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[resenha] O Último Trem de Hiroshima

2 de maio de 2012 - quarta-feira - 23:16h   ¤   Categoria(s): Biografia, Literatura estrangeira, Resenhas

O Último Trem de HiroshimaTítulo: O Último Trem de Hiroshima
Título original: Last Train From Hiroshima
Autor: Charles Pellegrino
País: EUA
Ano: 2010
Editora: Leya
Páginas: 406
Sinopse: Usando uma combinação de documentos oficiais de época, depoimentos de japoneses que sobreviveram à bomba e de aviadores americanos, Charles Pellegrino reconstrói os dois dias em que armas nucleares foram detonadas no Japão e mudaram a história do mundo. Charles traz à tona os dias trágicos em Hiroshima e Nagasaki como ocorreram – para explicar por que ocorreram.
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Para os primeiros cientistas japoneses que se aventuraram nos hipocentros ainda radioativos de Hiroshima e Nagasaki – tentando entender o que ocorrera –, as mortes mais espantosas foram as mais rápidas. Em uma ponte situada no centro de Hiroshima, um homem ainda podia ser visto puxando um cavalo, embora tivesse cessado completamente de existir. Seus passos, os passos do cavalo, e os últimos passos das pessoas que estavam atravessando a ponte com ele em direção ao centro da cidade foram preservados na superfície da estrada, que ficou instantaneamente alvejada, como por obra de um novo método acidental de fotografia com flash.

Avaliação:
O livro tem como proposta contar o horror testemunhado pelos sobreviventes das bombas que atingiram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945, e em especial, por alguns chamados “duplos sobreviventes”, que estiveram em Hiroshima e depois rumaram de trem para Nagasaki, e, desafiando as leis matemáticas da probabilidade, escaparam com vida das 2 bombas.
O que mais impressiona em “O Último Trem de Hiroshima” é a riqueza dos detalhes tão tristes, tão chocantes e por vezes tão revoltantes. O autor não nos poupa de descrições que chegam a ser macabras, como o caso do homem que teve seus pés arrancados pela agressividade da bomba e estava andando desesperado sobre suas tíbias, fazendo assim um som parecido com o de um sapateado. É mais ou menos com esta ausência de pudor que as destruições, as mortes, os ferimentos e as doenças causadas pelas bombas são trazidos até nós por Charles Pellegrino.
O livro também explica de forma bastante didática, mas um pouco cansativa, cada momento dos eventos da explosão, como o clarão, as cores das luzes vistas pelas vítimas, o estrondo, a emissão de radiação, a chuva negra, os redemoinhos e espirais de fogo. Além disso, é narrada também a parte referente à equipe composta por pilotos, engenheiros e cientistas que estiveram a bordo dos aviões que lançaram as 2 bombas.
Entretanto, o livro não deixa de tentar nos passar uma mensagem de amor e paz, vinda diretamente das palavras dos sobreviventes, pessoas que sofreram no corpo e na alma o literal inferno que o ser humano é capaz de criar, mas ainda assim (ou talvez exatamente por esta razão) encontraram bondade, esperança e perdão nos seus corações.
Será que é preciso cada um de nós chegarmos a este nível de sofrimento para conseguirmos entender a importância de se doar amor?

Com relação ao livro em si, achei muito interessantes as ilustrações contidas nele, com alguns mapas e desenhos. Na imagem abaixo, Hiroshima antes e depois da queda da bomba.
Um ponto que me incomodou um pouco foi a presença de diversos pequenos erros de desatenção, como nomes errados (p.ex. o sobrenome Ito escrito correto e também errado como “Ita” na mesma página) e até a troca das cidades, estando escrito Nagasaki quando na verdade estava-se falando de Hiroshima.

De qualquer forma, é um belo livro que me ensinou muito e me mostrou que não sabemos quase nada sobre esse triste capítulo da nossa História.
O Último Trem de HiroshimaOutras capas:
Como a maioria das capas era parecida com a brasileira, optei por mostrar somente as 2 diferentes (nem tanto) que encontrei.
O Último Trem de Hiroshima O Último Trem de Hiroshima

Este livro deveria ter sido lido como meta do mês de Abril do Desafio Realmente Desafiante. Por motivos pessoais, não consegui cumpri-la a tempo.