[cabra] Tolerância literária

8 de outubro de 2013 - terça-feira - 09:44h   ¤   Categoria(s): Cabra

Era uma vez uma Lia que gostava de ler praticamente de tudo. Aventura? Sim. Terror? Sim. Suspense, policial? Sim, sim. Biografia, autoajuda, espírita, História, Psicologia, romance, Mitologia, Economia? Siiiiiiimmmm!!!
Por causa dessa “promiscuidade” para gêneros, a Lia também achava que todo livro valia a pena, que todos eles mereciam sua chance. Até que, um dia, a Lia leu um livro bem bobinho, bem fraquinho, que teve o dom de não acrescentar absolutamente nada na vida dela. Nem conhecimento e nem mesmo diversão. Nadica.Tolerância literária
Desde esse dia, a Lia se tornou uma leitora intolerante e má.
Fim.

Hahahahaha!! Mentira. Essa história ainda não teve fim. A Lia sou eu. E vou explicar para você por que estou extinguindo do meu “eu interior” essa tal tolerância literária.

Nós, leitores ávidos – viciados, malucos, esquizofrênicos -, queremos ler todos os livros do mundo, de todos os tempos, certo? Entretanto, quantos anos vamos viver? Muitos? Vamos morrer bem velhinhos porque ler ajuda na longevidade? XD Ótimo! Pena que 120 anos de vida, ainda assim, não serão suficientes. E quanto mais tempo vivermos, mais livros veremos sendo publicados.

Portaaaaanto, partindo já do princípio de que eu NÃO vou conseguir ler todos os livros do mundo, eu percebi (oh, gênia) que preciso melhorar meus critérios de escolha. É uma simples questão de custo de oportunidade, de investir meu tempo em algo que me traga mais benefícios: por que ocupar minha vida com uma leitura tranqueira, sendo que um livro muito mais legal poderia me divertir mais e me ensinar mais?

Veja bem, deixe-me reforçar o eixo principal do assunto: o objetivo aqui não é falar de leitura de qualidade, de preconceito literário e essas polêmicas todas. Estamos tratando apenas de um problema de otimização, de melhor aproveitamento do tempo sempre tão escasso. O que eu acabei de chamar de “leitura tranqueira” refere-se justamente ao livro bobinho, fraquinho e inútil que eu citei lááá em cima. E esse é um conceito totalmente subjetivo. Mesmo os livros mais criticados, desdenhados, vítimas de bullying (tipo os tons de cinza e os crepusculinhos) podem ser, sim, uma diversão para o leitor. E até podem ensinar alguma coisa, hahaha!

Tolerância literáriaO meu grande problema é que eu tinha o seguinte raciocínio: “Ai, esse livro deve ser ruinzinho. Mas vamos ver se é tããão ruim assim”. Bondade demais, tolerância demais, generosidade demais. E tempo de menos pra tudo isso.

O bom é que, ao adotar essa postura mais exigente, eu também passo a comprar menos livros. Se eu tiver o conceito da tolerância e do custo de oportunidade na minha mente no momento em que eu estiver com um livro (ou 2, ou 5, ou uma cesta de compras cheia) nas mãos, decidindo se levo ou não, talvez o estrago seja muito menor. E a lendária fila de não-lidos agradece, pois ela vai perder peso.

Eu imagino que a maioria dos leitores não seja tão promíscua quanto eu costumava ser. Pelos papos com uns e outros, percebi que as suas preferências costumam ser bem definidas, muito diferentes da bagunça que é esse meu gosto literário pra tudo.

Será que existe gente igual a mim? Se sim, espero que esse meu texto ajude, pois eu acho que esse insight que eu tive (ui, nossa!) vai realmente mudar minha vida de leitora – e de compradora compulsiva.

 

Morte da cabrita A seção “Cabra” é um nome curto para o que deveria se chamar “Morte da Cabrita”, onde coloco os textos resultantes das minhas reflexões profundas (ahan!) acerca de assuntos que envolvem o mundo literário, principalmente a grande delícia que é ser um leitor. A intenção jamais será ter a palavra final sobre o tópico abordado, e sim gerar discussões e novas reflexões. Post explicativo aqui.

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    4 comentários para “[cabra] Tolerância literária”

  1. Terezinha disse:

    A “coragem” que eu tomei foi de não terminar um livro.
    Continuo lendo de tudo, mas se no meio a leitura começa a ficar chata, já não tenho mais a consciência pesada de deixar o livro pela metade (ou menos).

  2. Eu tenho minhas fases. Às vezes leio de tudo, às vezes fico bem chata nas minhas escolhas!

  3. eliana lee disse:

    Olha Lia… eu também era assim, mas passou muito depressa. Assim que tomei contato com alguns livros que realmente eram densos e me traziam um mundo de descobertas junto, fiquei beem chatinha hahahahaha Tem muita série hoje em dia que eu não passo nem perto. E como você mesmo disse, em meus 120 anos eu quero caprichar nas minhas ecolhas! rs

    beijos

  4. Erika Marinho disse:

    Bom eu também lia qualquer tipo de livro pois achava que elas me acrescentaria algo. Mas não é bem assim, pois eu já tanto livro ruim e chato aff.
    Agora tento selecionar os meus gostos e quando não gosto de um livro que eu achei que ia ser acabo trocando ele.

    http://infinitoparticulardoslivros.blogspot.com.br/

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