Categoria: ‘Romance’

[resenha] O Encontro Inesperado

5 de março de 2014 - quarta-feira - 10:06h   ¤   Categoria(s): Desafios, Espiritismo / Religiões, Literatura nacional, Resenhas, Romance

O Encontro InesperadoTítulo: O Encontro Inesperado
Autor: Zibia Gasparetto ditado por Lucius
País: Brasil
Ano: 2013
Editora: Vida & Consciência
Páginas: 419
Sinopse: Em um relacionamento amoroso, uma mulher exigente e intratável, ciumenta, apegada, sufocou o companheiro que depois de sete anos de convivência, não suportando mais saiu de casa. Ela tentara o suicídio uma vez e ameaçava fazê-lo de novo caso ele não voltasse. Os pais dela a julgavam fraca e queriam protegê-la, mas a vida os impediu de socorrê-la. Quando todos pensavam que aconteceria o pior, a vida intercede a seu favor. Os três irmãos – Franco, Gisele e Carlos, surgem nesta história e os fatos começam a mudar. Então aconteceu o encontro inesperado.
Compre: compare preços

Ivo sentou-se em sua sala, pensativo. Às vezes tinha vontade de largar tudo, emprego, mulher, família. Mas controlava-se, temendo a reação de Miriam. Até quando teria de suportar aquela situação?
A cada dia ficava mais difícil voltar para casa. Ele não sentia mais atração por ela e isso fazia com que ela se queixasse ainda mais. O pior é que reclamava com a mãe, que tomava as dores dela, falava com o marido e, no dia seguinte, ele chamava sua atenção, dizendo que a filha era doente, tinha saúde delicada e ele precisava ser mais carinhoso.

Avaliação:
Os pais de Franco, Carlos e Gisele faleceram em um acidente de carro, quando voltavam da casa de um sobrinho, Ivo. Ele estava tendo problemas no casamento, pois sua esposa era extremamente ciumenta, insegura e mimada. Tendo sido criada por pais que a superprotegiam e faziam absolutamente todas as suas vontades, ela achava que o marido deveria naturalmente substituí-los.
Gisele possuía um pouco de sensibilidade espiritual e, alguns anos depois da morte de seus pais, sonhou com eles. Neste sonho, eles a tranquilizavam, dizendo que estava tudo bem, explicando que foram embora porque realmente havia chegado o momento deles e parabenizando os irmãos por terem conseguido, juntos, prosseguir com a vida apesar das dificuldades.
Um dia, Olga, mãe de Ivo e tia dos 3 irmãos, vai à casa deles para pedir ajuda. Franco era psicólogo e Olga queria que ele aconselhasse sua nora problemática. Aos poucos, a presença destes irmãos acaba causando grandes mudanças na vida de Ivo, de sua esposa e de todos ao redor.

Encontro inesperado ofereceu um pouco menos do que eu esperava de um livro espírita. Achei o enredo um pouco “normal demais”. Gosto de histórias complicadas, com espíritos perturbados, encarnações planejadas que acabam não dando certo e consequências a princípio desastrosas, mas que acabam caminhando para um final feliz. Este livro tem, sim, elementos espirituais, mas os ensinamentos que eles proporcionam são bem básicos e não acrescentam muito para quem já conhece o assunto.
De qualquer forma, é uma leitura prazerosa, tranquila e leve. É um romance que, mesmo não tendo grandes dramas, prende o leitor porque flui bem. Para mim, foi um ótimo passatempo enquanto estava à beira da piscina, durante as férias.

Este livro foi a meta de dezembro do Projeto Variedade Literária.
O Encontro Inesperado

[resenha] Corações Feridos

20 de outubro de 2013 - domingo - 18:43h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Corações FeridosTítulo: Corações Feridos
Título original: Black Heart Blue
Autor: Louisa Reid
País: Inglaterra
Ano: 2012
Editora: Novo Conceito
Páginas: 255
Sinopse: Hephzibah e Rebecca são irmãs gêmeas, mas muito diferentes. Enquanto Hephzi é linda e voluntariosa, Reb sofre da Síndrome de Treacher Collins — que deformou enormemente seu rosto — e é mais cuidadosa.
Apesar de suas diferenças, as garotas são como quaisquer irmãs: implicam uma com a outra, mas se amam e se defendem. E também guardam um segredo terrível como só irmãos conseguem guardar. Um segredo que esconde o que acontece quando seu pai, um religioso fanático, tranca a porta de casa.
No entanto, quando a ousada Hephzibah começa a vislumbrar a possibilidade de escapar da opressão em que vive, os segredos que rondam sua família cobram-lhe um preço alto: seu trágico fim. E só Rebecca, que esteve o tempo todo ao lado da irmã, sabe a verdadeira causa de sua morte…
Hephzi sonhara escapar, mas falhara. Será que Rebecca poderia encontrar, finalmente, a liberdade?
Compre: compare preços

– Você vai nos contar o que aconteceu, então?
Não respondi. Por que eu deveria contar-lhe alguma coisa? Ele não era meu amigo.
– Olha, tudo que eu quero saber é como ela morreu.
Novamente não respondi. Era isso que ele queria. Interrogar-me sobre a minha irmã morta. O que mais eu poderia esperar? Ela não era da conta dele.

Avaliação:
O pai de Hephzibah e Rebecca é um fanático religioso, mas que, aos olhos da comunidade local, é visto como um homem de reputação inquestionável, por ser o pastor da igreja. A mãe é apenas uma sombra dele, esposa condescendente.
Até os 16 anos de idade, Hephzi e Reb foram educadas em casa. Não tinham amigos e, nas raras ocasiões em que saíam, era quando a avó materna as levava para passear. Por insistência da Hephzi, as irmãs finalmente conseguiram começar a estudar na escola local. Hephzi, por ser linda e extrovertida, logo faz amizade com seus colegas e arranja até um namorado. Já Reb, por ter a síndrome Treacher-Collins, consegue atrair apenas olhares de estranheza, o que a faz recolher-se em sua solidão, como sempre foi durante toda sua vida.
Entretanto, a permissão do pai é apenas para estudar e, mesmo assim, apenas as disciplinas escolhidas por ele. As amizades, o namoro e as saídas de Hephzi para as festas são às escondidas. Até os livros que Reb gostaria de pegar na biblioteca acabam sendo lidos por lá mesmo, para que o pai não veja.
E então, quando os planos de liberdade de Hephzi começam a tomar forma, algo dá errado.

Corações feridos já começa sem rodeios, com Rebecca falando sobre o enterro de sua irmã. No capítulo seguinte, você entende que a estrutura do livro é contar a história alternando as narradoras e o período em que elas estão: o ponto de vista de Reb é de depois da morte de Hephzi e o de Hephzi, por sua vez, é de antes da sua própria morte.
A evolução do enredo é muito boa, de forma que o leitor começa o livro realmente bastante curioso, querendo saber, afinal, como e por que Hephzibah morreu. Ao longo da história, a narrativa vai mostrando como é realmente o ambiente “familiar” dentro de casa, principalmente em relação ao pai das meninas, como elas lidam com a vida que lhes é oferecida e como lutam pela sua liberdade. Pouco a pouco, o horror da verdade vai vindo à tona.
A história dessas irmãs chega a beirar o revoltante, e só não me causou mais indignação porque não é exatamente real (acho eu…), mesmo sabendo que situações muito parecidas acontecem todos os dias, em diversos lugares do planeta. Corações feridos é um livro perfeito para deixar uma importante marca nos nossos corações e fazer-nos pensar em que raio de mundo nós vivemos, mesmo em pleno século XXI.
A você, visitante do blog, minha recomendação é que leia esta história. Choque-se, revolte-se, questione. Não deixe de pesquisar, também, como é o aspecto das crianças que nascem com a síndrome de Treacher-Collins. Existe muito mais coisas fora da redoma da nossa perfeita vidinha cor-de-rosa.
Corações Feridos

Baixe o trecho do livro: aqui

Booktrailer:

[resenha] Madame Bovary

29 de setembro de 2013 - domingo - 11:09h   ¤   Categoria(s): Desafios, Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Madame BovaryTítulo: Madame Bovary
Título original: Madame Bovary
Autor: Gustave Flaubert
País: França
Ano: 1857
Editora: L&PM
Páginas: 334
Sinopse: ‘Madame Bovary’ trata da desesperança e do desespero de uma mulher que, sonhadora, se vê presa em um casamento insípido, com um marido de personalidade fraca, em uma cidade do interior. O romance mostra o crescente declínio da vida – interna e externa – de Emma Bovary.
Compre: compare preços

Gostava do mar apenas pelas suas tempestades e da verdura só quando a encontrava espalhada entre ruínas. Tinha necessidade de tirar de tudo uma espécie de benefício pessoal e rejeitava como inútil o que quer que não contribuísse para a satisfação imediata de um desejo do seu coração – tendo um temperamento mais sentimental do que artístico e interessando-se mais por emoções do que por paisagens

Avaliação:
Eu gosto muito de ler clássicos. Acho que eles têm muito a ensinar. Sobre uma época, sobre um lugar, sobre o autor, sobre costumes e valores. Mas eu sempre reivindiquei para mim o direito de não gostar do que li. Estes livros podem ensinar muito, podem ser importantíssimos para a literatura, mas não quer dizer que a leitura sempre será agradável. Foi o caso de O Morro dos Ventos Uivantes. É o caso, agora, de Madame Bovary.
Mas não é que eu detestei o livro. O que aconteceu foi apenas que ele não me apeteceu como deveria, afinal, é uma história que se passa na França do século XIX. O motivo da minha apatia talvez seja o fato de eu ter lido O Primo Basílio há pouquíssimo tempo. Eça de Queirós foi acusado de plágio por essa obra. Verdade ou não, justo ou não, as duas obras realmente têm bastante semelhanças.
Emma Bovary, assim como Luísa, gostava muito de ler romances e se encantava com as histórias de paixões arrebatadoras que os personagens viviam. Ambas tinham uma vida enfadonha dentro de seus casamentos e ambas cometeram adultério em busca de emoções, apesar de toda a ilusão que as acompanhava. E tiveram, cada uma à sua maneira, um fim trágico.

O autor, Gustave Flaubert, foi levado a julgamento por causa deste livro, acusado por ofensa à moral e à religião. Achei interessante e, ao mesmo tempo, um pouco triste perceber como as questões moralísticas e religiosas da época simplesmente parecem tolas aos nossos olhos da atualidade. Fruto dos valores que prevalecem hoje, o adultério é tido como algo banal, e o aspecto ameaçador da religião é digno de zombaria.

O livro começa contando sobre a infância de Charles Bovary. Ele era um garoto que vivia na área rural e que mais tarde foi mandado para a escola, na cidade, para estudar. Posteriormente, formou-se médico. Com ajuda da sua mãe, casou-se com uma viúva rica, porém seca e amarga. Em uma consulta ao velho sr. Rouault, tem a chance de conhecer a filha dele, Emma. Pouco tempo depois, sua primeira esposa morre e Charles acaba por pedir Emma em casamento. Entretanto, com pouco tempo de casada, Emma já começa a se incomodar com a monotonia dos seus dias. Sendo ela uma mulher estudada, logo passa a sentir desprezo pela simplicidade – muitas vezes ingenuidade – do seu marido. O amor que ele lhe oferecia estava infinitamente longe do que ela havia sonhado para si, baseado no que havia lido nos romances de sua juventude.

Além de todo o desenrolar decorrente da inquietação de Emma, o livro também possibilita conhecer um pouco da região norte da França, nos arredores de Rouen, mostrando-nos os hábitos e pensamentos da época. As notas de rodapé, ótimas, explicam o contexto cultural e histórico, e você aprende bastante lendo-as.
Entretanto, apesar de a história ser interessante, não me senti cativada pelo texto. Não foi uma leitura que tenha enchido meu coração. Com relação aos personagens, eles têm suas características muito bem descritas, mas parecem impessoais e distantes, como se o leitor não conseguisse se aproximar deles para conhecê-los melhor. Há livros em que o autor praticamente joga o leitor dentro da história, como se fosse amigo íntimo dos personagens. Há outros em que o leitor sente que se torna o próprio personagem, entrando em sua alma e entendendo-a, tamanha é a identificação. Infelizmente, Madame Bovary não se encaixa em nenhum destes dois casos.

De qualquer forma, é um livro que valeu muito a pena ter lido, principalmente pela sua importância histórica e moral. A minha recomendação é que se leia, de preferência, com um intervalo bem grande entre ele e O Primo Basílio.

Esta resenha, errr, veja bem… faz parte da meta de agosto (!?!?) do Projeto Variedade Literária.
Madame Bovary

Inferno Ilustrado #03

8 de setembro de 2013 - domingo - 16:45h   ¤   Categoria(s): Dicas, Literatura estrangeira, Romance, Suspense / Ação

Edição nº3 do Inferno Ilustrado!
Inferno Ilustrado

Neste post, os capítulos 17 e 18.
 
Capítulo 17

Uísque single malt Highland Park 50 anos
Highland Park 50 anos

 
Capítulo 18

Viale Niccolò Machiavelli
Viale Niccolò Machiavelli Viale Niccolò MachiavelliLink para visão de rua da Viale Niccolò Machiavelli: Google Maps

Henry Wadsworth Longfellow (1807-1882) – poeta americano
Henry Wadsworth Longfellow

Fireside poets: grupo composto por Henry Wadsworth Longfellow, William Cullen Bryant, John Greenleaf Whittier, James Russell Lowell e Oliver Wendell Holmes. Na imagem abaixo, na ordem citada.
Fireside poets

Instalação de arte de Lukas Troberg, na University of Applied Arts, em Viena.
What If God Was Wrong

Dante Alighieri (c.1450), Andrea del Castagno
Dante Alighieri - Andrea del Castagno

Retrato de Dante (1495), Botticelli
Dante - Botticelli

Estátua de Dante na Piazza di Santa Croce, em Florença
Dante - Piazza di Santa CroceLink para a visão de rua da Piazza di Santa Croce: Google Maps

Parte do afresco na capela do palácio Bargello (c. 1334-1337), Giotto
afresco - Giotto

La Divina Commedia di Dante (1465), Domenico di Michelino
Dante - Michelino

O Juízo Final (1536-1541), Michelangelo
Juízo Final

Caronte (detalhe)
Caronte

Hamã (detalhe)
Hamã

Plate VIII: Canto III: The gate of Hell. “Abandon all hope ye who enter here” (1857), Gustave Doré
Gustave Doré

 
Outras edições do Inferno Ilustrado:
Edição #01 – Prólogo, capítulos 2 e 7
Edição #02 – Capítulos 10, 13, 14 e 15

Resenha do livro: aqui

Créditos para imagens e sites utilizados para composição deste post:
http://www.thedieline.com/storage/post-images/10_03_10_hp503.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1286307458721
http://static.panoramio.com/photos/large/54976261.jpg
http://www.imba.oeaw.ac.at/typo3temp/pics/W_d803a14680.jpg
http://uploads5.wikipaintings.org/images/andrea-del-castagno/dante-alighieri.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7b/Portrait_of_Dante_by_Botticelli.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/74/Dante_Alighieri_Santa_Croce.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/41/Bargello_-_Kapelle_Fresko_1.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Dante_Domenico_di_Michelino_Duomo_Florence.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a5/Michelangelo%2C_Giudizio_Universale_02.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/Gustave_Dor%C3%A9_-_Dante_Alighieri_-_Inferno_-_Plate_8_%28Canto_III_-_Abandon_all_hope_ye_who_enter_here%29.jpg

Reportar erros:
Se alguma grafia, definição, localização ou imagem estiver incorreta, por gentileza, entre em contato.

[resenha] Inferno

11 de julho de 2013 - quinta-feira - 20:56h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Romance, Suspense / Ação

InfernoTítulo: Inferno
Título original: Inferno
Autor: Dan Brown
País: EUA
Ano: 2013
Editora: Arqueiro
Páginas: 443
Sinopse: No coração da Itália, Robert Langdon, o professor de Simbologia de Harvard, é arrastado para um mundo angustiante centrado em uma das obras literárias mais duradouras e misteriosas da história – O Inferno, de Dante Alighieri. Numa corrida contra o tempo, Langdon luta contra um adversário assustador e enfrenta um enigma engenhoso que o arrasta para uma clássica paisagem de arte, passagens secretas e ciência futurística. Tendo como pano de fundo o sombrio poema de Dante, Langdon mergulha numa caçada frenética para encontrar respostas e decidir em quem confiar, antes que o mundo que conhecemos seja destruído.
Compre: compare preços

Ao mudar de posição, Langdon se viu outra vez de frente para a janela. As luzes estavam apagadas e, no vidro escuro, seu próprio reflexo havia desaparecido, substituído por um horizonte distante e iluminado.
Em meio às silhuetas de torres e domos, uma fachada em especial se destacava em seu campo de visão. A construção era uma imponente fortaleza de pedra, com ameias no parapeito e uma torre de mais de 90 metros, que ficava mais larga perto do topo projetado para fora, também com ameias munidas de balestreiros.
[...]
Conhecia bem aquela estrutura medieval.
Era única no mundo.
[...]
- Eu estou… na Itália?

Avaliação:
“Mano do céu…!”, foi o que eu disse (ou pensei), com os olhos arregalados, quando terminei de ler Inferno.

Como sempre, Dan Brown foi Dan Brown neste último livro: Robert Langdon na correria, fugindo freneticamente de perseguidores enquanto decifra quebra-cabeças com símbolos e enigmas que o ajudarão na sua busca; uma mulher de 30-e-poucos anos, inteligente e atraente como companheira de corre-corre do protagonista; cidades com muita história e cultura como cenários; aprendizado de sobra para o leitor, que não consegue se desgrudar das páginas. Entretanto, em Inferno, há um elemento novo, que foi o que justamente me fez ficar matusquelando por alguns dias após ter terminado a leitura. A “polêmica” diz respeito a cada um de nós, diretamente.
Dan Brown aborda neste livro a questão da superpopulação no nosso planeta. Através do vilão Bertrand Zobrist, ele tenta mostrar para onde nós, como raça humana, estamos nos destinando se continuarmos a caminhar da forma como estamos fazendo. Este assunto não é novo para ninguém, mas a forma como o autor constrói todo o enredo da sua história em torno do tema é bem eficaz para chamar atenção do leitor e fazê-lo refletir bastante depois da última página lida. Daí os meus olhos arregalados.
As referências a Dante Alighieri e seu Inferno são perfeitas, neste contexto, para ficar sussurrando no seu inconsciente questionamentos sobre sua moral, suas atitudes, condutas e valores. Florença, além de ser o local de nascimento de Alighieri, é também considerada o berço do Renascimento italiano. Este período culturalmente rico da História, por sua vez, dizem, só foi possível acontecer graças à Peste Negra, que dizimou 1/3 da população da Europa, no século XIV. Quando aprendemos na escola sobre esta epidemia, 3 palavras muito comumente associadas a ela são: fome, falta de higiene e – surpresa! – excesso populacional.

Avaliando Inferno como um todo, ainda acho que Anjos e Demônios continua tendo o enredo mais bem estruturado dentre os livros do Dan Brown, e Código Da Vinci ainda pode ser visto por muita gente como o mais polêmico. Mas nenhum deles me atingiu de forma tão pessoal nem me causou tanta reflexão quanto Inferno, afinal, o fato de Maria Madalena ter ou não sido esposa de Jesus não vai fazer muita diferença quando a humanidade estiver à beira do colapso.

Só digo uma coisa: leia. Vale a pena. E não use como desculpa o fato de não ter gostado de O Símbolo Perdido. Simplesmente esqueça que o penúltimo livro existiu. Vá e leia Inferno acompanhando pelos posts da série Inferno Ilustrado, onde disponibilizo de forma fácil os lugares, obras e imagens citadas ao longo do livro.
Inferno

Leia um trecho: aqui