Categoria: ‘Resenhas’

[resenha] Academia Jedi

13 de janeiro de 2016 - quarta-feira - 18:31h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Infantojuvenil, Literatura estrangeira, Resenhas

Academia JediTítulo: Academia Jedi
Título original: Jedi Academy
Autor: Jeffrey Brown
País: EUA
Edição original: 2013
Editora: Aleph
Páginas: 174
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Pense em um livro fofo. Coloque um pouco mais de fofura. Depois, uma dose de nerdice. Por fim, complemente com ensinamentos muito sábios. O resultado é Academia Jedi, um livro infantil que vai encantar todo tipo de crianças, até as “crianças grandes”, rs.

Academia Jedi conta a história de Roan Novachez, um garoto nascido em Tatooine e que acabou de terminar a escola primária. Seu sonho era ir para a Academia de Pilotos, como seu irmão mais velho. No entanto, ao tentar ingressar nessa Academia, ele é rejeitado. Mas, logo em seguida, Roan recebe uma outra carta, escrita por um tal de Mestre Yoda, convidando-o para ir estudar na Academia Jedi. Apesar de estar bastante receoso, ele acaba aceitando.

Todo feito à mão (inclusive a tipologia), o livro alterna quadrinhos mostrando o dia a dia de Roan e seus colegas, trechos de seu diário, seus boletins de notas, os jornais da Academia e cartazes de festas e torneios. Em muitos aspectos, as situações que Roan vive são bastante parecidas com as de qualquer escola.

Academia Jedi é bem divertido e engraçadinho, até mesmo para os adultos, principalmente se você for fã de Star Wars. Há também muitos ensinamentos que são importantes para as crianças do planeta Terra, como casos de bullying, por exemplo, e outras dicas baseadas na filosofia Jedi.

Se você é pai/mãe de um pequeno padawan, este livro pode vir a ser um jeito bem eficaz de incentivar seu baixinho a gostar de Star Wars. Há relatos de crianças que dormiam agarradas com ele! =) Mas se você não tem nenhum padawan a quem presentear, não tem problema! Compre para você mesmo, não importa sua idade! Você vai se derreter de amor e ao mesmo tempo gargalhar durante a leitura.
Academia Jedi Star Wars - Academia Jedi Star Wars - Academia Jedi
Curiosidade: Academia Jedi se passa 196 anos antes dos eventos do Episódio IV – Uma Nova Esperança.

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CCXP 2015

[resenha] Jurassic Park

29 de setembro de 2015 - terça-feira - 11:21h   ¤   Categoria(s): Aventura / Fantasia, Ficção Científica, Literatura estrangeira, Resenhas, Suspense / Ação

Jurassic ParkTítulo: Jurassic Park
Título original: Jurassic Park
Autor: Michael Crichton
País: EUA
Edição original: 1990
Editora: Aleph
Páginas: 525
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Existe um problema com aquela ilha. Ela é um acidente esperando para acontecer.

Quando eu soube dessa nova publicação do livro Jurassic Park, minhas reações foram: alegria, leve curiosidade, dúvida, empolgação, curiosidade desesperada e certeza. Nessa sequência. Alegria e curiosidade, eu não preciso nem explicar. Mas logo em seguida, veio a pergunta: “Será que vale a pena ler uma história sobre a qual eu sei quase de cor?” E então eu abri o livro para dar uma folheada. Não havia só texto. Havia gráficos, fluxogramas, tabelas, códigos de programação e capítulos numerados não como “Capítulo 1”, mas sim como “Primeira iteração”. Meu lado nerd gritou. Fiquei maluca. Vi que simplesmente PRECISAVA saber o que é que o filme deixou de fora.

No geral, a história principal do livro não é muito diferente do filme, exceto detalhes (por exemplo, o aspecto físico dos personagens) e um fato final totalmente oposto do que aconteceu na adaptação do Spielberg. Extração de DNA de dinossauro, um idoso excêntrico e rico, o passeio dos visitantes antes da abertura oficial, as crianças, as coisas dando errado… tudo isso tem no livro também. (E não me venha reclamar de spoiler. Se você não assistiu ao filme, o que está fazendo nesta vida?)

A grande diferença entre o filme e o livro está na atenção que é dada à Teoria do Caos e, portanto, na importância do personagem Ian Malcolm. Eu não sabia absolutamente nada sobre o assunto, nem fazia ideia do que eram fractais (heresia!), e aprendi horrores! A parte de Biologia também me encantou bastante, com explicações mais detalhadas sobre essa coisa toda de genética e DNA. Supondo que as informações contidas no livro sejam cientificamente corretas, mais crédito-conhecimento entrou pra conta do meu cérebro.

Mas o livro não é só nerdice. O texto é muito bom e envolvente, e em vários momentos de tensão (sim, aqueles que você já sabe quais são) eu realmente me desesperava durante a leitura. Tinha vezes em que acabava atropelando as palavras; em outras, simplesmente não queria avançar no texto por medo do desastre que estava para acontecer.

Os personagens principais, John Hammond, Alan Grant, Ellie Sattler, Ian Malcolm, Tim e Lex, são muito bem caracterizados. Você consegue desenvolver, por cada um deles, sentimentos intensos de admiração, desprezo, respeito, simpatia ou raiva.

Após ter lido o livro, e parando para pensar em diversas adaptações para o cinema, principalmente de obras de ficção científica, a impressão que eu tenho é de que os filmes acabam deixando de lado justamente aquilo que é o ensinamento mais essencial da história, aquilo que frita os miolos do leitor ao provocar profundas reflexões. O filme me encantou na época? É claro que sim! Eu tinha acabado de entrar na adolescência! Além disso, os efeitos visuais eram maravilhosos. Se descuidar, ainda são! E é mil vezes mais legal “ver” dinossauros em uma tela de cinema do que imaginar dinossauros durante a leitura. Mas eu acho extremamente necessário ler o livro, ainda mais se você já tem idade suficiente para precisar de coisas mais consistentes para se encantar.

No fim das contas, do alto (#sqn) da minha capacidade de análise, eu diria que o filme e o livro são coisas diferentes. Parecidas, mas diferentes. Parecidas no enredo, diferentes na sua proposta. Eu amei os dois. Um aos 12 anos de idade, o outro aos 34. =)

Quanto ao livro em si, essa edição nova ficou linda! A capa é maravilhosa, dramática, e chamativa e sombria ao mesmo tempo. As laterais vermelhas são a cereja do bolo. Dentro, o projeto gráfico é elegante, totalmente em harmonia com a história. A beleza externa exalta, mas também respeita e faz jus à importância da obra.
Jurassic Park

[resenha] O Planeta dos Macacos

26 de junho de 2015 - sexta-feira - 08:57h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Literatura estrangeira, Resenhas

O Planeta dos MacacosTítulo: O Planeta dos Macacos
Título original: La planète des singes
Autor: Pierre Boulle
País: França
Edição original: 1963
Editora: Aleph
Páginas: 209
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Apenas percebia uma diferença essencial em relação aos indivíduos da nossa espécie. Seus olhos não tinham cor: eram de um cinzento bem pouco comum em nós, mas não excepcional. A anomalia estava em sua emanação: uma espécie de vazio, uma ausência de expressão, que me evocava um pobre demente que eu conhecera em outros tempos.

Em um tempo futuro, um rico casal de viajantes está de férias, navegando por algum lugar do universo, quando de repente encontra uma garrafa perdida solta no espaço. Dentro dela, havia diversas folhas finas com uma caligrafia escrita na linguagem da Terra. Contava o relato de 3 homens, terráqueos, que realizaram, pela primeira vez na história do planeta, uma viagem à região do espaço onde se encontra a supergigante Betelgeuse. A estrela está a 300 anos-luz do Sistema Solar, e a viagem teve duração de 2 anos. O planeta escolhido para a exploração era muito parecido com a Terra em termos de volume, atmosfera, radiação recebida da estrela e presença de oceanos e continentes.

Esse é apenas o comecinho do livro O planeta dos macacos. O que vem a seguir vocês já conhecem: os 3 homens descobrem que há humanos nesse planeta, mas eles são, na verdade, selvagens e irracionais, enquanto as espécies inteligentes e dominantes são as de símios.

Devo confessar a vocês que a leitura deste livro fez me sentir uma bookworm mais completa. A história é um clássico! Com uma narrativa direta e objetiva, a leitura voa sem o leitor nem perceber, mas as reflexões provocadas ao longo do livro anulam todas as possíveis – porém errôneas – impressões de simplicidade. E o final… aah, o final dessa história…! Eu não assisti ao filme de 1968, mas, para quem assistiu, fiquem sabendo que o desfecho é diferente, além de haver um fato adicional, que eu acho que nem é citado no filme. Eu já tinha ouvido dizer que a conclusão do livro era desconcertante, mas ninguém me disse que era duplamente desconcertante!

Esta edição da Aleph traz também alguns extras bem legais: uma entrevista com Pierre Boulle, feita em 1972; um texto jornalístico sobre o autor, publicado pela BBC em 2014; e um posfácio que discute as questões levantadas pela obra. Gostei bastante desse material, pois contextualiza o livro em relação tanto à vida do autor quanto à posição e importância de O planeta dos macacos dentro do gênero da ficção científica.

Para quem, assim como eu, não assistiu à famosa adaptação para o cinema, recomendo que leiam o livro ao invés de ver o filme. Depois, olhem na página do Wikipedia as diferenças entre os dois enredos e verão que eu tinha razão, rs.

O livro em si também está muito bonito. O projeto gráfico, como sempre, é de encher os olhos. A capa consegue ser ao mesmo tempo bruta e elegante. O toque especial fica por conta da borda arredondada, supercharmosa, que dá ao livro um “ar” de caderno. Eu costumo torcer o nariz para livros sem orelha, pois geralmente as capas acabam envergando por conta disso, mas não foi o caso dessa edição de O planeta dos macacos. A foto abaixo foi tirada após o fim da leitura e é possível ver que, mesmo com o manuseio, a capa continuou retinha.
O Planeta dos Macacos

[resenha] O Código da Inteligência

29 de maio de 2015 - sexta-feira - 08:53h   ¤   Categoria(s): Autoajuda, Literatura nacional, Psicologia, Resenhas

O Código da InteligênciaTítulo: O Código da Inteligência
Autor: Augusto Cury
País: Brasil
Edição original: 2008
Editora: Sextante
Páginas: 255
Sinopse: Analisando a fundo o funcionamento de cada um desses códigos e os benefícios que nos trazem, Cury mostra como podemos assumir o controle de nossa vida, superando medos, inseguranças e limitações. O autor também alerta para as quatro armadilhas da mente (o conformismo, o coitadismo, o medo de reconhecer os erros e o medo de correr riscos), que aprisionam a criatividade, asfixiam a emoção e aumentam o estresse. Em uma abordagem inovadora, você vai descobrir como lapidar, expandir e irrigar sua inteligência socioemocional. Analisando o comportamento humano sob os pontos de vista psicológico, filosófico, psicopedagógico e sociológico, Cury aborda os hábitos dos bons profissionais e os compara com os hábitos dos profissionais excelentes – aqueles que decifram os códigos da inteligência. Ao explicar de forma simples e acessível o processo de construção dos pensamentos e de formação dos grandes pensadores, este livro vai oxigenar a mente de pais, professores, alunos, cônjuges e amigos, transformando a existência em uma fantástica aventura.
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Seria um absurdo um motorista tirar as mãos do volante e deixar o carro seguir a seu bel-prazer. Colisões aconteceriam, ferimentos imprevisíveis seriam gerados. Mas esse absurdo ocorre com nossa psique. As pessoas deixam suas emoções soltas, sem direcionamento, sem um mínimo de gerenciamento.
Elas se deixam manipular pelo humor triste, fóbico, depressivo, pessimista como se fossem marionetes, como se não tivessem nenhum poder gerencial.

Quando estávamos na escola, aprendemos matemática, português, física, história, química, etc., mas jamais tivemos, na grade de horários, uma disciplina que nos ensinasse a lidar com a frustração. Somos habituados a tomar banho todos os dias, para fazermos a higiene do nosso corpo, mas não criamos o hábito de higienizar nossa mente, de forma a limpá-la dos pensamentos tóxicos que nos povoam durante o dia. Vemos pessoas de grande sucesso profissional que, supomos, têm tudo na vida, mas, um belo dia, ficamos sabendo que se suicidaram pois sofriam de depressão.
Todas as situações acima descritas mostram a falta de cuidado e de atenção que temos com nossa saúde mental e nosso psiquismo.

Pelo que eu pesquisei, este livro é relativamente antigo, e apenas foi reeditado recentemente. No entanto, as ideias contidas nele foram bastante novas para mim. Talvez não tão novas em termos de conteúdo, mas, na verdade, de abordagem. Os livros de autoajuda sempre nos orientam a ter bom humor, pensar positivo, evitar o estresse e não sucumbir à ansiedade, mas eu nunca havia lido antes algo que comparasse todas essas orientações com coisas “comuns” que tentam nos ensinar no dia a dia, como dicas de alimentação, de exercícios físicos e aulas de colégio.
O código da inteligência afirma que nosso cuidado com a saúde não deveria se restringir apenas ao corpo. Da mesma forma que devemos evitar consumir alimentos prejudiciais, o autor nos orienta a não consumir pensamentos prejudiciais. Além disso, ele também nos mostra que o conhecimento e a inteligência não deveriam ser apenas sobre quem foi Átila ou qual a fórmula de Bháskara, e, sim, sobre quais são os seus medos, por que eles te paralisam e o que você pode (e deve) fazer com relação a isso.
Uma comparação que o autor faz, da qual eu gostei muito, é quando ele afirma que o ser humano procura estudar e desvendar desde o universo mais longínquo até a partícula atômica mais infinitesimal, mas não procura entender o universo mais importante de todos, que é a sua própria mente e seus próprios pensamentos.

Achei bastante interessante ter visto a saúde mental abordada desta forma. Infelizmente este livro não veio até mim alguns anos antes, pois eu poderia ter evitado alguns percalços de forma tão simples quanto tomar banho ou fazer uma caminhada ou evitar comer muito açúcar.
Um único ponto que me desagradou um pouco foi a estrutura do texto em si. O livro é recheado de citações do autor, mas tiradas de seus outros livros. A impressão que passa é que ele está querendo fazer propaganda, já que, muitas vezes, as citações quase não têm a ver com o texto da página na qual elas estão inseridas. Alguns excessos de metáforas também acabam por fazer com que o livro não prenda muito a atenção do leitor. Os avoados (eu!) terão um pouco de dificuldade.
Entretanto, no geral, a leitura vale muito a pena, pela importância da visão que se dá a um assunto que deveria receber mais a nossa atenção. Motivos para isso não faltam, dado o caráter quase epidêmico das doenças psíquicas nos dias atuais.
O Código da Inteligência

Leia um trecho: aqui

[resenha] Eu, Robô

8 de março de 2015 - domingo - 15:43h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Resenhas

Título: Eu, Robô
Título original: I, Robot
Autor: Isaac Asimov
País: EUA
Edição original: 1950
Editora: Aleph
Páginas: 315
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Powell ficou boquiaberto.
– Você está sendo ridículo. Já falei que nós o fizemos.
– E se não acredita em nós – acrescentou Donovan –, ficaremos felizes em desmontá-lo!
O robô fez um gesto largo com as mãos, em desaprovação.
– Não aceito nada com base em autoridades no assunto. Uma hipótese deve ser sustentada pela razão, caso contrário não tem valor… e supor que vocês me fizeram vão contra todos os preceitos da lógica.

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

As Três Leis da Robótica de Isaac Asimov são apresentadas pela primeira vez nos contos que foram compilados na coletânea Eu, robô. Esta coletânea, de dezembro de 1950, contém 9 contos do autor, publicados em revistas entre 1940 e 1950.
A linha que costura e dá coesão à sequência dos contos é o relato de uma entrevista feita com a dra. Susan Calvin, psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc. Nascida em 1982, dra. Calvin aceitou conceder essa entrevista às vésperas de sua aposentadoria, aos 75 anos. Ou seja, o “tempo atual” do livro se passa um pouco depois do ano 2057.
Ao entrevistador, a dra. Calvin relembra os casos mais interessantes sobre os robôs da U.S. Robots, que são justamente os contos da coletânea. Na lista abaixo, seguem eles na ordem em que aparecem no livro, com sua data de publicação e uma sinopse bem curta.

Robbie - set/1940 – Ainda da época em que robôs não tinham a capacidade de se comunicar pela fala, Robbie é o robô-babá da família Weston, e foi adquirido para cuidar da garotinha Gloria, que o adora de paixão. Mas a mãe de Gloria não vê com bons olhos a amizade da filha com um robô.
Andando em círculos - mar/1942 – Gregory Powell e Mike Donovan são personagens de muitos contos de Asimov. Eles são engenheiros de testes de robôs experimentais na U.S. Robots. Em 2015, a dupla é enviada a Mercúrio para testar um robô que será responsável por extrair selênio das minas existentes no planeta. Mas, por algum motivo, o robô está andando em círculos ao redor de uma das minas, ao invés de trazer selênio para a estação mineradora.
Razão - abr/1941 – Powell e Donovan estão trabalhando em uma estação espacial juntamente com o robô Cutie, que é dotado da capacidade de utilizar a razão no seu raciocínio. Em um dado momento, ele não aceita que foram os humanos que o construíram e começa a defender a existência de um “Mestre” criador.
É preciso pegar o coelho - fev/1944 – Powell e Donovan foram enviados a um asteroide para testar um robô múltiplo (um corpo principal que comanda outros corpos menores fisicamente independentes), que foi criado para realizar extração de minério neste local. Todos os testes em laboratório deram certo. Mas o robô não estava cumprindo seu dever no ambiente real. Questionado pelos engenheiros, o robô afirma que tudo está dentro da normalidade, que não há nada de errado. Mas HÁ algo errado.
Mentiroso! - mai/1941 – Na U.S. Robots, a dra. Susan Calvin é comunicada sobre a existência de um robô que lê mentes. Todas as 33 unidades deste modelo, fabricadas anteriormente, não tinham essa capacidade. A montagem de todos eles é exatamente igual. Mas o número 34 podia ler mentes. Por quê?
Um robozinho sumido - mar/1947 – Dra. Susan Calvin, que nunca havia deixado a superfície da Terra até então, teve que ser enviada à Hiperbase, pois todo o trabalho envolvendo a construção do Propulsor Hiperatômico estava paralisado. Um dos robôs utilizados nesse projeto desapareceu. Ou melhor, ele se misturou a uma carga de 62 robôs idênticos a ele que apareceu na estação espacial, aparentemente porque ele não queria ser encontrado.
Evasão! - ago/1945 – Depois de ter seu supercomputador destruído ao tentar realizar cálculos para a criação de um motor interestelar, a principal empresa concorrente da U.S. Robots a procura, desafiando-a a construir o motor utilizando os mesmos cálculos. O Cérebro, potente computador da U.S. Robots, consegue cumprir com o desafio e cria uma nave espacial capaz de fazer realizar longas viagens interestelares. Gregory Powell e Mike Donovan entram na nave para conhecê-la, pois eles serão os prováveis engenheiros de teste. Quando eles se dão conta, a própria nave já saiu da Terra sem o comando deles.
Evidência - set/1946 – Stephen Byerley é uma pessoa pública. Advogado e promotor, ele é candidato a prefeito. Francis Quinn, um político que tem interesse em impedir que Byerley seja eleito, procura a U.S. Robots com o objetivo de pedir ajuda para que consigam provar que o candidato é um robô. Bem, a empresa é a única fabricante de robôs existente, e afirma conhecer todos os robôs que construíram…
O conflito inevitável - jun/1950 – Stephen Byerley foi eleito Coordenador da Região Norte do planeta. Estão acontecendo em alguns locais da Terra problemas relacionados à economia, que não deveriam acontecer, já que todos os cálculos são feitos por robôs programados com as Leis da Robótica. Todas as alocações de recursos e decisões de aspecto econômico deveriam beneficiar ao máximo o ser humano. Ou melhor, não deveriam lhe causar nenhum tipo de mal.

A maioria dos contos trata de histórias de robôs que, por algum motivo, estavam falhando ou tendo comportamentos inesperados. Além de se tentar descobrir a causa das falhas, as Leis da Robótica também são bastante discutidas. Para a minha felicidade, várias reflexões de cunho filosófico e psicológico são provocadas. Em todas as minhas resenhas de obras de ficção científica, eu sempre digo que é isso que vale nessas histórias. O que o futuro vai fazer com nossas relações humanas? O que a tecnologia vai causar em nosso comportamento? Atualmente já vemos vários textos enchendo a internet, falando sobre o quanto estamos mais desatentos, ou fotos de pessoas em uma mesa de jantar, todas com a cara enfiada no celular. Em Eu, robô, um passo adiante é dado nessa discussão: como a própria tecnologia poderia se comportar, se adquirisse alguns aspectos do comportamento humano? Esse assunto não tem como não ser fascinante!

Um outro ponto realmente interessante que me chamou muito a atenção foi em relação às datas citadas. Logo no começo do livro, há uma introdução em que o entrevistador fornece uma breve biografia da dra. Susan Calvin. A princípio, seria normal ler que a dra. Calvin nasceu em 1982, formou-se em 2003 e terminou o doutorado em 2008. No entanto, o que é passado recente para nós ou passado bastante longínquo para o entrevistador era, na verdade, um futuro distante para o autor na época em que o texto foi escrito. Confesso que achei essas diferenças de datas tão perturbadora quanto ler sobre um robô que não acredita que foi criado por um humano.

Com relação ao filme de 2004, com o Will Smith, independentemente de você ter assistido ou não, leia o livro. Leia. Ponto final. O enredo do filme não tem semelhança com nenhum dos contos. São mostradas as Leis da Robótica, alguns personagens aparecem, mas o livro é bem mais amplo e mais provocador.
Aceite meu conselho: leia o livro. =)

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