[resenha] Madame Bovary

29 de setembro de 2013 - domingo - 11:09h   ¤   Categoria(s): Desafios, Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Madame BovaryTítulo: Madame Bovary
Título original: Madame Bovary
Autor: Gustave Flaubert
País: França
Ano: 1857
Editora: L&PM
Páginas: 334
Sinopse: ‘Madame Bovary’ trata da desesperança e do desespero de uma mulher que, sonhadora, se vê presa em um casamento insípido, com um marido de personalidade fraca, em uma cidade do interior. O romance mostra o crescente declínio da vida – interna e externa – de Emma Bovary.
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Gostava do mar apenas pelas suas tempestades e da verdura só quando a encontrava espalhada entre ruínas. Tinha necessidade de tirar de tudo uma espécie de benefício pessoal e rejeitava como inútil o que quer que não contribuísse para a satisfação imediata de um desejo do seu coração – tendo um temperamento mais sentimental do que artístico e interessando-se mais por emoções do que por paisagens

Avaliação:
Eu gosto muito de ler clássicos. Acho que eles têm muito a ensinar. Sobre uma época, sobre um lugar, sobre o autor, sobre costumes e valores. Mas eu sempre reivindiquei para mim o direito de não gostar do que li. Estes livros podem ensinar muito, podem ser importantíssimos para a literatura, mas não quer dizer que a leitura sempre será agradável. Foi o caso de O Morro dos Ventos Uivantes. É o caso, agora, de Madame Bovary.
Mas não é que eu detestei o livro. O que aconteceu foi apenas que ele não me apeteceu como deveria, afinal, é uma história que se passa na França do século XIX. O motivo da minha apatia talvez seja o fato de eu ter lido O Primo Basílio há pouquíssimo tempo. Eça de Queirós foi acusado de plágio por essa obra. Verdade ou não, justo ou não, as duas obras realmente têm bastante semelhanças.
Emma Bovary, assim como Luísa, gostava muito de ler romances e se encantava com as histórias de paixões arrebatadoras que os personagens viviam. Ambas tinham uma vida enfadonha dentro de seus casamentos e ambas cometeram adultério em busca de emoções, apesar de toda a ilusão que as acompanhava. E tiveram, cada uma à sua maneira, um fim trágico.

O autor, Gustave Flaubert, foi levado a julgamento por causa deste livro, acusado por ofensa à moral e à religião. Achei interessante e, ao mesmo tempo, um pouco triste perceber como as questões moralísticas e religiosas da época simplesmente parecem tolas aos nossos olhos da atualidade. Fruto dos valores que prevalecem hoje, o adultério é tido como algo banal, e o aspecto ameaçador da religião é digno de zombaria.

O livro começa contando sobre a infância de Charles Bovary. Ele era um garoto que vivia na área rural e que mais tarde foi mandado para a escola, na cidade, para estudar. Posteriormente, formou-se médico. Com ajuda da sua mãe, casou-se com uma viúva rica, porém seca e amarga. Em uma consulta ao velho sr. Rouault, tem a chance de conhecer a filha dele, Emma. Pouco tempo depois, sua primeira esposa morre e Charles acaba por pedir Emma em casamento. Entretanto, com pouco tempo de casada, Emma já começa a se incomodar com a monotonia dos seus dias. Sendo ela uma mulher estudada, logo passa a sentir desprezo pela simplicidade – muitas vezes ingenuidade – do seu marido. O amor que ele lhe oferecia estava infinitamente longe do que ela havia sonhado para si, baseado no que havia lido nos romances de sua juventude.

Além de todo o desenrolar decorrente da inquietação de Emma, o livro também possibilita conhecer um pouco da região norte da França, nos arredores de Rouen, mostrando-nos os hábitos e pensamentos da época. As notas de rodapé, ótimas, explicam o contexto cultural e histórico, e você aprende bastante lendo-as.
Entretanto, apesar de a história ser interessante, não me senti cativada pelo texto. Não foi uma leitura que tenha enchido meu coração. Com relação aos personagens, eles têm suas características muito bem descritas, mas parecem impessoais e distantes, como se o leitor não conseguisse se aproximar deles para conhecê-los melhor. Há livros em que o autor praticamente joga o leitor dentro da história, como se fosse amigo íntimo dos personagens. Há outros em que o leitor sente que se torna o próprio personagem, entrando em sua alma e entendendo-a, tamanha é a identificação. Infelizmente, Madame Bovary não se encaixa em nenhum destes dois casos.

De qualquer forma, é um livro que valeu muito a pena ter lido, principalmente pela sua importância histórica e moral. A minha recomendação é que se leia, de preferência, com um intervalo bem grande entre ele e O Primo Basílio.

Esta resenha, errr, veja bem… faz parte da meta de agosto (!?!?) do Projeto Variedade Literária.
Madame Bovary

    3 comentários para “[resenha] Madame Bovary”

  1. Bruna Araújo disse:

    Ps.: Não ligue para as palavras e letras “engolidas” em frases do tipo: Não “é” o melhor livro do mundo, não digito junto o verbo ¬¬’

  2. Bruna Araújo disse:

    Ai, ai , como você escreve bem, adooooro ler suas resenhas, fazem-me pensar e me animam, mesmo quando você fala que não o melhor livro do mundo, eu fico fascinada! Prepare-se para um comentário (mega)gigantesco!! (apesar de contido, acredite -.-)

    Tenho um pequena (ou grande?) implicância com Luísa, de O primo Basílio, talvez por já ter lido trechos do livro, mas em relação a Emma, não sei bem o que pensar, quando você fala da desilusão da personagem em relação ao amor, que não corresponde ao sonhos dela, fico até com um peninha, mas se ela for uma “sem vergonha”, como eu penso que a Luísa seja, teríamos problemas durante a leitura rsrs, fiquei com impressão que Emma não trai o marido por ter encontrado o verdadeiro amor, mas busca aventuras para satisfazer seus caprichos.

    Gostei muito do que você disse sobre a relação do leitor com os personagens, sinto exatamente como você descreveu! Quando a história me prende, oscilo entre considerar os personagens verdadeiros amigos, ou um pouco como se eu estivesse vivendo aquilo.Acho que isso deve ser o que nos motiva a ler, não é mesmo ^.^

    Por outro lado, o que você falou no início da resenha também faz total sentido! Não tenho o costume de resenhar livro que eu não tenha gostado, mas acho que são discussões extremante empolgantes, e concordo plenamente com você, temos o direito de não gostar. Particularmente, acho que a graça de não gostar de um “clássico”, é o tanto de coisas que ele te dá para criticar, dá margem para criticas inteligentes (mesmo que, no meu caso, não consiga de fato expor tais críticas… nem fazer observações inteligentes:p… mas é tão legal pensar nisso *.* ).

    Para encerrar, indicarei os livros que você pediu via twitter (sorry pela demora :) ). Não são livros que eu tenha efetivamente lido (por isso, não sei se são leituras agradáveis ou muito boas), na verdade são referências usadas no material de estudo que usei. Infelizmente Literatura inglesa não foi algo muito explorado, foi “pincelado” T.T… mas lá vai:

    *A literatura inglesa, do autor Anthony Burgess;
    * Rumos da literatura, de Maria Elisa Cevasco e outros autores;

    Espero não ter te cansado com meu blá-blá-blá quase infinito haha , e que de alguma forma o livros sejam úteis (fiquei com vontade de comprá-los *.*, porém parece que o primeiro está em falta no fornecedor :x)

    Beijos!!!

  3. Fernando disse:

    Olá Lia
    Não gosto muito destes livros históricos, prefiro os livros mais atuais. Quero ver se me animo a ler os clássicos um dia.

    Estou seguindo seu blog para acompanhar as atualizações e sempre que puder fazer uma visita.
    Abraços

    http://reaprendendoaartedaleitura.blogspot.com.br/

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