[resenha] Claraboia

18 de janeiro de 2012 - quarta-feira - 16:43h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

ClaraboiaTítulo: Claraboia
Autor: José Saramago
País: Portugal
Ano: 2011 (1953)
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 377
Sinopse: Primavera de 1952. Um prédio de seis apartamentos numa rua modesta de Lisboa é o cenário principal das histórias simultâneas que compõem este romance. Dramas cotidianos de moradores como Lídia, uma bela mulher sustentada pelo amante misterioso, e Abel, um jovem outsider à procura de um sentido para a vida, se contrapõem ao árduo cotidiano dos outros moradores. As narrativas paralelas do livro são organizadas segundo as divisões internas do prédio, do térreo ao segundo andar.
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Na multidão de ruídos que já enchia o prédio, Silvestre começou a distinguir um bater de saltos nos degraus da escada. Identificou-os imediatamente. Ouviu abrir a porta que dava para a rua e debruçou-se:
- Bom dia, menina Adriana!
- Bom dia, senhor Silvestre.
A rapariga parou debaixo da janela. Era baixinha e usava óculos de lentes grossas que lhe transformavam os olhos em duas bolinhas minúsculas e inquietas. Estava a meio caminho dos trinta aos quarenta anos, e já um que outro cabelo branco lhe riscava o penteado simples.
- Então, ao seu trabalho, heim?
- É verdade. Até logo, senhor Silvestre.

Avaliação:
Existe uma história muito bonita e ao mesmo tempo triste por trás da publicação de Claraboia.
Este foi o 2º livro escrito por José Saramago, em 1953, aos 30 anos, ainda sob o pseudônimo de Honorato.
O original da obra foi entregue a um amigo, que o encaminhou a uma editora, mas esta nunca a publicou, assim como não deu nenhuma resposta ao autor, nem lhe devolveu o manuscrito. Saramago até tinha uma cópia da obra, mas a perdeu alguns anos depois.
Claraboia ficaria perdida até os anos 1980, quando, numa mudança, a editora encontrou o manuscrito e entrou em contato com o escritor, interessada em publicar o livro.
Magoado, Saramago declarou que não queria ver o romance publicado enquanto estivesse vivo, e deixou a decisão para os herdeiros.
O escritor faleceu no ano de 2010. O livro foi lançado no final de 2011.

Claraboia retrata o cotidiano de um prédio de 3 andares e seus moradores. Não se trata de nenhuma aventura épica ou grande feito da humanidade. Não há grandes tramas. É tão somente a vida diária de cada um, na intimidade do lar ou no relacionamento com os vizinhos. Há conflitos, pois sim, como há na vida de qualquer pessoa comum; também há segredos, medos, dúvidas, alegrias e amizades. Poderia ser a minha vida, ou a sua.

Foram essa leveza e essa simplicidade que me chamaram a atenção. A leitura era fluida e corria livre, como uma folha no leito de um rio calmo. Infelizmente não posso dar minha opinião com base em uma análise do autor, pois esta é a 1ª obra que leio dele. A orelha do livro cita o seu “exuberante estilo tardio”, que desconheço por enquanto. Mas será que Claraboia não poderia ser uma ótima sugestão para quem nunca leu Saramago?

Um detalhe pessoal que eu gostaria de destacar também é o fato de o texto ser em português de Portugal, e com o vocabulário da década de 1950. Não há dificuldade nenhuma apesar das pequenas e interessantes diferenças, o que torna o texto ainda mais cativante.

Recomendo muito este livro para quem procura um entretenimento tranquilo numa leitura gostosa e serena.

Este livro também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, do qual estou participando. A meta do mês de Janeiro é ler um livro de um autor europeu. Checked! =)

Destaque para a textura da capa, que achei muito elegante.
Claraboia

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    4 comentários para “[resenha] Claraboia”

  1. Clícia Godoy disse:

    Oi!

    Mate-me! Ainda não li nada do Saramago! Mas vou se esse ano consigo ler pelo menos 1.

    Adorei sua resenha, bem clara!
    =)

    Bom livro para o desafio!
    E Boa Sorte em fevereiro!
    =)

    Bjinhos
    Psiu!
    Silêncio Que Eu To Lendo

  2. Samantha disse:

    Eu nunca li Saramago, olha a vergonha mode on, acho que vou me retratar e começar a ler. Ótima resenha, e triste história, entendo a mágoa dele e apesar de achar interessante os herdeiros resolverem publicar, eu acho que nunca permitiria a publicação de algo que tivesse magoado tanto alguém da minha família :(

    bjks
    Sam
    @BEmpoeirada

  3. Aime disse:

    Eu já era Saramagólotra aqui no Brasil, em Portugal tive a honra de estudar com Ana Paula Arnaut, a maior autoridade em Saramago, tanto que ela recebeu pesames e flores qndo Saramago morreu, ainda nao li Clarabóia pq tou comprando todos os livros dele aos poucos, mas a historia parece mto boa mesmo!

    Lá em Portugal só tem essa segunda capa, ela é bonitinha pq a ‘claraboia’ abre que nem uma janelinha e tem um céu atras :)

  4. FelipeNasca disse:

    Essa sua descrição me faz lembrar do Cortiço.

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