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[resenha] Veleiros ao Mar

28 de fevereiro de 2013 - quinta-feira - 18:44h   ¤   Categoria(s): Desafios, Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Veleiros ao MarTítulo: Veleiros ao Mar
Título original: Sea Fever
Autor: Sarah Mason
País: Inglaterra
Ano: 2007
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 755
Sinopse: A bela e talentosa Erica Pencarrow, mais conhecida como Inky, tem um sonho – competir pela Grã-Bretanha na America’s Cup, o maior desafio de barcos à vela do mundo, que apenas os melhores (e mais ricos) velejadores têm chance de ganhar (e que a Grã-Bretanha jamais ganhou). Mas, antes de realizar seu maior desejo, Inky terá que usar sua determinação e suas habilidades para enfrentar inimigos. Eles, aliás, são muitos. O impiedoso Henry Luter, por exemplo. Principal patrocinador da competição, ele acredita que velejar não é para mulheres. E, para piorar, Inky ainda por cima se apaixona por um rival. Enquanto isso, o problemático velejador Fabian Beaufort está mais preocupado com suas batalhas pessoais. Seus dias de glória no esporte foram arruinados pelo péssimo estilo de vida. Tudo o que sobrou foi a lembrança de uma grande tragédia. E uma filha não planejada. Rafe Louvel é outro com tempestades a atravessar. Rico, talentoso e excêntrico, vê sua paixão por iates ir por água abaixo quando escolhe entregar seu coração à mulher errada, Ava, a mimada filha de seu patrocinador.
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Repetidas vezes, os barcos navegaram na direção de um e outro, lutando por supremacia até a água virar uma massa borbulhante e fervente. Repetidas vezes, a melhor capacidade de manobra do barco espanhol forçou Mack para fora, aparentemente apertando-o pelo pescoço – no entanto, todas as vezes, ele conseguiu se livrar. Na sua última virada por davante, Mack voltou em espiral na direção do Guerrero e os dois avançaram, cerca de poucos centímetros um do outro.

Avaliação:
Se eu tivesse que resumir rapidamente Veleiros ao Mar, eu diria que é um livro realmente delicioso, com uma história divertida, envolvente e dinâmica sobre amizade, amor, companheirismo, espírito de equipe e garra. Seu pano de fundo é o ambiente das competições de barcos a vela, sobre o qual eu adquiri um pouco de conhecimento que nunca imaginei que pudesse ter.
O livro tem tantos aspectos dos quais eu gostaria de falar, que o resumo acima foi necessário antes que eu pudesse sair vomitando o texto do nada e desorganizadamente.

Veleiros ao Mar é classificado como chick lit. Sei que não sou parâmetro, por causa da pouca familiaridade com o gênero, mas não achei que estive lendo um livro que trazia uma história típica “de mulherzinha”. Apesar de Inky Pencarrow ser teoricamente a protagonista, muitos outros personagens dividem as cenas com ela de forma totalmente igualitária. Isso se torna ainda mais evidente pelo fato de os 30% iniciais do livro serem compostos de capítulos exclusivamente dedicados a contar um pouco do passado recente de alguns personagens mais importantes. Além disso, os relacionamentos entre eles mostram dramas referentes a questões familiares, inimizades, ressentimentos, competitividade, lealdade, dedicação, superação, tudo isso focando tanto os personagens femininos quanto masculinos.

Com relação ao cenário das competições de barcos a vela, no começo, fiquei com um pouco de receio de não conseguir aproveitar bem o livro por causa das linguagens técnicas. As primeiras páginas assustam! Mas ao longo da leitura, você percebe que não é tããão necessário assim saber o que é exatamente “cambar” ou “dar um jibe” (você acaba entendendo que são algum tipo de manobra do barco e isso basta) e que as cenas de competição, apesar de empolgantes, não são a parte mais importante da trama.
De qualquer forma, se tem uma coisa que eu realmente gosto de perceber depois de ter lido um livro é o quanto eu adquiri conhecimento através dele sem ter tido a intenção. Geralmente, isso é mérito de romances ou ficções não-fantasiosas. A gente decide ler o livro pela boa história que ele parece trazer e acabamos aprendendo sobre algo que definitivamente não faz parte das nossas vidas. Pode ser sobre ciganos, Giordano Bruno ou Direito, mas independentemente do assunto, o aprendizado não ocorre através de livros técnicos ou de interesse geral. Ele está lá, entremeando um incrível enredo, disfarçado de “contexto” e te proporcionará conhecimento enquanto você, ingenuamente, acha que está apenas se divertindo.

A leitura em si é fantástica. Por mais que a quantidade de personagens seja grande, cada um é muito diferente do outro, com uma personalidade única. A maioria das cenas são de convivência entre eles, que abordam emoções humanas, mas são alternadas por momentos de ação e tensão durante as competições. Sabendo que eu sou realmente lerda para ler, eu me surpreendia quando avançava 40 páginas sem nem perceber. Ou então, ia ler só mais um pouquinho, enquanto escrevia alguma besteira no Twitter, e perdia a noção do que estava fazendo, porque as páginas do livro simplesmente haviam me sequestrado.

Por causa de Veleiros ao Mar, eu provavelmente vou tentar assistir alguma coisa da edição da America’s Cup que acontece em setembro deste ano.
Veleiros ao Mar
Esta resenha faz parte da meta de fevereiro do Projeto Variedade Literária. Se você leu algum livro do gênero correspondente ao mês, deixe o nome do livro nos comentários. Se fez resenha, coloque o link para eu poder ler. =)

[resenha] O Substituto

8 de outubro de 2012 - segunda-feira - 18:14h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Terror / Sobrenatural

O SubstitutoTítulo: O Substituto
Título original: The Replacement
Autor: Brenna Yovanoff
País: EUA
Ano: 2010
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 333
Sinopse: Mackie Doyle não é normal. Ele vive na pequena cidade de Gentry, mas vem de um mundo de túneis e águas escuras e lamacentas. Ele é um substituto – deixado no berço de um bebê humano há dezesseis anos. Agora, em virtude de uma alergia fatal a ferro, sangue e solo consagrado, Mackie está morrendo aos poucos no mundo dos homens. Essa iminente morte faz com que ele saia de seu casulo e vá em busca de respostas. Nessa cidade onde crianças são trocadas quando pequenas por seres do submundo, substitutos são seres conhecidos, embora não assumidos. Muitas famílias já passaram por isso, mas não conseguem entender o motivo. E, para não confrontarem a realidade, aceitam sem reclamar. O impressionante é que a troca é facilmente notada, mas, talvez por resignação, a passividade da cidade é tão grande que ninguém faz nada para mudar.
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O solo sagrado não era uma coisa como o aço inoxidável ou o ferro do sangue. Era uma coisa com a qual eu simplesmente não conseguia lidar. Se eu botasse os pés meio metro dentro do pátio da igreja, minha pele se enchia de bolhas, como a de uma pessoa normal que sofreu uma terrível queimadura de sol.

Avaliação:
A capa é absurdamente linda. Talvez esteja nos Top 3 dos livros mais bonitos que eu tenho. Mas infelizmente, esta capa criou uma expectativa que, além de ter sido muito acima do que me foi efetivamente entregue, ela também sugeriu um enredo totalmente diferente do que eu li. Eu achava que o livro fosse sobre diversas crianças trocadas que começam a espalhar um terror silencioso pela cidade, como uma névoa venenosa que penetra sorrateira em todos os espaços. Mas não, o livro não é sobre isso.

A história tem como protagonista um adolescente, Mackie, que tem alergia a sangue, ferro e solo consagrado (por exemplo, igrejas ou certas áreas de cemitérios). Tudo que ele deseja é ser um garoto normal e conviver tranquilamente com pessoas da sua idade. Entretanto, Mackie é um substituto. O filho verdadeiro do casal foi levado do berço quando ainda era um bebê e ele foi deixado no seu lugar. Seus pais sabem do fato, mas não tocam no assunto, lidando da maneira que podem. Sua irmã mais velha tem plena consciência da troca e, apesar disso, o ama incondicionalmente. A cidade inteira sabe que bebês são trocados e convivem com isso de maneira resignada.
As coisas começam a mudar com a morte da irmãzinha mais nova de Tate, uma das colegas de escola de Mackie. Mas a garota sabe que quem morreu não foi exatamente sua irmãzinha, e sim alguém por quem ela foi trocada. A criança estava estranha, diferente nos últimos meses. Tate sabia que era outra pessoa. Por este motivo, vai procurar por Mackie. O garoto, por sua vez, percebe que suas alergias o estão enfraquecendo. A partir disto, a história se torna um mergulho no submundo de onde Mackie veio.

“O Substituto” tem um quê de Tim Burton, cheio de criaturinhas estranhas, bizarras, que habitam um local igualmente estranho, mas que faz parte da mesma dimensão que a nossa. Estes seres e seu habitat, assim como as características do protagonista e as substituições em si formam um bom conjunto conceitual, dando uma boa estrutura à história. Entretanto, o enredo em si não me emocionou nem me envolveu. Não achei que a leitura me prendeu. Em muitos momentos, minha opinião era “Nossa, que estranho! Eu hein, que bizarro…”, enquanto torcia um pouco o nariz.

Tenho quase certeza que O Substituto não teria me atraído tanto se não fosse a linda capa. Em uma conversa com uma amiga, eu cheguei a comparar a minha frustração com a sensação nula que tive ao ter lido O Hipnotista.

Se você já comprou O Substituto e ainda não leu, leia para me contestar e me contar o que foi que eu perdi da história. Se você quer comprar o livro porque acha que se trata de uma história aterrorizante, esqueça.

E depois de publicar essa minha resenha, eu vou procurar ler outras resenhas para entender o que as pessoas por aí enxergaram.
O Substituto

[resenha] A Resposta

17 de julho de 2012 - terça-feira - 18:40h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

A RespostaTítulo: A Resposta
Título original: The Help
Autor: Kathryn Stockett
País: EUA
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 567
Sinopse: ‘A Resposta’ traz uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA. Eugenia ‘Skeeter’ Phelan, jovem que acabou de se graduar e quer virar escritora, encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, ‘Skeeter’ encontra um tema em duas mulheres negras – Aibileen, empregada que já ajudou a criar 17 crianças brancas, mas chora a perda do próprio filho, e Minny, cozinheira de mão cheia que não arruma emprego porque não leva desaforo dos patrões para casa.
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- E todas essas casas que estão sendo construídas sem dependências de empregada? É simplesmente um perigo. Todo mundo sabe que elas transmitem doenças diferentes das nossas. [...]
- Seria bom que ela [a empregada, Aibileen] não precisasse usar o banheiro da casa.
[...]
- Foi exatamente por isso que criei o Projeto de Higiene para Empregadas Domésticas. Uma medida para prevenir doenças. [...] Um projeto de lei que prevê que toda casa branca tenha um banheiro separado para empregadas de cor.

Avaliação:
Pense em um livro perfeito, em todos os aspectos. Pense em uma história perfeita que faz você ter vontade de dizer tanta coisa sobre ela que fica perdida por não saber como organizar suas ideias.
Eu vou começar pela parte “tangível”, que é mais fácil. Definitivamente, eu sou uma pessoa que torce o nariz para “capas-de-filme” em livros, quando estes são adaptados para o cinema. Entretanto, achei a capa de “A Resposta” absolutamente linda como sendo a de “Histórias Cruzadas”. Talvez sejam as cores, talvez sejam os elogios ao filme na época da premiação do Oscar, talvez seja a simpatia que tenho pela atriz Emma Stone. Posso não saber exatamente o que é, mas é um livro extremamente atraente à primeira vista, mesmo que a pessoa não saiba da existência de “Histórias Cruzadas”. Gostei muito também da textura meio emborrachada / aveludada, contrastando com o já costumeiro verniz. Foi um pouco desconfortável nos momentos em que eu estava com a mão suando, mas nada que tire o mérito da beleza da capa como um todo.

A Resposta
A história em si é linda, emocionante e ao mesmo tempo revoltante. Skeeter é uma jovem branca, solteira, que, ao contrário de suas amigas, não largou a faculdade para se casar. Aibileen e Minny são empregadas, negras, que toda a vida trabalharam em casas de patroas brancas. Estas 3 mulheres são as personagens principais da história que se passa em 1962, na cidade de Jackson, Mississipi, EUA. Era uma época em que negros eram obrigados a frequentar escolas, hospitais, mercados, banheiros etc separados dos brancos. Havia bairros negros e bairros brancos. Havia leis que não permitiam casamentos entre negros e brancos. Era nesta época que Martin Luther King estava prestes a discursar o seu famoso “I Have A Dream”. Skeeter, querendo se tornar escritora, resolveu colocar em um livro todo o incômodo que sentia acerca da segregação racial. Desejando escrever depoimentos com os pontos de vista das empregadas negras de Jackson, tomou coragem para pedir ajuda a Aibileen e Minny, mesmo sabendo das terríveis consequências que seus atos poderiam ter para todas as envolvidas.

O texto flui como uma boa história costuma fluir, e te abraça de uma maneira acolhedora a cada vez que você abre o livro para ler mais um pouco. De repente, você se pega pensando enquanto lava a louça da janta: “O que vai acontecer com a Aibileen? Será que vão descobrir?”. Os capítulos são escritos em 1ª pessoa, mas agrupados e alternando entre cada uma das 3 personagens principais, o que possibilita entrar a fundo na alma destas mulheres. Você acaba desenvolvendo um amor por elas que chega a desejar que elas realmente existissem, que você as conhecesse, que fossem suas melhores amigas. Você torce por elas, se envolve, chora, fica gelada de nervosismo e ansiedade nos momentos mais tensos do livro.

A Resposta
Quanto ao tema da segregação racial, as próprias histórias e diálogos cheios de preconceito dentro do enredo são suficientes para gerar uma indignação sem tamanho. O trecho que transcrevi no começo é só uma pequena amostra do que é exposto no livro. O mundo, os conceitos e a forma de pensar mudaram razoavelmente desde a década de 1960 até hoje, mas confesso que não tenho conhecimento o bastante para gerar ou entrar em uma discussão com propriedade.

O que eu posso dizer é que entendo, agora, uma das frases da contracapa, em que uma escritora diz ter se tornado espontaneamente uma divulgadora de “A Resposta”. Não deixem de ler. Envolvam-se, emocionem-se, chorem e passem pelos momentos de revolta. Deixem este livro abraçá-los.

Quanto ao filme, eu ainda não o assisti e pretendo fazer isto depois de escrever esta resenha, para não ser influenciada. Mas confesso que desde que comecei a ler o livro, eu fiquei me coçando de vontade de assistir de uma vez por todas.

“A Resposta” também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta de julho é ler um livro com mais de 500 páginas.

Outras capas:
A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta

Filme:
Trailer do filme “Histórias Cruzadas”:

[resenha] Ramsés – Sob a Acácia do Ocidente

30 de maio de 2012 - quarta-feira - 21:37h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Ramsés - Sob a Acácia do OcidenteTítulo: Ramsés – Sob a Acácia do Ocidente
Título original: Ramsès – Sous l’Acacia d’Occident
Autor: Christian Jacq
País: França
Ano: 1997
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 364
Sinopse: Neste quinto e último volume – Sob a Acácia do Ocidente – Ramsés, aos cinquenta anos de idade, tendo conduzido o Egito a uma deslumbrante prosperidade, aspira à serenidade da idade avançada. Porém, mais uma vez terá de ceder ao capricho hitita: ao perder Nefertari e Iset a Bela, será obrigado a desposar a princesa hitita para conservar a tão sonhada paz. Serão ainda muitos os inimigos que o ameaçarão, e Ramsés terá que realizar milagres para modificar o clima e atrair as potências divinas. Mas o tempo – o maior adversário dos homens – será implacável: um a um, levará seus amigos de sempre. Sentindo-se cada vez mais velho e solitário, Ramsés irá sentar-se à sombra da acácia do Ocidente para a sua última viagem.
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– Lembra-se de quando falávamos do verdadeiro poder? Segundo a sua opinião, apenas o Faraó estava em condições de o exercer, e tinha razão, desde que respeitasse a regra de Maât, lutando constantemente contra as trevas. Se esse poder se enfraquece, a solidariedade entre o céu e a terra desaparece, e a humanidade fica entregue à violência e à injustiça. [...] Graças a Sethi, graças a Nefertari, graças aos familiares e aos fiéis que trabalharam para a grandeza e o fulgor da nossa civilização, tentei tornar este país feliz e agir com retidão. Agora, que os deuses me julguem.
– Não, Majestade, não parta!

Avaliação:
A leitura e a resenha deste livro fazem parte da meta de maio do Desafio Realmente Desafiante, que é ler um livro que seja o último de alguma série.
Ramsés, do autor Christian Jacq, possui 5 volumes. Eu resenhei apenas o primeiro e agora este quinto e último, pois imagino que seja um pouco complicado resenhar séries, principalmente no cuidado com os spoilers.
Ramsés é uma obra grandiosa, com enredo grandioso, para um personagem grandioso da nossa história. O romance não é exatamente fiel à verdadeira biografia do faraó, mas mistura ficção com fatos reais, compondo uma narrativa épica.

Este último volume é um pouco triste em relação aos anteriores, pois trata da fase final da vida de Ramsés, que viveu até os 89 anos e, por causa da longevidade, foi perdendo pouco a pouco as pessoas queridas ao seu redor. Entretanto, como nos outros volumes, “Sob a Acácia do Ocidente” também mostra como o faraó continuou lutando (e obtendo êxito) até o fim contra inimigos que nunca deixavam de tentar derrubá-lo do poder.

O que me impressionou durante a série inteira foi a densidade e consistência da história, contendo elementos como amor profundo, paixões arrebatadoras, amizade verdadeira, lealdade, retidão de caráter, mas também intrigas, ódio, vingança, falsidade, corrupção e ambição desmedida. Além disso, como já havia comentado na resenha do Volume 1, os detalhes de época mostrados nos livros também chamam muito a atenção, como vestuário, maquiagem, adornos, alimentação, medicina, engenharia, práticas religiosas, economia, militarismo, clima, fauna e flora.

Para quem eu recomendaria a leitura da série Ramsés? Pra quem gosta de bom romance, seja ele histórico ou não, pra quem é fascinado pelo Antigo Egito, ou pra quem deseja ler uma série de peso. Vale muito a pena!
Ramsés - Sob a Acácia do Ocidente

[resenha] Ramsés – O Filho da Luz

3 de fevereiro de 2012 - sexta-feira - 18:45h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Ramsés - O Filho da LuzTítulo: Ramsés – O Filho da Luz
Título original: Ramsès – Le fils de la lumière
Autor: Christian Jacq
País: França
Ano: 1995
Editora: Bertrand Brasil
Tradutor: Maria D. Alexandre
Páginas: 389
Sinopse: Ao recriar a grandiosidade e o mistério dos tempos antigos, Christian Jacq retrata o magnífico faraó Ramsés, cujo reinado se encontra talhado em esculturas colossais. Pertencente à XIX dinastia do Egito Antigo, Ramsés soube cultivar a sabedoria, a justiça, a beleza e a prosperidade. Abençoada por Sethi e amado pelo povo, ele reinou por mais de 60 anos às margens do Nilo, a terra do misticismo e do encantamento. Neste primeiro volume da série – O Filho da Luz -, Ramsés é um jovem adolescente que anseia secretamente substituir o pai no trono do Egito.
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Sethi tirou um punhal da sua bainha de couro e, com gesto rápido e preciso, cortou o caracol da infância.
- Meu pai…
- A sua infância está morta; a vida começa amanhã, Ramsés.
- Não venci o touro.
- Mas venceu o medo, o primeiro dos inimigos no caminho da sabedoria.
- Há muitos outros?
- Mais, muito mais do que os grãos de areia do deserto.
A pergunta queimava os lábios do rapaz.
- Então devo entender… que o senhor me escolheu como seu sucessor?
- Você acha que somente a coragem basta para governar os homens?

Avaliação:
Ramsés II foi o 3º faraó da XIX dinastia do Antigo Egito. Viveu entre 1.303 a.C. e 1.213 a.C., reinando a partir dos 23 anos de idade após a morte de seu pai, Seti I (ou Sethi, conforme a grafia do livro).
Esta obra de Christian Jacq possui 5 volumes que retratam a vida de Ramsés II, unindo ficção com dados biográficos e retratando com detalhes os costumes locais da época, como vestuário, alimentação, sociedade, economia, religião e ciência.

Este 1º volume abrange o fim da infância, a adolescência e o começo da vida adulta do futuro faraó que, segundo esta história, foi escolhido pelo pai como seu sucessor e com ele tenta aprender todos os segredos para ser um bom governante.
Entretanto, Ramsés não é o primogênito de Sethi. O astuto e manipulador Chenar, seu irmão mais velho, pensava ser o herdeiro natural do trono egípcio. A decisão do pai de transformar o filho mais novo em regente do reino coloca Chenar numa constante busca de alianças, manobras, chantagens e difamações, para conseguir impedir Ramsés de tornar-se faraó quando da morte de Sethi.

O que mais me chamou atenção neste livro – e que provavelmente permanecerá nos volumes seguintes – é a sua grandiosidade. Trata-se de uma personalidade grandiosa, que esteve à frente de uma civilização grandiosa, e que teve sua história transformada em romance por um renomado egiptólogo. A imponência do Antigo Egito é perceptível ao longo da leitura, quando retrata, por exemplo, as grandes obras, o respeito e temor aos deuses e as importantes decisões políticas, econômicas e diplomáticas.

Um ponto que notei ao longo do livro é que as cenas transcorrem de modo relativamente sucinto, num caráter predominantemente descritivo, principalmente em relação aos sentimentos dos personagens. É como se o leitor fosse mantido à distância, não podendo se envolver emocionalmente com a história. Entretanto, não digo que isto seria um aspecto ruim, pois senti que acabou por frisar a mensagem de que estamos falando da grande e importantíssima civilização do Antigo Egito, além de evitar qualquer cansaço na leitura.

É um livro que eu recomendaria para os apaixonados por História, que desejam ler um bom romance!
E se você procura por mitologia egípcia em específico, eu sugiro ler “Mitologia ao Alcance de Todos – Os Deuses do Egito Antigo”.

Este livro faz parte do planejamento para a meta de Maio do Desafio Realmente Desafiante.
Ramsés - O Filho da Luz

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