[resenha] O Menino da Mala

14 de outubro de 2013 - segunda-feira - 09:27h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

O Menino da MalaTítulo: O Menino da Mala
Título original: Dregen i kufferten
Autor: Lene Kaaberbøl e Agnete Friis
País: Dinamarca
Ano: 2008
Editora: Arqueiro
Páginas: 252
Sinopse: Atendendo a um pedido de sua amiga Karin, Nina Borg vai à estação ferroviária de Copenhague buscar uma mala. Dentro, encontra um menino de 3 anos nu e dopado, mas vivo.
A única que pode esclarecer esse absurdo é Karin, mas ela é brutalmente assassinada. Nina se dá conta de que sua vida está ameaçada e que o garoto também precisa ser salvo.
Neste primeiro livro da série da enfermeira Nina Borg, vendido para 27 países, as autoras Lene Kaaberbøl e Agnete Friis apresentam uma heroína que busca fazer justiça em meio à crueldade do mundo.
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Estranhamente, o menino era muito mais leve em seus braços do que no interior da mala. Tão leve quanto uma pluma. Nina podia sentir no próprio pescoço o ar quente que ele soprava em preguiçosas lufadas. Meu Deus. Quem seria capaz de fazer uma coisa dessas a uma criança?

Avaliação:
Uma das primeiras coisas que eu notei no livro, ao longo da leitura, é que a lógica da sua sequência é diferente da dos livros americanos do mesmo gênero. Em O Menino da Mala, não demora muito para o leitor saber quem são as pessoas e o que elas fizeram. A estrutura da história foca mais no “porquê” e no “como”. Ainda no começo do livro, já é possível saber quem é o garoto, quem o colocou na mala e a mando de quem. Mas como ele foi parar lá e por qual motivo é justamente a forma como o enredo será desenvolvido.
Inicialmente, as autoras apresentam diversos personagens, em cenários diferentes, dando a entender que todos se encontrarão no final, quando a trama for amarrada e concluída.

Talvez seja somente falta de costume, mas a sensação que este tipo de estrutura traz é diferente. Não há ansiedade ou afobação. A leitura parece mais calma, como se fosse apenas questão de tempo para o leitor chegar a todas as explicações. O ruim é que isso não gera aquela curiosidade desesperada; não há muito envolvimento com o livro ou com os personagens. Parece que o leitor é apenas um espectador plácido enquanto os coitadinhos dos personagens estão lá se matando no palco. Por que se descabelar junto com uma mãe que perdeu seu filho se é possível saber o tempo todo que ele está bem, nas mãos de uma enfermeira que está fazendo o possível para ajudá-lo? É um outro ritmo. Dá tempo de se pensar um pouco, raciocinar melhor sobre a história, sem atropelos. Mas, como leitora, eu pergunto se isso é legal em um livro policial.
Uma amiga minha, acostumada a ler livros cheios de assassinato, sangue e investigação, me disse que esse formato é comum aos livros nórdicos. Eu apenas li O Hipnotista – e o achei bem normalzão –, então não tenho muito parâmetro para dizer qual tipo de estrutura prefiro, mas confesso que senti falta de ser agarrada pelas orelhas, com alguém me dizendo “Vem, Lia, vamos descobrir toda essa podridão juntos”.

A história é muito boa, sim, isso eu não vou negar. O final é surpreendente, há reviravoltas e surpresas que amenizam um pouco toda aquela sensação de previsibilidade que o livro vem trazendo o caminho inteiro.
No meu caso, acho que é questão de ler mais autores nórdicos para me acostumar. De qualquer forma, ainda assim, eu recomendo esse livro, principalmente para se sair daquela mesmice de perseguições alucinadas nos cenários já batidos das cidades-padrão dos Estados Unidos.
O Menino da Mala

Leia um trecho: aqui

    1 comentário para “[resenha] O Menino da Mala”

  1. Felipe disse:

    Esse livro tem um final certo ou tera continuação??

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