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[resenha] Mar da Tranquilidade

12 de novembro de 2014 - quarta-feira - 16:13h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Romance

Mar da TranquilidadeTítulo: Mar da Tranquilidade
Título original: The sea of tranquility
Autor: Katja Millay
País: EUA
Ano: 2012
Editora: Arqueiro
Páginas: 367
Sinopse: Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele. A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.
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Sobreviver. É o que estou fazendo agora e não tem sido tão horrível quanto eu esperava. Muitas pessoas me olham de rabo de olho, talvez por causa das minhas roupas, e fora isso ninguém fala comigo.

Avaliação:
Quanto mais envelhecemos, menos as coisas nos impressionam. Ao longo dos anos, passamos por experiências e ganhamos conhecimento que, inevitavelmente, acabam tirando o deslumbre dos nossos olhos. Isso parece triste, mas faz parte da vida e é perfeitamente natural.

Livros com protagonistas adolescentes encaixam-se na lista de coisas que têm baixíssima probabilidade de me impressionar. A história tem que ser muito original, ou muito bem escrita, ou muito bem estruturada. Ou os personagens têm que ser extremamente cativantes. Esse é justamente o caso de Mar da tranquilidade. Confesso que, ao ler a sinopse, fiquei um pouco cética quanto à diversão que esse livro iria me proporcionar. Mas algum ponto específico da descrição do enredo – e eu nem lembro direito qual foi – me fez, quase que inconscientemente, decidir ler o livro.

A palavra que melhor descreve Mar da tranquilidade é “surpreendente”. Essa palavra é perfeita para qualificar não só a história como um todo, mas também a forma como ela evolui e se desenrola, a profundidade dos personagens principais e a própria conclusão. Nastya, Josh e Drew são apaixonantes, envolventes, viciantes. A complexidade deles torna-os reais. O texto é daquele tipo que absorve, que abduz o leitor. Quando ele percebe, já está mergulhado nas páginas há muitos minutos.

Talvez a grande tristeza desse livro é que ele acaba. Na última página, a sensação é de quase desespero por querer que a história continue. Depois da conclusão, que é capaz de enternecer até o mais duro dos corações, eu simplesmente precisava de mais Nastya, de mais Josh e de mais Drew. Durante dias eu passei pelo impulso de querer continuar a leitura, seguido imediatamente pela lembrança de que o livro já tinha chegado ao fim e pela sensação de vazio e de conformismo.

Independentemente da sua idade, eu recomendo que você apenas comece a ler o livro. Só isso. Quando menos esperar, você o estará devorando. Se começar a ler em um sábado de manhã, tenho certeza de que antes do raiar do sol de domingo o livro estará finalizado, mesmo sendo uma leitora lerda como eu.

Por ter uma temática totalmente diferente do meu gosto literário, dificilmente Mar da tranquilidade seria eleito o melhor livro que li em 2014. No entanto, se houver uma vaga para a melhor surpresa do ano, com certeza vou reservá-la para ele!

Leia um trecho: aqui

[resenha] Corações Feridos

20 de outubro de 2013 - domingo - 18:43h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Corações FeridosTítulo: Corações Feridos
Título original: Black Heart Blue
Autor: Louisa Reid
País: Inglaterra
Ano: 2012
Editora: Novo Conceito
Páginas: 255
Sinopse: Hephzibah e Rebecca são irmãs gêmeas, mas muito diferentes. Enquanto Hephzi é linda e voluntariosa, Reb sofre da Síndrome de Treacher Collins — que deformou enormemente seu rosto — e é mais cuidadosa.
Apesar de suas diferenças, as garotas são como quaisquer irmãs: implicam uma com a outra, mas se amam e se defendem. E também guardam um segredo terrível como só irmãos conseguem guardar. Um segredo que esconde o que acontece quando seu pai, um religioso fanático, tranca a porta de casa.
No entanto, quando a ousada Hephzibah começa a vislumbrar a possibilidade de escapar da opressão em que vive, os segredos que rondam sua família cobram-lhe um preço alto: seu trágico fim. E só Rebecca, que esteve o tempo todo ao lado da irmã, sabe a verdadeira causa de sua morte…
Hephzi sonhara escapar, mas falhara. Será que Rebecca poderia encontrar, finalmente, a liberdade?
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– Você vai nos contar o que aconteceu, então?
Não respondi. Por que eu deveria contar-lhe alguma coisa? Ele não era meu amigo.
– Olha, tudo que eu quero saber é como ela morreu.
Novamente não respondi. Era isso que ele queria. Interrogar-me sobre a minha irmã morta. O que mais eu poderia esperar? Ela não era da conta dele.

Avaliação:
O pai de Hephzibah e Rebecca é um fanático religioso, mas que, aos olhos da comunidade local, é visto como um homem de reputação inquestionável, por ser o pastor da igreja. A mãe é apenas uma sombra dele, esposa condescendente.
Até os 16 anos de idade, Hephzi e Reb foram educadas em casa. Não tinham amigos e, nas raras ocasiões em que saíam, era quando a avó materna as levava para passear. Por insistência da Hephzi, as irmãs finalmente conseguiram começar a estudar na escola local. Hephzi, por ser linda e extrovertida, logo faz amizade com seus colegas e arranja até um namorado. Já Reb, por ter a síndrome Treacher-Collins, consegue atrair apenas olhares de estranheza, o que a faz recolher-se em sua solidão, como sempre foi durante toda sua vida.
Entretanto, a permissão do pai é apenas para estudar e, mesmo assim, apenas as disciplinas escolhidas por ele. As amizades, o namoro e as saídas de Hephzi para as festas são às escondidas. Até os livros que Reb gostaria de pegar na biblioteca acabam sendo lidos por lá mesmo, para que o pai não veja.
E então, quando os planos de liberdade de Hephzi começam a tomar forma, algo dá errado.

Corações feridos já começa sem rodeios, com Rebecca falando sobre o enterro de sua irmã. No capítulo seguinte, você entende que a estrutura do livro é contar a história alternando as narradoras e o período em que elas estão: o ponto de vista de Reb é de depois da morte de Hephzi e o de Hephzi, por sua vez, é de antes da sua própria morte.
A evolução do enredo é muito boa, de forma que o leitor começa o livro realmente bastante curioso, querendo saber, afinal, como e por que Hephzibah morreu. Ao longo da história, a narrativa vai mostrando como é realmente o ambiente “familiar” dentro de casa, principalmente em relação ao pai das meninas, como elas lidam com a vida que lhes é oferecida e como lutam pela sua liberdade. Pouco a pouco, o horror da verdade vai vindo à tona.
A história dessas irmãs chega a beirar o revoltante, e só não me causou mais indignação porque não é exatamente real (acho eu…), mesmo sabendo que situações muito parecidas acontecem todos os dias, em diversos lugares do planeta. Corações feridos é um livro perfeito para deixar uma importante marca nos nossos corações e fazer-nos pensar em que raio de mundo nós vivemos, mesmo em pleno século XXI.
A você, visitante do blog, minha recomendação é que leia esta história. Choque-se, revolte-se, questione. Não deixe de pesquisar, também, como é o aspecto das crianças que nascem com a síndrome de Treacher-Collins. Existe muito mais coisas fora da redoma da nossa perfeita vidinha cor-de-rosa.
Corações Feridos

Baixe o trecho do livro: aqui

Booktrailer: