[resenha] O Substituto

8 de outubro de 2012 - segunda-feira - 18:14h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Terror / Sobrenatural

O SubstitutoTítulo: O Substituto
Título original: The Replacement
Autor: Brenna Yovanoff
País: EUA
Ano: 2010
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 333
Sinopse: Mackie Doyle não é normal. Ele vive na pequena cidade de Gentry, mas vem de um mundo de túneis e águas escuras e lamacentas. Ele é um substituto – deixado no berço de um bebê humano há dezesseis anos. Agora, em virtude de uma alergia fatal a ferro, sangue e solo consagrado, Mackie está morrendo aos poucos no mundo dos homens. Essa iminente morte faz com que ele saia de seu casulo e vá em busca de respostas. Nessa cidade onde crianças são trocadas quando pequenas por seres do submundo, substitutos são seres conhecidos, embora não assumidos. Muitas famílias já passaram por isso, mas não conseguem entender o motivo. E, para não confrontarem a realidade, aceitam sem reclamar. O impressionante é que a troca é facilmente notada, mas, talvez por resignação, a passividade da cidade é tão grande que ninguém faz nada para mudar.
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O solo sagrado não era uma coisa como o aço inoxidável ou o ferro do sangue. Era uma coisa com a qual eu simplesmente não conseguia lidar. Se eu botasse os pés meio metro dentro do pátio da igreja, minha pele se enchia de bolhas, como a de uma pessoa normal que sofreu uma terrível queimadura de sol.

Avaliação:
A capa é absurdamente linda. Talvez esteja nos Top 3 dos livros mais bonitos que eu tenho. Mas infelizmente, esta capa criou uma expectativa que, além de ter sido muito acima do que me foi efetivamente entregue, ela também sugeriu um enredo totalmente diferente do que eu li. Eu achava que o livro fosse sobre diversas crianças trocadas que começam a espalhar um terror silencioso pela cidade, como uma névoa venenosa que penetra sorrateira em todos os espaços. Mas não, o livro não é sobre isso.

A história tem como protagonista um adolescente, Mackie, que tem alergia a sangue, ferro e solo consagrado (por exemplo, igrejas ou certas áreas de cemitérios). Tudo que ele deseja é ser um garoto normal e conviver tranquilamente com pessoas da sua idade. Entretanto, Mackie é um substituto. O filho verdadeiro do casal foi levado do berço quando ainda era um bebê e ele foi deixado no seu lugar. Seus pais sabem do fato, mas não tocam no assunto, lidando da maneira que podem. Sua irmã mais velha tem plena consciência da troca e, apesar disso, o ama incondicionalmente. A cidade inteira sabe que bebês são trocados e convivem com isso de maneira resignada.
As coisas começam a mudar com a morte da irmãzinha mais nova de Tate, uma das colegas de escola de Mackie. Mas a garota sabe que quem morreu não foi exatamente sua irmãzinha, e sim alguém por quem ela foi trocada. A criança estava estranha, diferente nos últimos meses. Tate sabia que era outra pessoa. Por este motivo, vai procurar por Mackie. O garoto, por sua vez, percebe que suas alergias o estão enfraquecendo. A partir disto, a história se torna um mergulho no submundo de onde Mackie veio.

“O Substituto” tem um quê de Tim Burton, cheio de criaturinhas estranhas, bizarras, que habitam um local igualmente estranho, mas que faz parte da mesma dimensão que a nossa. Estes seres e seu habitat, assim como as características do protagonista e as substituições em si formam um bom conjunto conceitual, dando uma boa estrutura à história. Entretanto, o enredo em si não me emocionou nem me envolveu. Não achei que a leitura me prendeu. Em muitos momentos, minha opinião era “Nossa, que estranho! Eu hein, que bizarro…”, enquanto torcia um pouco o nariz.

Tenho quase certeza que O Substituto não teria me atraído tanto se não fosse a linda capa. Em uma conversa com uma amiga, eu cheguei a comparar a minha frustração com a sensação nula que tive ao ter lido O Hipnotista.

Se você já comprou O Substituto e ainda não leu, leia para me contestar e me contar o que foi que eu perdi da história. Se você quer comprar o livro porque acha que se trata de uma história aterrorizante, esqueça.

E depois de publicar essa minha resenha, eu vou procurar ler outras resenhas para entender o que as pessoas por aí enxergaram.
O Substituto

    3 comentários para “[resenha] O Substituto”

  1. Bruna disse:

    Concordo com você a capa é lindo e foi oq ue me chamou atenção :)
    Mais me desanimei agora em saber que o livro em si não tem nada a ver com a sinopse, eu também esperava um livro de terror e tals…
    Mesmo assim se eu tiver a oportunidade de ler, vou ler e tirar minha própria conclusão ^^
    beijos
    Bruna
    Livros de Cabeceira

  2. Leila M. disse:

    Começo perguntando aonde a capa é linda? Eu tenho medo dessa capa!!!!!rs..
    Não leria o livro pela capa e nem pela sinopse, pq sou muito medrosa!rs.. Ah, e quando você disse que o livro é “cheio de criaturinhas estranhas, bizarras, que habitam um local igualmente estranho”, me deixou com menos vontade ainda!rs..

  3. Lia, hoje estou de plantão e sem nada pra fazer… kkk!
    Li a resenha e a sua crítica. Fiquei com vontade de ler porque parece que a autora quer comparar o mundo que ela criou com a nossa sociedade, aonde o isolamento social, a exclusão e os problemas de relacionamento ocorrem sem que sejamos substitutos. Outro ponto de vista: as crianças adotadas também passam por situações semelhantes. Sabemos ou desconfiamos que são adotados, mas convivemos com isso. Entretanto, quando a criança descobre que é adotada, ela passa por uma crise existencial. E passa a perseguir suas origens. A partir do momento que as pessoas sabem que ela é adotada, passam a tratar de modo diferente, sem rejeição, mas com distanciamento. Acho que vou comprar esse livro, mas será que a autora não é adotada? Brincadeirinha…

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