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[resenha] As Aventuras de Tom Sawyer

28 de setembro de 2012 - sexta-feira - 09:36h   ¤   Categoria(s): Desafios, Infantojuvenil, Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

As Aventuras de Tom SawyerTítulo: As Aventuras de Tom Sawyer
Título original: The Adventures Of Tom Sawyer
Autor: Mark Twain
País: EUA
Ano: 1876
Editora: L&PM
Páginas: 283
Sinopse: As Aventuras de Tom Sawyer é um dos grandes clássicos da literatura americana. Tom Sawyer, o imortal personagem de Mark Twain, um menino astuto, mostra-se tão à vontade no mundo respeitável de sua tia Polly quanto no mundo aventureiro e desprotegido de seu amigo Huck Finn. Os dois vivem uma série de aventuras, acidentalmente presenciando um assassinato e provando a inocência do homem injustamente acusado, assim como sendo caçados por Injun Joe, o verdadeiro assassino, e finalmente escapando e encontrando o tesouro que Joe havia enterrado.
Embora originalmente escrito como história de aventura para jovens, este livro é muito mais do que isto, é um mergulho na vida do interior dos Estados Unidos, especialmente na região do “imenso Mississipi”, na metade do século XIX.
Através das trepidantes aventuras de Tom e Huck, Mark Twain coloca em evidência sua grande habilidade de escritor, seu senso de justiça e sua posição antiescravagista.
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– Tom! Onde está você? To-o-om!…
Justamente nesse momento, ela escutou um barulhinho muito leve às suas costas e virou-se bem a tempo de agarrar um meninozinho pelos fundilhos frouxos das calças. O garoto esperneou, mas não conseguiu fugir.
– Ah, peguei! Devia ter me lembrado daquele armário. O que é que você estava fazendo socado lá dentro?
– Nada, titia!
– Ah, nada, é? Olhe o estado das suas mãos! Veja só como sua boca está melada! Que meleca toda é essa?
– Eu não sei, titia!
– Ah, o pobrezinho não sabe!… Pois eu sei muito bem o que é. É geleia, sem a menor dúvida. E olhe que eu já lhe disse milhares de vezes que, se não parasse de mexer nos potes de geleia, eu ia arrancar sua pele!

Avaliação:
Tom Sawyer é um garoto que mora com sua tia Polly, seu irmão mais novo Sid e sua prima Mary. A época é a primeira metade do século XIX e o local é algum condado no Estado de Missouri, nos EUA.

Eu havia decidido ler este livro por causa da importância desta obra na literatura, não só americana, mas também mundial. Mas eu não imaginava que eu pudesse me divertir tanto com a leitura. “As Aventuras de Tom Sawyer” é leve, leve como a inocência de uma criança, que é justamente o personagem principal da história.

Tom é o típico menino atentado. Não consegue parar quieto um minuto, vive aprontando e levando bronca da sua tia Polly, chega atrasado às aulas por perder o foco em alguma brincadeira a caminho da escola, vive sujo da cabeça aos pés por causa das travessuras. Mas é um garoto com um coração puro, ingênuo e bondoso. Nada do que ele apronta e nem seus pensamentos são feitos de maldade.

Uma das coisas constantes na história, e muito bonitinha, é a noção de mundo e de tempo que Tom tem. Uma simples bronca a mais da tia Polly, um pequeno desentendimento com a namoradinha e uma chateação na escola podem ser motivos suficientes para que o menino se sinta terrivelmente miserável em sua vida, fazendo-o decidir que deveria fugir de casa e se tornar pirata. Sim… pirata!!
Ser criança, aliás, é a grande delícia de se ler este livro! O próprio autor recomenda que, apesar de ter sido escrito para o público infantil, nada impede de adultos o lerem, para que relembrem como se sentiam e o que pensavam quando eram crianças.

Um ponto interessante de esclarecimento é que o personagem Huckleberry Finn é um dos amigos de Tom Sawyer neste livro, mas em 1885, é lançado o livro “As Aventuras de Huckleberry Finn”, considerado a obra-prima do autor. Pra quem gosta de ler em ordem, “Aventuras de Tom Sawyer” vem primeiro.

Não deixem de ler este livro! Não apenas por ser um grande clássico, mas também porque realmente é uma história bonita, simples, divertida e que toca o coração do leitor, principalmente daquele que já se esqueceu onde ficaram as suas lembranças mais puras.

“Aventuras de Tom Sawyer” também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta de setembro era ler um livro de um autor que já é falecido.
As Aventuras de Tom Sawyer

Filme:
Passeando pelo youtube, é possível achar diversas adaptações para a obra. O filme abaixo é a versão de 1938.

[resenha] Orgulho e Preconceito

19 de junho de 2012 - terça-feira - 21:01h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Orgulho e PreconceitoTítulo: Orgulho e Preconceito
Título original: Pride And Prejudice
Autor: Jane Austen
País: Inglaterra
Ano: 1813
Editora: L&PM
Páginas: 392
Sinopse: Orgulho e Preconceito apresenta o romance de Elizabeth Bennet, segunda mais velha dentre cinco filhas solteiras de uma família inglesa sem muitas posses, e Fitzwillam Darcy, um rico esnobe que a conhece em um baile e, diferente dos mocinhos clássicos, não fica imediatamente encantado por ela. A busca das jovens mulheres por um bom casamento na sociedade inglesa rural do século XIX é o mote do romance e também o principal alvo da crítica da escritora.
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É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.
Por menos conhecidos que possam ser os sentimentos ou pontos de vista de tal homem em seus primeiros contatos com um novo ambiente, essa verdade está tão enraizada nas mentes das famílias vizinhas que o recém-chegado é considerado propriedade de direito das moças do lugar.

Avaliação:
“Como escrever uma resenha de um clássico da literatura sem derramar clichês no texto, principalmente quando a sua opinião com relação ao livro é a mesma da maioria que o leu?” Pois é, isso foi o que me passou pela cabeça antes de começar a resenhar simplesmente o segundo livro mais amado pelos leitores do Reino Unido, conforme uma enquete feita pela BBC de Londres em 2003.

Os dois pontos que mais me chamaram atenção em Orgulho e Preconceito tratam-se de características que eu poderia classificar como opostas, mas que ocorrem de forma simultânea. As críticas à sociedade inglesa rural do século XIX podem ser perfeitamente aplicadas aos dias atuais, por exemplo, no Brasil em que vivemos hoje. O casamento por interesse, a futilidade das pessoas, a preocupação em exibir aquilo que não se é e o julgamento baseado em aparências são atitudes que ainda existem, 199 anos depois da publicação do livro. Em contraponto, a caracterização da época, com diversos valores e costumes que já não existem mais na sociedade ocidental, é encantadora ao pintar o retrato fiel do período. Exemplos disso são a forma de tratamento entre marido e mulher, o tempo entre 2 pessoas se conhecerem e o pedido de casamento, a questão do direito à herança no caso de filhas mulheres, a diferença entre a vida rural e a vida na cidade, as casas, os veículos etc.

Como eixo principal do enredo, temos os relacionamentos amorosos entre personagens de variadas personalidades: o cavalheiro sempre gentil e bem-humorado, seu amigo que à primeira impressão é tido como arrogante, os homens que mentem descaradamente para conquistar donzelas ingênuas, a moça doce e sempre sorridente, a sua irmã geniosa, sagaz e irônica, a adolescente frívola e inquieta.
Colocando como pano de fundo as características citadas anteriormente, temos, então, o romance que continua não só atraindo leitores como também vem sendo adaptado na TV e no cinema até a atualidade.

Deixando de lado toda a importância da obra no contexto da literatura mundial, Orgulho e Preconceito também tem sabor de uma boa novela, pelos relacionamentos, intrigas, humor e cotidiano contidos nele. Mas seja por puro entretenimento ou pela elegância de se ler um clássico, eu me pergunto o que seria a minha infinitamente humilde recomendação diante de 199 anos de sucesso deste livro…

Orgulho e Preconceito também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta do mês de junho é ler um livro que virou filme. Apesar de eu estar lendo por causa da adaptação de 2005, uma amiga minha me recomendou fortemente a série da BBC, de 1995, que está no vídeo no fim do post.
Orgulho e Preconceito

Leia um trecho: (fonte: Livraria Cultura)

Minissérie em 6 capítulos:
Pride And Prejudice (1995) – trailer

[resenha] Frankenstein

25 de fevereiro de 2012 - sábado - 15:28h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Terror / Sobrenatural

FrankensteinTítulo: Frankenstein
Título original: Frankenstein
Autor: Mary Shelley
País: Inglaterra
Ano: 1818
Editora: L&PM
Tradutor: Miécio Araújo Jorge Honkins
Páginas: 173
Sinopse: Victor Frankenstein, cientista de Genebra, é recolhido do gelo pela tripulação de um navio a caminho do polo Norte. Atormentado, conta sua história ao capitão do navio – algum tempo antes, ele conseguira dar vida a uma criatura sobre-humana. Esta, porém, logo espalha o terror à sua volta.
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Esses pensamentos me animavam e levavam-me a aplicar com maior ardor a adquirir a arte da linguagem. Meus órgãos vocais eram na verdade grosseiros porém macios e, embora minha voz fosse muito diferente da suave musicalidade dos tons emitidos por eles, eu pronunciava certas palavras, tais como as ouvia, com relativa facilidade.

Avaliação:
Um dos maiores e mais importantes clássicos da literatura mundial. Uma história que atravessou o tempo, foi recontada dezenas de vezes, de diversas formas, e serviu de inspiração para outras novas histórias. Um personagem conhecido por toda a humanidade. Isso é “Frankenstein”, de Mary Shelley.

A história começa com as cartas do Capitão Wolton escritas à irmã, narrando sua expedição no Polo Norte. Em certo momento, resgata em seu navio um homem aparentemente perdido no gelo, cujo nome é Victor Frankenstein.
A partir daí, este homem começa a contar ao capitão toda a sua história.

Victor relata sua infância e adolescência com a família, e seu posterior ingresso à universidade, onde estuda Ciências Naturais e acaba descobrindo o segredo da geração da vida. De forma ambiciosa e angustiante, passa a se dedicar sem descanso na criação de um ser humano, porém de dimensões gigantescas e feições assustadoras. Entretanto, quando finalmente consegue dar vida à criatura, Victor foge, horrorizado com sua obra e a abandona à sua própria sorte.

O enredo desta história é um pouco diferente do que eu esperava, pois me baseava (talvez erroneamente) nas releituras mais populares da atualidade, como Edward Mãos-de-Tesoura e até o Frank, da Turma da Mônica, achando que houvesse mais ênfase na criatura em si. Na verdade, o enredo é estruturado em grandes blocos, cada um focando um determinado personagem ou período em específico. Em um deles, o monstro reencontra seu criador, aproximadamente 2 anos após ter ganhado vida, e conta-lhe todos os percalços pelos quais passou durante este período. É neste “bloco” que temos a oportunidade de nos maravilharmos com a criatura e com as suas descobertas, aprendizados e a perda da inocência. Eu diria que é o trecho mais encantador do livro.

De qualquer forma, a obra como um todo é arrepiante, qualquer que seja o sentido dessa palavra. É uma história muito bonita, aflitiva, aterrorizante e cheia de oportunidades para reflexões acerca de valores como o preconceito, a prepotência e a maleabilidade da natureza humana.

O exemplar onde eu li esta história foi a coletânea “Clássicos do Horror”, da Série Ouro da L&PM, que contém também “Drácula”, de Bram Stoker, e “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson, já resenhado no blog. Por este motivo, utilizei as mesmas imagens da resenha de “O Médico e o Monstro”.

Conforme havia citado no início, “Frankenstein” teve dezenas de adaptações, como no cinema, teatro, TV, rádio e quadrinhos. As mais famosas são as filmagens de 1910, 1931 e 1994.
Frankenstein

Filme:

Veja também:

[resenha] O Médico e o Monstro

3 de novembro de 2011 - quinta-feira - 16:38h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Terror / Sobrenatural

O Médico e o MonstroTítulo: O Médico e o Monstro
Título original: The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde
Autor: Robert Louis Stevenson
País: Escócia
Ano: 1886
Editora: L&PM
Tradutor: José Paulo Golob, Maria Angela Aguiar e Roberta Sartori
Páginas: 62
Sinopse: Esta obra traz à vida uma história sobre a natureza humana e a dualidade entre o bem e o mal. O livro acompanha a investigação do advogado Gabriel John Utterson sobre as estranhas ocorrências com seu amigo Dr. Henry Jekyll, um homem recatado, elegante, que protege, até depois de sua morte, Edward Hyde, um criminoso de feições grosseiras e hábitos assustadores.
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– [...] O nome do homem era Hyde.
– Hmm – fez Mr. Utterson. – Qual a aparência dele?
– Ele não é fácil de descrever. Há algo de errado com sua aparência, alguma coisa desagradável, alguma coisa realmente detestável. Nunca vi nenhum outro homem a quem detestasse tanto, e devo confessar que não saberia dizer por quê. Ele deve ter alguma deformidade em algum lugar do corpo, embora não consiga especificar em que ponto.

Avaliação:
O ponto de partida desta clássica história se dá durante um dos passeios dominicais a pé de Gabriel John Utterson com seu primo Richard Enfield, quando este lhe conta sobre um episódio que presenciou, em uma madrugada, de um estranho homem que pisoteou uma criança. Este homem, de nome Edward Hyde, era herdeiro do médico Henry Jekyll, conforme o testamento que estava em poder do advogado Mr. Utterson.

Como dito na sinopse, esta história trata do fenômeno das múltiplas personalidades, que ocorre nas pessoas não somente em forma de doenças psiquiátricas, mas simplesmente no fato de termos sempre um lado bom e um lado mau dentro de nós mesmos.

Apesar de a história ser bem curta, achei a leitura um pouco cansativa, envolta em mistérios de uma maneira bem nebulosa, com os fatos obscuros e a presença de percepções não-ditas. Toda a explicação é dada no final, de forma que você sente necessidade de relê-la, também encorajado pela pequena quantidade de páginas.

Aliás, o livro onde eu li O Médico e o Monstro, na verdade, é uma coletânea contendo também Drácula, de Bram Stoker e Frankenstein, de Mary Shelley. Chama-se Clássicos do Horror, da Série Ouro da L&PM. Um pouco pesado pra carregar ou segurar ao ler, mas vale a pena, por já ter as 3 histórias logo de uma vez, e provavelmente ser mais barato do que se comprasse os 3 livros separados.
O Médico e o Monstro

Filme:
Para complementar a leitura, eu assisti o filme de 1931, considerado uma das versões mais clássicas. O enredo central não muda muito, mas a história do filme difere em muitas partes, como a presença de personagens femininas, que não existem no livro. O que eu achei mais interessante foi a oportunidade de poder ver como era o estilo de filmagem, atuação e efeitos especiais do começo do século XX.
Eu não encontrei nenhum trailer, mas segue abaixo um trecho do filme.

Além disso, a história do dr. Jekyll e do Mr. Hyde é um legado cultural tão importante que gerou inúmeras adaptações. Uma das mais bonitinhas é a do Frajola e do Piu-piu. Rsrs…

Veja também: