando o nome original deles, mas na mesma ordem da lista acima.

Em Lembramos para você a preço de atacado, Douglas Quail gostaria muito de ir a Marte, mas, sendo um assalariado, não tem dinheiro para realizar seu sonho. Seu orçamento é somente capaz de arcar com a compra de uma lembrança. Assim, resta-lhe apenas recorrer a uma empresa que implanta memórias no cérebro de pessoas.
Segunda variedade é um conto que aborda a questão da definição de um ser humano. No futuro, androides tão perfeitos serão capazes de enganar quem realmente é humano? Mas o que define o que é ser um humano?
Em O impostor, Spence Olham é acusado por um colega de trabalho de ser um androide que está tentando sabotar as defesas do planeta Terra contra ataques alienígenas. Plenamente consciente de quem ele é, Olham tenta provar a sua humanidade.
O relatório minoritário aborda a velha questão do livre arbítrio. Em época em que os crimes serão previstos e, por esse motivo, impedidos, John Anderton descobre que vai cometer um assassinato. O problema é: Anderton é o fundador e chefe da Divisão Pré-Crime que, justamente, tem como objetivo prender os futuros criminosos. Mas ele sabe que não vai cometer nenhum assassinato. Ou será que vai?
Em O pagamento, Jennings de repente acorda quando está sendo levado a uma das sedes da empresa, para receber o pagamento pelo serviço prestado. Dois anos se passaram desde sua última lembrança. Ele sabe que foi contratado para um trabalho, mas não se recorda de nada do que fez durante esse período. Na sede, Jennings descobre que assinou um contrato em que concordou trocar o pagamento em dinheiro por alguns objetos aparentemente insignificantes. Os acontecimentos posteriores acabarão por responder a razão de tal escolha.
O homem dourado se passa em um futuro em que os mutantes existem, mas não são necessariamente livres para viver em sociedade. Cris é um deles. Nascido em uma família comum, Cris não fala, mas é bonito e tem um belo corpo… e é inteiro dourado, inclusive seus cabelos. Além disso, Cris tem a habilidade de prever os acontecimentos cerca de 2 minutos antes.
Equipe de ajuste conta a história de uma entidade, teoricamente invisível ao mundo, responsável por garantir que os fatos aconteçam conforme o planejado. Trata-se de uma equipe, composta por pessoas e até por animais, que precisa realizar suas tarefas de maneira perfeitamente sincronizada para cumprir seus objetivos. Até que, um dia, um dos membros do grupo falha no seu timing. Nesse dia, Ed Spencer, que devia ter um dia absolutamente normal, acaba encontrando esta equipe no escritório onde trabalha.

Eu achei que Realidades adaptadas foi um ótimo jeito de me iniciar ao Philip K. Dick. Quero muito ler outras obras dele!
Recomendo essa coletânea principalmente aos amantes de cinema, de ficção científica e àqueles que, como eu, nunca tinham ouvido falar do autor.
Realidades Adaptadas

[resenha] O Primeiro Telefonema do Céu

29 de janeiro de 2015 - quinta-feira - 09:05h   ¤   Categoria(s): Espiritismo / Religiões, Literatura estrangeira, Mistério, Resenhas

O Primeiro Telefonema do CéuTítulo: O Primeiro Telefonema do Céu
Título original: The first phone call from heaven
Autor: Mitch Alborn
País: EUA
1ª edição original: 2013
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Compre: compare preços

– Tess… Pare de chorar, minha querida.
– Não pode ser você.
– Sou eu, sim. Estou aqui, sã e salva.
Sua mãe sempre dizia isso quando telefonava durante alguma viagem, fosse de um hotel, de um spa, até de uma visita a parentes a apenas meia hora de distância. Estou aqui, sã e salva.

Avaliação:
Eu me interessei por esse livro por causa do título. Parecia algo sobre espiritualidade, que eu curto, mas tinha uma certa semelhança com o seriado Resurrection, que eu estou acompanhando e adorando. Vendo a chamada no topo da capa – “Do mesmo autor de As cinco pessoas que você encontra no céu” –, achei que pudesse ser estilo autoajuda, que também gosto, dependendo do foco. Entretanto, ao ler a sinopse, eu realmente fiquei em dúvida sobre para onde O primeiro telefonema do céu iria me levar. Só tinha um jeito de saber: lendo.

Em uma sexta-feira qualquer do mês de setembro, Tess Rafferty, moradora da cidade de Coldwater, no Michigan, recebe um telefonema. Era sua mãe, falando que tinha algo a lhe dizer. O problema era: sua mãe tinha falecido há 4 anos. Nessa mesma sexta-feira, Robbie, o falecido filho de Jack Sellers, chefe de polícia de Coldwater, também liga, avisando que está bem. O mesmo aconteceu com Katherine Yellin, que foi contatada por telefone pela sua falecida irmã.
Aos poucos, fica-se sabendo que mais algumas pessoas também receberam ligações de seus falecidos parentes, amigos ou conhecidos, pedindo que espalhem ao mundo a mensagem de que o céu existe, e a paz e o amor são tudo que encontramos após o fim desta vida na Terra.
Em pouco tempo, os meios de comunicação divulgam o milagre de Coldwater, o que acaba suscitando peregrinações de fiéis em direção à pequena cidade.
Mas será tudo isso verdade?
Sully Harding, ex-piloto das Forças Armadas, acaba de sair da prisão por uma condenação injusta. Sua esposa faleceu enquanto ele estivera preso, e seu pequeno filho Jules está esperando por uma ligação da mãe. Sully decide, então, investigar o que é que está acontecendo.

Achei que O primeiro telefonema do céu é um livro bem diferente do que eu já havia lido. Você não consegue saber direito qual é o seu objetivo. É uma história de ficção que mistura espiritualidade e mistério. Há uma certa apreensão ao longo de toda a leitura, porque você não sabe se deve esperar por uma grande mensagem para a sua vida ou se vai acabar se frustrando com uma conclusão que te fará se sentir bobo. Uma coisa é você ler uma história de mistério que questiona o como ou o porquê, por exemplo, assassinatos, fantasmas que assombram casarões, relíquias religiosas. O autor não questiona a existência dos causadores do mistério. Nesses livros, assume-se que assassinos, fantasmas e Santo Graal existem e ponto. Já em O primeiro telefonema do céu, a estrutura é totalmente diferente. O leitor não sabe se o eixo central do enredo, em torno do qual tudo acontece, será, no fim das contas, verdade.

O que eu posso te adiantar, sem soltar spoilers, é que a leitura valeu a pena. Quando você fecha definitivamente o livro e começa a refletir sobre o que leu, você percebe que, afinal, esse era o seu objetivo.
Acho que recomendaria este livro mais às pessoas que têm dúvidas quanto aos mistérios dessa nossa vida. São aquelas que estão abertas a possibilidades, a verdades que tenham alguma chance de ser verdade.
O Primeiro Telefonema do Céu

Leia um trecho: aqui