Categoria: ‘Biografia’

[resenha] Rin Tin Tin

17 de novembro de 2013 - domingo - 19:11h   ¤   Categoria(s): Animais, Biografia, Literatura estrangeira, Resenhas

Rin Tin TinTítulo: Rin Tin Tin – A Vida e a Lenda
Título original: Rin Tin Tin: the life and the legend
Autor: Susan Orlean
País: EUA
Ano: 2013
Editora: Valentina
Páginas: 293
Sinopse: Ele achava que o cão era imortal. Assim começa a vasta, poderosa e comovente narrativa de Susan Orlean sobre a jornada de Rin Tin Tin – de sobrevivente órfão a astro do cinema e ícone internacional do showbiz. Susan, chamada de “patrimônio nacional” pelo Washington Post, passou cerca de dez anos pesquisando e escrevendo sua mais cativante obra: a história de um cão que nasceu em 1918 e nunca morreu. A narrativa começa num campo de batalha francês da Primeira Guerra Mundial, quando Lee Duncan, um jovem soldado americano, descobre um sobrevivente: um pastor-alemão recém-nascido nas ruínas de um canil bombardeado. Para Duncan, que passou parte da infância num orfanato, a sobrevivência do cão fora um milagre. Havia algo em Rin Tin Tin que o compelia a compartilhá-lo com o mundo. Duncan o levou, então, para a Califórnia, onde suas aptidões físicas e a capacidade de representar chamaram a atenção da Warner Bros. Durante os dez anos seguintes, Rinty estrelou 23 sucessos do cinema mudo que salvaram o estúdio da falência e fizeram dele o cão mais famoso de todos os tempos.
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Eu penso que sempre haverá um Rin Tin Tin porque sempre haverá histórias. Rin Tin Tin começou com um conto sobre a surpresa e o milagre, um golpe da fortuna numa época desafortunada, continuou como realização de uma promessa de amizade perfeita e culminou como portador de histórias sublimes que perduraram anos.

Avaliação:
Se você resolver ler Rin Tin Tin – A vida e a lenda por achar que se trata somente da história da vida de um cão, sinto muito, mas você terá na sua leitura muito mais do que isso. Não apenas pelo fato de Rin Tin Tin não ter sido “apenas um cão”, mas também porque o livro tem uma abrangência gigantesca, falando de Guerras Mundiais, de História e cultura americana, da trajetória do cinema e de valores humanos. Talvez, explicando assim, fique a impressão de que a biografia não tem foco, mas, na verdade, a grandeza está na própria entidade Rin Tin Tin e tudo que vem junto com ela.

O primeiro Rin Tin Tin foi um filhote encontrado por Lee Duncan na França, durante a I Guerra Mundial. Órfão, voltou para os EUA junto com Lee, que acabou descobrindo o talento do cão como ator. Seus filmes salvaram o ainda jovem e quase falido estúdio da Warner Bros. durante a década de 1920, ainda na época do cinema mudo.
A beleza do livro está em mostrar que Rin Tin Tin conseguiu atravessar o tempo e ser muito mais do que um único cão, que, em média, costuma viver 16 anos. O cinema fez sua difícil transição do mudo para o falado, a TV invadiu os lares americanos, as cores passaram a fazer parte das imagens transmitidas. E durante todo esse tempo, Rin Tin Tin esteve presente, acompanhando essas mudanças, porque algumas pessoas extremamente apaixonadas pelo que faziam queriam que ele continuasse a existir. A frase “Sempre haverá um Rin Tin Tin”, de Lee Duncan, é a essência dessa biografia densa e emocionante.

Eu recomendaria Rin Tin Tin – A vida e a lenda para pessoas que querem uma leitura mais lenta, porém recheada de cultura. Não é um livro para se ler “rapidão”, em um fim de semana, mas sim para se ler com vontade, com dedicação, disposto a aprender tudo o que ele tem para oferecer. Foi escrito com amor, e fala sobre o amor das pessoas por um cão, a ponto de desejarem torná-lo imortal.
Rin Tin Tin

[resenha] Um gato de rua chamado Bob

16 de setembro de 2013 - segunda-feira - 10:01h   ¤   Categoria(s): Animais, Biografia, Literatura estrangeira, Resenhas

Um gato de rua chamado BobTítulo: Um gato de rua chamado Bob
Título original: A street cat named Bob
Autor: James Bowen
País: Inglaterra
Ano: 2013
Editora: Novo Conceito
Páginas: 236
Sinopse: É uma tarde de outono em Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de todos os lados e clientes entram e saem das lojas. No meio de tudo isso está um gato. Usando um vistoso lenço Union Jack em volta do pescoço e cercado por uma multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja, sorri – é, sorri – timidamente. Próximo a ele, está seu dono James Bowen, com seu violão surrado, cantando músicas do Oasis. Então, ele para de tocar e se abaixa para Bob – ‘Vamos, Bob, cumprimente!’, diz. Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e a estende para James. A multidão assobia. Não é todo dia que se vê um gato sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se abalar com o barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento – mas Bob não é um gato comum…
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Eu estava começando a amar o modo como Bob parecia ser capaz de iluminar o dia das pessoas. Ele era uma bela criatura, não havia dúvida. Mas não era apenas isso. Havia algo mais em Bob. Era sua personalidade que estava atraindo a atenção. As pessoas podiam sentir algo nele.

Avaliação:
Se alguém me perguntasse do que se trata o livro e eu tivesse que responder em uma única frase, seria: “É a história de um gato que tirou um cara do vício das drogas”. Acho que essa frase, por si só, já deixa implícito o quanto o livro é emocionante e o quanto Bob é um animal fantástico. O resto, em detalhes, o leitor vai acabar descobrindo (ou confirmando) ao longo da leitura.

Um gato de rua chamado Bob conta como James Bowen teve sua vida totalmente transformada quando um gato laranja apareceu no prédio onde havia começado a morar recentemente. James era um viciado em heroína lutando para se livrar das drogas. Ex-morador das ruas de Londres, estava há pouco tempo habitando um apartamento numa moradia subvencionada, voltada especialmente para ajudar pessoas que estão tentando reiniciar suas vidas. O gato estava em um estado bastante fragilizado. Magro, com partes da pelagem faltando e um ferimento na perna, ele acabou contando com a ajuda e atenção de James para se recuperar. Foi levado ao veterinário e foi até castrado. Quando o gato, já batizado de Bob, estava curado, James achou que poderia deixá-lo ir embora. Mas Bob resolveu ficar. Tendo como amigo um animal surpreendentemente inteligente e companheiro, James passou a ter um motivo para acordar todos os dias e se manter “limpo”.
As histórias das aventuras de James juntamente com Bob são de derreter o coração. O livro já me fez querer chorar logo na segunda página. Eu adoro gatos, mas infelizmente ainda não tive um para mim. Cheguei a conviver com alguns durante a minha infância, mas apenas de forma superficial. Nunca tive chance de ser muito próxima deles e muito menos tive um para chamá-lo de “meu”. Gosto deles, mas não sei como eles são, não conheço detalhes dos seus comportamentos. Por esse motivo, os relatos de James sobre a personalidade e as atitudes de Bob me encantavam de forma covarde, além de terem sido ótimo aprendizado. Eu não fazia ideia, por exemplo, de que machos que atingem a maturidade sexual costumam ser mais bochechudos, e esta era justamente uma das características que me chamavam a atenção nas fotos que via do Bob.

Após o fim da leitura, é como se a história de James e Bob ficasse em você. No meio da tarde, você se pega pensando neles, preocupada, com vontade de proteger Bob e querendo saber se James está conseguindo se recuperar bem da abstinência. É como se a existência deles fizesse parte da sua vida. O livro acaba, mas o seu vínculo emocional com os “meninos” demora para se dissolver.
Um gato de rua chamado Bob

Baixe o trecho do livro: aqui

Vídeo:
Um videozinho pra dar um gostinho… =)

[resenha] A Magia da Pixar

31 de março de 2013 - domingo - 19:38h   ¤   Categoria(s): Biografia, Desafios, Literatura estrangeira, Resenhas

A Magia da PixarTítulo: A Magia da Pixar
Título original: The Pixar Touch
Autor: David A. Price
País: EUA
Ano: 2008
Editora: Campus Elsevier
Páginas: 276
Sinopse: Este livro é a história fascinante da imensa riqueza criativa, tecnológica e empresarial por trás do sucesso da Pixar, o estúdio cinematográfico mais inovador de todos os tempos. Trata-se da primeira análise minuciosa da empresa que mudou definitivamente o modo como conhecemos e enxergamos a animação e o cinema.
Com base em entrevistas realizadas com dezenas de especialistas, o autor examina os primeiros anos pioneiros, quando a animação feita em computadores era considerada a “alternativa lunática” do meio, e a Pixar enfrentou diversas decepções e perdas financeiras até chegar ao estrondoso sucesso de Toy Story. Ele nos leva até o estúdio de hoje, para ver como escritores, diretores e animadores realizam seus filmes maravilhosos e incrivelmente populares. Finalmente, Price explora o relacionamento volátil entre a Pixar e a Walt Disney Company, quando se transformou de uma empresa satélite da Disney em uma joia de US$7,4 bilhões.
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O novo script continha várias mudanças para tornar Woody mais simpático. O filme se abriria com uma nova sequência, na qual Andy brincava com Woody, destacando a ligação entre eles. Onde o antigo script mostrava Woody como um superpoderoso arrogante no quarto de Andy, as primeiras cenas da nova versão definiriam Woody como um líder sábio que tomaria conta dos outros brinquedos.

Avaliação:
A primeira impressão que eu tive, ao começar este livro, foi que a leitura iria se arrastar. Letras pequenas, linhas que ocupavam toda a página, indo de uma ponta a outra, e margens estreitas. Além disso, nas 40 primeiras páginas, são narrados os primórdios da Pixar, na década de 1970, quando ainda estava longe de ser uma fábrica de sonhos e estava mais para um grupo de um monte de nerds apaixonados por computadores e animação, que desejavam juntar uma paixão à outra.
Entretanto, o livro não demora muito para ficar divertido, quando começam a aparecer “personagens famosos”, como George Lucas e Steve Jobs. É interessante também a presença de diversas pessoas a princípio desconhecidas, mas relacionadas a nomes futuramente famosos, como Adobe, Xerox, Netscape ou Atari.

Como talvez não pudesse deixar de ser, a parte mais legal do livro está nos relatos dos bastidores dos filmes que tanto nos conquistaram. A cada capítulo, é contada a história da concepção de um ou dois filmes, sendo eles: Toy Story 1 e 2, Vida de Inseto, Monstros S.A., Procurando Nemo, Os Incríveis, Carros e Ratatouille. Você sabia a paixão do Diretor de Criação John Lasseter por brinquedos e carros foi o que justamente deu origem a Toy Story e Carros? E que para os pelos do Sulley, em Monstros S.A., foi utilizada uma tecnologia (software?) totalmente nova de autossombreamento? E que Toy Story 2 estava inicialmente programado para ser lançado apenas em vídeo? E que, no entanto, foi uma das poucas sequências que se tornou maior e foi considerada melhor do que o primeiro filme?
Também são contados os problemas que alguns filmes tiveram, como o fato de a DreamWorks ter resolvido fazer FormiguinhaZ exatamente para provocar a Pixar, e alguns processos referentes a acusação de violação de direitos autorais em Monstros S.A.
Há também alguns relatos muito legais, de quando a Pixar ainda não era um estúdio e o grupo estava tentando mostrar que animação por computação era algo para o qual se devia olhar com mais carinho e atenção. Em 1986, na conferência anual SIGGRAPH, a Pixar exibiu sua primeira animação, Luxo, Jr. Assista ao vídeo abaixo e você entenderá por que na vinheta do início de todo filme da Pixar há uma luminária que aparece pulando.


Enfim, A magia da Pixar é altamente recomendável para as pessoas que são apaixonadas pelos filmes deste estúdio. Apesar de denso, cheio de personagens e informações, é um livro que me fez passar a enxergar as animações de outra forma. Eu ficarei imaginando de onde as histórias surgiram, se o nome e o roteiro do filme permaneceram os mesmos desde a concepção, que tipos de novas tecnologias devem ter sido implementadas (apesar de eu não entender nada do assunto), quantas máquinas e quantos dias foram necessários para renderizar uma determinada cena.
A Magia da Pixar
Esta resenha faz parte da meta de março do Projeto Variedade Literária.

Projeto: Variedade Literária – março

4 de março de 2013 - segunda-feira - 16:53h   ¤   Categoria(s): Biografia, Desafios

Projeto: Variedade Literária

Vamos pro 3º mês do Projeto: Variedade Literária! Eu particularmente gosto do gênero da vez.

Biografia
Quando a gente fala em biografias, geralmente pensa-se, logo de cara, em histórias da vida de pessoas, mas eu também acho válido incluir nessa lista histórias de empresas e marcas.
Eu gosto muito de biografias porque sempre têm algo a ensinar. Se o biografado se destacou no meio de tantos “semelhantes”, se fez a diferença no mundo e se mereceu ter sua vida contada, é porque ele tem algo a acrescentar. Outro motivo por que eu gosto do gênero é que sempre que eu termino de ler o livro, eu passo a entender, respeitar e admirar um pouco mais a pessoa ou a entidade. Isso me faz pensar no quanto costumamos julgar de maneira tão cruel, baseando-nos em uma quantidade tão insignificante de informação. Além disso, dependendo de quem é o biografado, o pano de fundo da época é um prato cheio para quem gosta de História (quem, eu? magiiina! rs).

Sugestões
Opções legais são o que definitivamente não faltam! E dos mais variados tipos possíveis!
Os links nas imagens levam às sinopses no skoob ou às minhas resenhas.

       
       
       
       

O que eu vou ler é A Magia da Pixar. Parece ser muito legal!

Para quem quiser ver a lista inteira dos gêneros por mês e as sugestões para cada mês que já passou, o post inicial do Projeto está aqui.

[resenha] Eu

15 de maio de 2012 - terça-feira - 17:13h   ¤   Categoria(s): Biografia, Literatura estrangeira, Resenhas

Eu - Ricky MartinTítulo: Eu
Título original: Me
Autor: Ricky Martin
País: Porto Rico
Ano: 2010
Editora: Planeta
Páginas: 299
Sinopse: Ricky Martin, o astro internacional que já vendeu mais de 60 milhões de discos em todo o mundo, fala pela primeira vez sobre as lembranças de sua infância, as experiências no grupo Menudo, a luta por sua identidade durante o fenômeno Livin’ la vida loca, o momento em que resolveu assumir sua sexualidade e as relações que lhe permitiram aceitar o amor, além das decisões que mudaram sua vida, como dedicar-se a ajudar crianças no mundo todo e tornar-se pai. Eu é uma autobiografia íntima sobre o caminho libertador e espiritual de um dos maiores ícones pop-stars do nosso tempo.
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Eu me lembro de uma vez em que fui vê-la escoltado pela polícia. Quando cheguei à casa dela com a unidade de segurança, gritei: “Vó, vim te ver!”.
“Filho!”, ela disse. “Que maravilha!”
Eu, no entanto, logo precisei esclarecer: “Vim te ver, vó, mas não posso ficar muito tempo. Preciso ir embora logo”. Como sempre, ela não me fez me sentir culpado por ter de ir embora. Simplesmente me agradeceu pela visita e me deu um abração.
“Tudo bem”, ela disse, “foi ótimo ver você. Coma, você está muito magro.”
Essa era minha avó.

Avaliação:
Se eu tivesse a chance de conhecer o Ricky Martin e me fosse permitido dizer para ele apenas uma única frase, ela seria: “Obrigada por ter escrito este livro.”
Posso dizer com absoluta certeza que “Eu” entrou para a minha restrita lista de preferidos e posso afirmar que este é um dos livros mais bonitos que já li.

Fui fã do Ricky Martin durante um curto período da adolescência, mas deixei de acompanhá-lo a partir do momento em que ele começou a gravar em inglês.
O que me fez querer ler este livro não foi apenas o fato de ter sido fã ou seu anúncio sobre sua orientação sexual. A linda entrevista no programa da Oprah Winfrey, os elogios da apresentadora e também os depoimentos da contracapa foram mais do que suficientes para eu morrer de curiosidade de saber o que este homem tinha a dizer, o que suas palavras tinham a ensinar.

O que encanta neste livro não são apenas os fatos que o Ricky Martin conta sobre sua vida – que não são poucos –, como a estrutura da sua família, a entrada no Menudo, a carreira solo, o sucesso nos EUA, o nascimento dos seus filhos ou a sua saída do armário. O que este livro tem de especial é a forma como Ricky passou por tudo isso e de como fala sobre o aprendizado que retirou de cada momento vivido, tenha ele sido televisionado para milhões de pessoas ou tenha acontecido na solidão dos seus dias de pijama. A sua evolução espiritual e a forma como ele a enxerga e analisa são emocionantes.

Ter lido “Eu” talvez não me faça começar a escutar as músicas atuais do Ricky (mesmo que sejam em espanhol) nem assistir suas atuações em seriados ou espetáculos. Mas sem sombra de dúvida, passei a admirá-lo profundamente, pelo ser humano que ele é e por todo ensinamento contido neste seu livro, tão desconcertante.
Eu - Ricky Martin

Vídeo:
Dividida em 4 partes e legendada em espanhol, segue abaixo a 1ª parte da entrevista concedida à Oprah Winfrey. Não deixem de assistir.