Categoria: ‘Psicologia’

[resenha] O Código da Inteligência

29 de maio de 2015 - sexta-feira - 08:53h   ¤   Categoria(s): Autoajuda, Literatura nacional, Psicologia, Resenhas

O Código da InteligênciaTítulo: O Código da Inteligência
Autor: Augusto Cury
País: Brasil
Edição original: 2008
Editora: Sextante
Páginas: 255
Sinopse: Analisando a fundo o funcionamento de cada um desses códigos e os benefícios que nos trazem, Cury mostra como podemos assumir o controle de nossa vida, superando medos, inseguranças e limitações. O autor também alerta para as quatro armadilhas da mente (o conformismo, o coitadismo, o medo de reconhecer os erros e o medo de correr riscos), que aprisionam a criatividade, asfixiam a emoção e aumentam o estresse. Em uma abordagem inovadora, você vai descobrir como lapidar, expandir e irrigar sua inteligência socioemocional. Analisando o comportamento humano sob os pontos de vista psicológico, filosófico, psicopedagógico e sociológico, Cury aborda os hábitos dos bons profissionais e os compara com os hábitos dos profissionais excelentes – aqueles que decifram os códigos da inteligência. Ao explicar de forma simples e acessível o processo de construção dos pensamentos e de formação dos grandes pensadores, este livro vai oxigenar a mente de pais, professores, alunos, cônjuges e amigos, transformando a existência em uma fantástica aventura.
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Seria um absurdo um motorista tirar as mãos do volante e deixar o carro seguir a seu bel-prazer. Colisões aconteceriam, ferimentos imprevisíveis seriam gerados. Mas esse absurdo ocorre com nossa psique. As pessoas deixam suas emoções soltas, sem direcionamento, sem um mínimo de gerenciamento.
Elas se deixam manipular pelo humor triste, fóbico, depressivo, pessimista como se fossem marionetes, como se não tivessem nenhum poder gerencial.

Quando estávamos na escola, aprendemos matemática, português, física, história, química, etc., mas jamais tivemos, na grade de horários, uma disciplina que nos ensinasse a lidar com a frustração. Somos habituados a tomar banho todos os dias, para fazermos a higiene do nosso corpo, mas não criamos o hábito de higienizar nossa mente, de forma a limpá-la dos pensamentos tóxicos que nos povoam durante o dia. Vemos pessoas de grande sucesso profissional que, supomos, têm tudo na vida, mas, um belo dia, ficamos sabendo que se suicidaram pois sofriam de depressão.
Todas as situações acima descritas mostram a falta de cuidado e de atenção que temos com nossa saúde mental e nosso psiquismo.

Pelo que eu pesquisei, este livro é relativamente antigo, e apenas foi reeditado recentemente. No entanto, as ideias contidas nele foram bastante novas para mim. Talvez não tão novas em termos de conteúdo, mas, na verdade, de abordagem. Os livros de autoajuda sempre nos orientam a ter bom humor, pensar positivo, evitar o estresse e não sucumbir à ansiedade, mas eu nunca havia lido antes algo que comparasse todas essas orientações com coisas “comuns” que tentam nos ensinar no dia a dia, como dicas de alimentação, de exercícios físicos e aulas de colégio.
O código da inteligência afirma que nosso cuidado com a saúde não deveria se restringir apenas ao corpo. Da mesma forma que devemos evitar consumir alimentos prejudiciais, o autor nos orienta a não consumir pensamentos prejudiciais. Além disso, ele também nos mostra que o conhecimento e a inteligência não deveriam ser apenas sobre quem foi Átila ou qual a fórmula de Bháskara, e, sim, sobre quais são os seus medos, por que eles te paralisam e o que você pode (e deve) fazer com relação a isso.
Uma comparação que o autor faz, da qual eu gostei muito, é quando ele afirma que o ser humano procura estudar e desvendar desde o universo mais longínquo até a partícula atômica mais infinitesimal, mas não procura entender o universo mais importante de todos, que é a sua própria mente e seus próprios pensamentos.

Achei bastante interessante ter visto a saúde mental abordada desta forma. Infelizmente este livro não veio até mim alguns anos antes, pois eu poderia ter evitado alguns percalços de forma tão simples quanto tomar banho ou fazer uma caminhada ou evitar comer muito açúcar.
Um único ponto que me desagradou um pouco foi a estrutura do texto em si. O livro é recheado de citações do autor, mas tiradas de seus outros livros. A impressão que passa é que ele está querendo fazer propaganda, já que, muitas vezes, as citações quase não têm a ver com o texto da página na qual elas estão inseridas. Alguns excessos de metáforas também acabam por fazer com que o livro não prenda muito a atenção do leitor. Os avoados (eu!) terão um pouco de dificuldade.
Entretanto, no geral, a leitura vale muito a pena, pela importância da visão que se dá a um assunto que deveria receber mais a nossa atenção. Motivos para isso não faltam, dado o caráter quase epidêmico das doenças psíquicas nos dias atuais.
O Código da Inteligência

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[resenha] Dar e Receber

14 de junho de 2014 - sábado - 13:16h   ¤   Categoria(s): Autoajuda, Literatura estrangeira, Psicologia, Resenhas

Dar e ReceberTítulo: Dar e Receber
Título original: Give and take
Autor: Adam Grant
País: EUA
Ano: 2012
Editora: Sextante
Páginas: 287
Sinopse: Adam Grant reúne suas conclusões sobre os motivos pelos quais algumas pessoas chegam ao topo da escala de sucesso, enquanto outras permanecem na mediocridade. Ele explica que, nas interações profissionais, podemos atuar como tomadores, compensadores ou doadores. Os tomadores se esforçam para extrair o máximo possível dos outros; os compensadores se empenham em promover trocas equilibradas; e os doadores são aquele tipo raro de indivíduo que ajuda os outros sem esperar nada em troca. Grant revela que, ao contrário do que muitos pensam, as pessoas mais bem-sucedidas nas mais variadas carreiras não são as mais egoístas e implacáveis nem as que agem com base no ‘toma lá dá cá’. Os que chegam mais longe são os doadores.
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Embora, em geral, rotulemos os doadores de tolos e submissos, eles normalmente se revelam muito bem-sucedidos. Para descobrir por que os doadores dominam o topo da escala de sucesso, examinaremos estudos e histórias surpreendentes que esclarecem de que maneira doar pode ser mais eficaz do que supõe a maioria das pessoas.

Dar e receber nos diz que as pessoas se dividem, em termos de atitudes em relação a reciprocidade, em 3 tipos: tomadores, compensadores e doadores. Nosso senso comum nos faz imaginar que as pessoas que mais têm sucesso na vida profissional são aquelas egoístas, que pouco contribuem mas que querem ficar com os louros da conquista, ou seja, os tomadores. É bem verdade que a base da pirâmide de sucesso, onde se encontram os que chamaríamos cruelmente de “perdedores”, podemos encontrar uma maioria de doadores. Entretanto, por algum motivo, os doadores também estão no topo desta pirâmide, enquanto os tomadores e os compensadores ficam no meio do caminho.

O autor, Adam Grant, explica, então, quais as diferenças entre estes 2 tipos de doadores. A estrutura básica do livro consiste nos métodos de interação dos doadores em 4 áreas-chave: networking, colaboração, avaliação e influência. O livro conta como este tipo de profissional constrói redes de relacionamento, como lida com a colaboração e com o que diz respeito a ficar com os créditos, como enxerga potencial em outras pessoas e as ajuda a se desenvolver. Também fala do seu modo de comunicação e da capacidade de influência, dos truques para manter a motivação, de como evitam (ou conseguem deixar de) ser capachos e como, no fim das contas, conseguem se destacar profissionalmente.

As pessoas que querem saber sobre sucesso profissional irão adorar o livro Dar e receber. Mas se você é como eu, que não liga para o “sucesso” que o senso comum define, que não acha que ter um salário alto é sinônimo de status, que não sente necessidade de ter um cargo em que possa exercer poder sobre outras pessoas, mas que se interessa por comportamento humano, esse livro também pode ser para você.

Eu sempre gostei muito de ler sobre como as pessoas funcionam. Quero entender suas motivações, seus medos, seus sonhos e como tudo isso influencia as suas ações e decisões. E, logicamente, isso também me ajuda no autoconhecimento. Dar e receber é um livro que oferece esse entendimento. Até onde eu sei, o assunto é relativamente novo. O conteúdo é bastante revelador e esclarecedor. Para cada capítulo, que trata de um determinado aspecto do comportamento do doador, o autor fornece uma série de exemplos de pessoas reais, famosas ou não, o que facilita bastante a compreensão. Dessa forma, a leitura acaba ficando bem tranquila e agradável, seja pelo assunto interessante ou pelo texto claro e fácil.

O foco do livro é a vida profissional, mas o assunto é aplicável a qualquer aspecto do nosso dia a dia.
Dar e Receber

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[resenha] Quem Disse Que é Bom Ser Normal?

15 de dezembro de 2013 - domingo - 10:21h   ¤   Categoria(s): Autoajuda, Literatura estrangeira, Medicina, Psicologia, Resenhas

Quem Disse Que é Bom Ser Normal?Título: Quem Disse Que é Bom Ser Normal?
Título original: Better than normal
Autor: Dale Archer
País: EUA
Ano: 2012
Editora: Sextante
Páginas: 223
Sinopse: Dr. Dale descreve oito perfis de personalidade que até então eram considerados doenças psiquiátricas e mostra que eles podem ser encarados como vantagens, por serem qualidades que nos tornam únicos. Questionando o conceito do que é ser normal, o autor traz informações completas sobre os ‘transtornos’ que mais angustiam as pessoas, como TOC, bipolaridade e hiperatividade, desmistificando os problemas mentais e apresentando um novo modo de olharmos o comportamento humano.
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Tudo isso contribuiu para uma tendência claríssima – e, para mim, perturbadora – do mundo farmacêutico: nunca se tomou tanto remédio, com ou sem prescrição médica, quanto nos dias de hoje, pelas mais diversas razões. É claro que não são apenas medicamentos receitados para problemas mentais. Há analgésicos. Soníferos. Remédios contra resfriado. Remédios contra tosse. Remédios combinados contra tosse e resfriado.

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E então, é só uma pessoa ser um pouquinho diferente, um pouco mais organizada, ou um pouco mais agitada que, pronto, ela tem TOC, ela tem TDAH, tem fobia social, síndrome do pânico ou qualquer dessas doenças glamourosas de gente que se acha louca. Sendo assim, precisa se entupir de remédios de tarja preta-fluorescente. Desculpe-me por te decepcionar, mas… bem, é muito provável que esteja tudo certo com a saúde dela.

Em Quem Disse Que é Bom Ser Normal?, o autor, renomado psiquiatra, critica a forma como qualquer característica um pouco “fora do normal” no jeito de ser de uma pessoa é tratada com um diagnóstico de transtorno e quilos de medicamentos. Apresentando uma lista de 8 tipos diferentes de personalidades, ele afirma que todas as pessoas apresentam cada uma dessas personalidades em intensidades diferentes, em uma escala, por exemplo, de 0 a 10. Os indivíduos que realmente podem (mas não necessariamente devem) ser diagnosticados com transtorno e receber tratamento médico são aqueles que atingem o nível 10 de uma (ou mais de uma) personalidade. São casos em que a vida diária e a convivência social ficam extremamente prejudicadas.
Com essa lista e essa escala, o médico deseja mostrar que todos podem ter características interessantes de personalidade que não necessariamente devem ser vistas como doenças. Para cada um dos 8 itens da lista, o autor descreve os comportamentos encontrados de acordo com a posição na escala, qual a origem (ou necessidade) evolutiva daquele tipo de personalidade, como tirar bom proveito na vida profissional e social e, finalmente, qual o transtorno correspondente quando se chega de verdade ao extremo da escala.

Eu gostei bastante desse livro pois ele “desglamouriza” as doenças mentais que acabaram virando moda. As pessoas não precisam ser doentes para serem especiais. Elas podem ser especiais mesmo estando dentro da normalidade. Quem Disse Que é Bom Ser Normal? não se aprofunda muito em cada um dos traços de personalidade, é mais um overview, mas é uma forma ótima de anular a ignorância que veio se espalhando ao longo do tempo. Eu faria a seguinte comparação com outras “doenças”, em relação ao esclarecimento que este livro traz. Seria como algo do tipo:
– Nossa, olha essas sardas no meu rosto. Eu tenho câncer. Preciso ir ao oncologista e fazer quimio.
– Não, querido(a), são apenas sardas. São seu charme, são o que te fazem especial. Mas são absolutamente normais.

Muitas vezes, sardas são apenas sardas. E ser uma pessoa organizada é apenas ser uma pessoa organizada. Esqueçam esse lance de TOC e tal.
Quem Disse Que é Bom Ser Normal?

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Projeto: Variedade Literária – outubro

20 de novembro de 2013 - quarta-feira - 09:20h   ¤   Categoria(s): Animais, Desafios, Medicina, Mitologia, Psicologia

Vamos lá pras sugestões da meta de *gasp, gasp* outubro, rs.

Projeto: Variedade Literária

A meta do mês de outubro do Projeto: Variedade Literária é de um tipo de livro que eu gosto bastante.

Não-ficção de interesse geral
Definitivamente, a forma indireta pela qual eu mais gosto de adquirir conhecimento são os livros. Mas não estou falando de estudo ou de cursos. Eu gosto demais desses livros que proporcionam aprendizado, mas sem aquele peso todo dos termos técnicos. Pode ser sobre qualquer assunto: Economia, Psicologia, Física, História, Mitologia… Eu devoro com amor, rs.

Sugestões
Essa lista abaixo abrange tudo que eu já li ou que leria com certeza.

       
       
       

O que eu escolhi foi Existiu Outra Humanidade.

Para quem quiser ver a lista inteira dos gêneros por mês e as sugestões para cada mês que já passou, o post inicial do Projeto está aqui.

[resenha] O Mito da Monogamia

28 de novembro de 2011 - segunda-feira - 15:04h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Psicologia, Resenhas

O Mito da MonogamiaTítulo: O Mito da Monogamia
Título original: The Myth Of Monogamy
Autor: David P. Barash e Judith Eve Lipton
País: EUA
Ano: 2002
Editora: Record
Tradutor: Ryta Vinagre
Páginas: 320
Sinopse: Neste livro, utilizando novas pesquisas sobre sexo no mundo animal, os cientistas David P. Barash e Judith Eve Lipton põem fim à idéia de que a monogamia surge naturalmente. Na verdade, os biólogos descobriram que, para quase toda espécie, trair é a regra – para ambos os sexos.
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”Em quase todos os mamíferos, inclusive na maioria dos primatas, não aparece a monogamia. Nem os cuidados masculinos com os jovens. Já as aves, embora nem de longe tão monógamas como se pensava antigamente, pelo menos tendem a esse sentido. (Podemos dizer o mesmo dos seres humanos.) E não apenas isso, mas a monogamia social – ao contrário da monogamia genética – tem uma forte correlação com o envolvimento dos pais e das mães na criação dos filhos, uma situação que é comum em aves e muito incomum entre mamíferos, a não ser pelo primata semelhante às aves, o Homo sapiens.

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Título chamativo, assunto polêmico.

Este livro, além de afirmar que a monogamia como a conhecemos praticamente não existe no Reino Animal, também redefine o seu conceito, abrindo-a em 2 tipos: a monogamia social e a genética.

A monogamia social ocorre quando um macho e uma fêmea formam um casal e se ocuparão, juntos, da criação, alimentação e proteção dos seus filhotes. Já a monogamia genética se refere aos casos em que o macho e a fêmea copularão somente um com o outro, dentro do casal que eles formam. Ou seja, na monogamia social, nem todos os filhotes deverão ser descendentes ao mesmo tempo do macho e da fêmea do casal, devido à prática de cópulas extrapar.

Dentre os mamíferos, inclusive os primatas não-humanos, a ocorrência de qualquer tipo de monogamia é algo bastante raro. Já entre as aves, que eram tidas pelos biólogos como o maior exemplo de monogamia entre os animais, são, na verdade, adeptas da monogamia social. Sendo assim, nós, seres humanos, pelo nosso “modus operandi” em relação à perpetuação da espécie, seríamos muito mais aparentados com as aves do que com nossos primos macacos.

De forma bastante didática e através de inúmeros exemplos, baseados em estudos e observações de diversos animais – mas principalmente aves –, os autores relatam e analisam as variações do comportamento reprodutivo tanto do ponto de vista dos machos quanto das fêmeas.

Com base nestas observações, chega-se à conclusão de que os seres humanos são naturalmente polígamos, tendo inclusive evidências morfológicas e fisiológicas para garantir tal afirmação. Mas talvez a questão principal não seja apenas o que a Biologia diz, e sim, por qual razão optamos por ser monogâmicos (ainda que sociais). Como e por que a monogamia surgiu? Apesar dos seus desvios, por que ela funciona na maioria das sociedades? Por que em alguns povos polígamos, a monogamia também ocorre? Por que as tentativas de se criar uma sociedade utópica baseada na poligamia fracassaram? Por que, no fim das contas, a monogamia pode valer a pena?

Eu realmente gostei muito desse livro e minhas expectativas não só foram atendidas com relação ao seu conteúdo, mas também com relação à forma como foi exposto. A linguagem acessível, o humor no tom certo, as discussões científicas ou filosóficas e a forma como a abordagem do tema faz com que pensamentos preconceituosos e equivocados caiam por terra, tudo isso tornou a leitura extremamente agradável.

Recomendadíssimo!
O Mito da Monogamia

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