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Café da Manhã Intergaláctico II – Editora Aleph

20 de outubro de 2015 - terça-feira - 15:25h   ¤   Categoria(s): Eventos, Ficção Científica

Hoje, dia 20 de outubro de 2015, 1 dia depois do lançamento do pôster oficial e do novo trailer de Star Wars – Episódio VII – O despertar da Força, rolou mais um Café da Manhã Intergaláctico, realizado pela linda, amorosa, cheirosa e, é claro, ultrafoda, Editora Aleph.
Café da Manhã Intergaláctico
Dessa vez, o Café da Manhã foi na Caixa Belas Artes, na Rua da Consolação, 2423. O formato foi o mesmo da outra vez, com café da manhã primeiro e depois as apresentações.

Primeiro, o Orlando Prado falou da parte comercial, em especial aos livreiros, e mostrou alguns números relacionados a vendas. Em seguida, falaram o Adriano Fromer e o Daniel Lameira. A Luciana Fracchetta também tinha uma apresentação a fazer, sobre comunicação com os leitores, mas parece que ela teve um problema familiar e não pôde comparecer. O Adriano e o Daniel acabaram apresentando a parte dela.

As fotos que eu tirei do telão ficaram beeem meia-boca, porque não levei minha câmera dessa vez, e tirei tudo com o celular (um iPhone 4, hehe). Mas é mais para vocês terem uma ideia do que foi falado. =)
Café da Manhã Intergaláctico
Ursula, lindona. Amanhã é aniversário dela!
Café da Manhã Intergaláctico
Aqui, para mostrar alguns detalhes do dia a dia de uma editora, o Adriano contou como foi o processo de escolha da capa de Eu, robô. Não tem foto de todas, mas acho que foram mostradas umas 15 capas antes de se chegar à final, rs.
Café da Manhã Intergaláctico Café da Manhã Intergaláctico
Sequência de slides sobre a novelização do filme Alien. Já viram o livro? A capa metalizada e em soft touch? Ficou um efeito lindo! (e-book nunca será, hohoho!)
Café da Manhã Intergaláctico Café da Manhã Intergaláctico Café da Manhã Intergaláctico
Academia Jedi, livrinho ultrafofo, realmente voltado para crianças, mas que está encantando um monte de marmanjos. Fica a dica para pais que querem “educar” seus filhos a gostarem de Star Wars, hehehe.
Café da Manhã Intergaláctico Café da Manhã Intergaláctico
Republicação de respeito, literalmente, do clássico Eu sou a lenda. Sem o Will Smith na capa, por mais que eu adore esse ator.
Café da Manhã Intergaláctico Café da Manhã Intergaláctico
Próximos lançamentos de Star Wars: Troopers da morte e O último comando. Pelo que contaram sobre Troopers da morte, parece ser um livro que interessará mesmo aqueles que não curtem taaanto Star Wars. É sobre zumbis, rsrs, e, segundo o Adriano, aparecem como prisioneiros 2 personagens: um que é bonito e outro que é alto e peludo. <3
Café da Manhã Intergaláctico Café da Manhã Intergaláctico
Como Star Wars conquistou o Universo, um não ficção que conta tudo. =)
Café da Manhã Intergaláctico
Star Wars – Marcas da guerra – Livro 1 da trilogia Aftermath, e o vídeo do autor.
Esse livro é considerado aquele que dará pistas sobre o que vai ter no Episódio VII. Foi lançado no original em setembro e a Aleph está correndo para lançá-lo mês que vem.
Café da Manhã Intergaláctico
Vixi… o.Ô
Café da Manhã Intergaláctico

E os brindes!! =)
Uma prova não revisada de Marcas da guerra, pra gente já ir lendo, mesmo com possíveis erros, o livro Eu sou a lenda (esse é normal, já lançado oficialmente), buttons e marcadores. Muito amor nesse kit!
Café da Manhã Intergaláctico Café da Manhã Intergaláctico Café da Manhã Intergaláctico O marcador com o desenho de um gancho é do Troopers da morte… acho, rs. Café da Manhã Intergaláctico Café da Manhã Intergaláctico

Espero que tenham gostado, principalmente das novidades que vêm por aí. E peço desculpas pela qualidade ruim das fotos.
Confesso que estou ansiosa, respirando Star Wars já há algumas semanas. Revi os Episódios IV, V e V, depois I e II. Agora estou vendo Clone Wars, que nunca assisti, e depois vou rever Episódio III. E vou tentar ver IV, V e VI de novo! E ler Marcas da guerra!
Ambição demais, afe!

—-

Aos profissionais da Editora Aleph, eu queria agradecer do fundo do coração (e do pulmão, do cérebro, do pâncreas…) pelo convite. O evento foi, novamente, sensacional, além de bem organizado e muito engraçado. Vocês merecem todo esse crescimento que estão tendo, porque é consequência de todo amor que vocês exalam em forma de títulos de qualidade, editoração bem feita, atenção aos leitores, vídeos que causam vômitos-de-arco-íro, etc., etc., etc. ♥

Veja também:
Café da Manhã Intergaláctico CCXP 2015

[resenha] Jurassic Park

29 de setembro de 2015 - terça-feira - 11:21h   ¤   Categoria(s): Aventura / Fantasia, Ficção Científica, Literatura estrangeira, Resenhas, Suspense / Ação

Jurassic ParkTítulo: Jurassic Park
Título original: Jurassic Park
Autor: Michael Crichton
País: EUA
Edição original: 1990
Editora: Aleph
Páginas: 525
Compre: compare preços
Avaliação:

Existe um problema com aquela ilha. Ela é um acidente esperando para acontecer.

Quando eu soube dessa nova publicação do livro Jurassic Park, minhas reações foram: alegria, leve curiosidade, dúvida, empolgação, curiosidade desesperada e certeza. Nessa sequência. Alegria e curiosidade, eu não preciso nem explicar. Mas logo em seguida, veio a pergunta: “Será que vale a pena ler uma história sobre a qual eu sei quase de cor?” E então eu abri o livro para dar uma folheada. Não havia só texto. Havia gráficos, fluxogramas, tabelas, códigos de programação e capítulos numerados não como “Capítulo 1”, mas sim como “Primeira iteração”. Meu lado nerd gritou. Fiquei maluca. Vi que simplesmente PRECISAVA saber o que é que o filme deixou de fora.

No geral, a história principal do livro não é muito diferente do filme, exceto detalhes (por exemplo, o aspecto físico dos personagens) e um fato final totalmente oposto do que aconteceu na adaptação do Spielberg. Extração de DNA de dinossauro, um idoso excêntrico e rico, o passeio dos visitantes antes da abertura oficial, as crianças, as coisas dando errado… tudo isso tem no livro também. (E não me venha reclamar de spoiler. Se você não assistiu ao filme, o que está fazendo nesta vida?)

A grande diferença entre o filme e o livro está na atenção que é dada à Teoria do Caos e, portanto, na importância do personagem Ian Malcolm. Eu não sabia absolutamente nada sobre o assunto, nem fazia ideia do que eram fractais (heresia!), e aprendi horrores! A parte de Biologia também me encantou bastante, com explicações mais detalhadas sobre essa coisa toda de genética e DNA. Supondo que as informações contidas no livro sejam cientificamente corretas, mais crédito-conhecimento entrou pra conta do meu cérebro.

Mas o livro não é só nerdice. O texto é muito bom e envolvente, e em vários momentos de tensão (sim, aqueles que você já sabe quais são) eu realmente me desesperava durante a leitura. Tinha vezes em que acabava atropelando as palavras; em outras, simplesmente não queria avançar no texto por medo do desastre que estava para acontecer.

Os personagens principais, John Hammond, Alan Grant, Ellie Sattler, Ian Malcolm, Tim e Lex, são muito bem caracterizados. Você consegue desenvolver, por cada um deles, sentimentos intensos de admiração, desprezo, respeito, simpatia ou raiva.

Após ter lido o livro, e parando para pensar em diversas adaptações para o cinema, principalmente de obras de ficção científica, a impressão que eu tenho é de que os filmes acabam deixando de lado justamente aquilo que é o ensinamento mais essencial da história, aquilo que frita os miolos do leitor ao provocar profundas reflexões. O filme me encantou na época? É claro que sim! Eu tinha acabado de entrar na adolescência! Além disso, os efeitos visuais eram maravilhosos. Se descuidar, ainda são! E é mil vezes mais legal “ver” dinossauros em uma tela de cinema do que imaginar dinossauros durante a leitura. Mas eu acho extremamente necessário ler o livro, ainda mais se você já tem idade suficiente para precisar de coisas mais consistentes para se encantar.

No fim das contas, do alto (#sqn) da minha capacidade de análise, eu diria que o filme e o livro são coisas diferentes. Parecidas, mas diferentes. Parecidas no enredo, diferentes na sua proposta. Eu amei os dois. Um aos 12 anos de idade, o outro aos 34. =)

Quanto ao livro em si, essa edição nova ficou linda! A capa é maravilhosa, dramática, e chamativa e sombria ao mesmo tempo. As laterais vermelhas são a cereja do bolo. Dentro, o projeto gráfico é elegante, totalmente em harmonia com a história. A beleza externa exalta, mas também respeita e faz jus à importância da obra.
Jurassic Park

[resenha] O Planeta dos Macacos

26 de junho de 2015 - sexta-feira - 08:57h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Literatura estrangeira, Resenhas

O Planeta dos MacacosTítulo: O Planeta dos Macacos
Título original: La planète des singes
Autor: Pierre Boulle
País: França
Edição original: 1963
Editora: Aleph
Páginas: 209
Compre: compare preços
Avaliação:

Apenas percebia uma diferença essencial em relação aos indivíduos da nossa espécie. Seus olhos não tinham cor: eram de um cinzento bem pouco comum em nós, mas não excepcional. A anomalia estava em sua emanação: uma espécie de vazio, uma ausência de expressão, que me evocava um pobre demente que eu conhecera em outros tempos.

Em um tempo futuro, um rico casal de viajantes está de férias, navegando por algum lugar do universo, quando de repente encontra uma garrafa perdida solta no espaço. Dentro dela, havia diversas folhas finas com uma caligrafia escrita na linguagem da Terra. Contava o relato de 3 homens, terráqueos, que realizaram, pela primeira vez na história do planeta, uma viagem à região do espaço onde se encontra a supergigante Betelgeuse. A estrela está a 300 anos-luz do Sistema Solar, e a viagem teve duração de 2 anos. O planeta escolhido para a exploração era muito parecido com a Terra em termos de volume, atmosfera, radiação recebida da estrela e presença de oceanos e continentes.

Esse é apenas o comecinho do livro O planeta dos macacos. O que vem a seguir vocês já conhecem: os 3 homens descobrem que há humanos nesse planeta, mas eles são, na verdade, selvagens e irracionais, enquanto as espécies inteligentes e dominantes são as de símios.

Devo confessar a vocês que a leitura deste livro fez me sentir uma bookworm mais completa. A história é um clássico! Com uma narrativa direta e objetiva, a leitura voa sem o leitor nem perceber, mas as reflexões provocadas ao longo do livro anulam todas as possíveis – porém errôneas – impressões de simplicidade. E o final… aah, o final dessa história…! Eu não assisti ao filme de 1968, mas, para quem assistiu, fiquem sabendo que o desfecho é diferente, além de haver um fato adicional, que eu acho que nem é citado no filme. Eu já tinha ouvido dizer que a conclusão do livro era desconcertante, mas ninguém me disse que era duplamente desconcertante!

Esta edição da Aleph traz também alguns extras bem legais: uma entrevista com Pierre Boulle, feita em 1972; um texto jornalístico sobre o autor, publicado pela BBC em 2014; e um posfácio que discute as questões levantadas pela obra. Gostei bastante desse material, pois contextualiza o livro em relação tanto à vida do autor quanto à posição e importância de O planeta dos macacos dentro do gênero da ficção científica.

Para quem, assim como eu, não assistiu à famosa adaptação para o cinema, recomendo que leiam o livro ao invés de ver o filme. Depois, olhem na página do Wikipedia as diferenças entre os dois enredos e verão que eu tinha razão, rs.

O livro em si também está muito bonito. O projeto gráfico, como sempre, é de encher os olhos. A capa consegue ser ao mesmo tempo bruta e elegante. O toque especial fica por conta da borda arredondada, supercharmosa, que dá ao livro um “ar” de caderno. Eu costumo torcer o nariz para livros sem orelha, pois geralmente as capas acabam envergando por conta disso, mas não foi o caso dessa edição de O planeta dos macacos. A foto abaixo foi tirada após o fim da leitura e é possível ver que, mesmo com o manuseio, a capa continuou retinha.
O Planeta dos Macacos

Café da Manhã Intergaláctico – Editora Aleph

25 de março de 2015 - quarta-feira - 17:51h   ¤   Categoria(s): Eventos, Ficção Científica, Literatura estrangeira

Hoje, dia 25 de março de 2015, rolou o Café da Manhã Intergaláctico, realizado pela ultrafoda Editora Aleph.
Café da Manhã Intergaláctico
É claaaaro que eu fui lá conferir o que seria falado sobre essa combinação perfeita que é o universo nerd e a literatura.

O Café da Manhã aconteceu na Reserva Cultural, que fica na Av. Paulista, 900.
Primeiro teve o café da manhã em si, com alguns comes e bebes, e em seguida fomos para uma das salas de cinema que a Aleph tinha reservado para esse evento.

Bom, eu não sei nem por onde começar, porque falaram de tanta coisa bacana que eu me sinto como uma criança de 7 anos quando volta de um acampamento superlegal e quer contar tudo pros pais, rs.

O bate-papo foi feito pelo Adriano Fromer e pelo Daniel Lameira, respectivamente diretor editorial e editor da Aleph.

As fotos não ficaram tão boas porque são de uma tela de cinema dentro de uma sala escura. Fora o fato de eu ter sentado no canto. Mas também não fiquei tirando foto de tudo porque, convenhamos, eu tava lá pra prestar atenção ao que eles tinham pra falar.
Café da Manhã Intergaláctico

Alguns dos tópicos abordados foram:

» história e crescimento recente da Aleph
O Adriano Fromer contou um fato muito triste, que foi o falecimento do pai dele, há 3 dias. O professor Pierluigi Piazzi é o fundador da editora. A frase mostrada na tela é de quebrar as pernas! =´)
Café da Manhã Intergaláctico Também foram mostrados alguns números e gráficos sobre o quanto a editora cresceu, graças à (ou juntamente à) maior disseminação da ficção científica entre os leitores.

» universo expandido de Star Wars
O Daniel Lameira é, segundo o que eu vi em uma imagem de divulgação de um evento da Aleph, “responsável pela publicação dos livros do universo expandido de Star Wars, além de clássicos da ficção científica mundial”. Ele falou de Herdeiro do Império, do Timothy Zahn, passou alguns vídeos sobre o universo expandido…
Café da Manhã Intergaláctico…e mostrou, em primeira mão, a capa do 2º livro da Trilogia Thrawn: Ascensão da Força Sombria (o original em inglês é Dark Force Rising).
Café da Manhã Intergaláctico Pros fãs de Star Wars, acalmem-se. Tem mais uns 20 títulos do E.U. que a Aleph vai publicar. Alguns deles são:
- Um novo amanhecer
- O último comando (3º volume da Trilogia Thrawn)
- Darth Vader e filho
- Princesinha de Vader
- Sombras do Império
- Academia Jedi
- Tarkin
- Herdeiro do Jedi
- Troopers da morte
- Como Star Wars conquistou o Universo

» as eras da ficção científica
Uma das coisas que eu mais curti (na verdade, eu curti tudo, né…) foi um painel com a história da ficção científica, dividindo-a por eras, de acordo com as características e o estilo mais presente em cada época, e mostrando os livros e/ou autores mais típicos. Bem didático, bem interessante, um prato cheio pra quem gosta de aprender coisas novas. E eu nem gosto, vá! =D
Café da Manhã Intergaláctico

» difusão da ficção científica
Também foram discutidos a questão do porquê de a ficção científica só estar se difundindo recentemente, as razões por que muitas pessoas ainda não gostam do gênero, os preconceitos que ainda permanecem e o que, na realidade, a ficção científica aborda.

» lançamentos
Café da Manhã Intergaláctico No final, eles mostraram os futuros lançamentos da editora. Entre os que eu me lembro, estão:
- O Planeta dos Macacos – Pierre Boulle
- Jurassic Park – Michael Crichton
- Tropas Estelares – Robert A. Heinlein
- Cyberstorm – Matthew Mather
- Alien – Alan Dean Foster
- Eu Sou a Lenda – Richard Matheson
- Eu Estou Vivo e Vocês Estão Mortos – Emmanuel Carrère (biografia do Philip K. Dick)

» brindes ultrafoda
Vocês não têm noção do peso da sacola linda que os convidados ganharam na saída! Eu quase caí de costas quando vi o conteúdo!!
- sacola do livro O Planeta dos Macacos e 3 textos de prefácio ou introdução, do William Gibson, da Ursula K. Le Guin e do Isaac Asimov
Café da Manhã Intergaláctico – livros Kenobi, do John Jackson Miller, e As Fontes do Paraíso, do Arthur C. Clarke, caderninho (sem pauta!! \o/) de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, marcadores de páginas e uma garrafa contendo um pergaminho (referência ao livro O Planeta dos Macacos). De todos os kits distribuídos, em 5 deles a garrafa está premiada com 10 livros da Aleph
Café da Manhã Intergaláctico Fala sério. Diz se não é pra passar mal?

Queria agradecer de coração o convite da Aleph! Aprendi muito, me encantei, me diverti e fiquei passada com os brindes que ganhei! Valeu muito a pena ter acordado mais cedo, rsrs. ♥

Veja também:
Café da Manhã Intergaláctico II CCXP 2015

[resenha] Eu, Robô

8 de março de 2015 - domingo - 15:43h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Resenhas

Título: Eu, Robô
Título original: I, Robot
Autor: Isaac Asimov
País: EUA
Edição original: 1950
Editora: Aleph
Páginas: 315
Compre: compare preços
Avaliação:

Powell ficou boquiaberto.
– Você está sendo ridículo. Já falei que nós o fizemos.
– E se não acredita em nós – acrescentou Donovan –, ficaremos felizes em desmontá-lo!
O robô fez um gesto largo com as mãos, em desaprovação.
– Não aceito nada com base em autoridades no assunto. Uma hipótese deve ser sustentada pela razão, caso contrário não tem valor… e supor que vocês me fizeram vão contra todos os preceitos da lógica.

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

As Três Leis da Robótica de Isaac Asimov são apresentadas pela primeira vez nos contos que foram compilados na coletânea Eu, robô. Esta coletânea, de dezembro de 1950, contém 9 contos do autor, publicados em revistas entre 1940 e 1950.
A linha que costura e dá coesão à sequência dos contos é o relato de uma entrevista feita com a dra. Susan Calvin, psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc. Nascida em 1982, dra. Calvin aceitou conceder essa entrevista às vésperas de sua aposentadoria, aos 75 anos. Ou seja, o “tempo atual” do livro se passa um pouco depois do ano 2057.
Ao entrevistador, a dra. Calvin relembra os casos mais interessantes sobre os robôs da U.S. Robots, que são justamente os contos da coletânea. Na lista abaixo, seguem eles na ordem em que aparecem no livro, com sua data de publicação e uma sinopse bem curta.

Robbie - set/1940 – Ainda da época em que robôs não tinham a capacidade de se comunicar pela fala, Robbie é o robô-babá da família Weston, e foi adquirido para cuidar da garotinha Gloria, que o adora de paixão. Mas a mãe de Gloria não vê com bons olhos a amizade da filha com um robô.
Andando em círculos - mar/1942 – Gregory Powell e Mike Donovan são personagens de muitos contos de Asimov. Eles são engenheiros de testes de robôs experimentais na U.S. Robots. Em 2015, a dupla é enviada a Mercúrio para testar um robô que será responsável por extrair selênio das minas existentes no planeta. Mas, por algum motivo, o robô está andando em círculos ao redor de uma das minas, ao invés de trazer selênio para a estação mineradora.
Razão - abr/1941 – Powell e Donovan estão trabalhando em uma estação espacial juntamente com o robô Cutie, que é dotado da capacidade de utilizar a razão no seu raciocínio. Em um dado momento, ele não aceita que foram os humanos que o construíram e começa a defender a existência de um “Mestre” criador.
É preciso pegar o coelho - fev/1944 – Powell e Donovan foram enviados a um asteroide para testar um robô múltiplo (um corpo principal que comanda outros corpos menores fisicamente independentes), que foi criado para realizar extração de minério neste local. Todos os testes em laboratório deram certo. Mas o robô não estava cumprindo seu dever no ambiente real. Questionado pelos engenheiros, o robô afirma que tudo está dentro da normalidade, que não há nada de errado. Mas HÁ algo errado.
Mentiroso! - mai/1941 – Na U.S. Robots, a dra. Susan Calvin é comunicada sobre a existência de um robô que lê mentes. Todas as 33 unidades deste modelo, fabricadas anteriormente, não tinham essa capacidade. A montagem de todos eles é exatamente igual. Mas o número 34 podia ler mentes. Por quê?
Um robozinho sumido - mar/1947 – Dra. Susan Calvin, que nunca havia deixado a superfície da Terra até então, teve que ser enviada à Hiperbase, pois todo o trabalho envolvendo a construção do Propulsor Hiperatômico estava paralisado. Um dos robôs utilizados nesse projeto desapareceu. Ou melhor, ele se misturou a uma carga de 62 robôs idênticos a ele que apareceu na estação espacial, aparentemente porque ele não queria ser encontrado.
Evasão! - ago/1945 – Depois de ter seu supercomputador destruído ao tentar realizar cálculos para a criação de um motor interestelar, a principal empresa concorrente da U.S. Robots a procura, desafiando-a a construir o motor utilizando os mesmos cálculos. O Cérebro, potente computador da U.S. Robots, consegue cumprir com o desafio e cria uma nave espacial capaz de fazer realizar longas viagens interestelares. Gregory Powell e Mike Donovan entram na nave para conhecê-la, pois eles serão os prováveis engenheiros de teste. Quando eles se dão conta, a própria nave já saiu da Terra sem o comando deles.
Evidência - set/1946 – Stephen Byerley é uma pessoa pública. Advogado e promotor, ele é candidato a prefeito. Francis Quinn, um político que tem interesse em impedir que Byerley seja eleito, procura a U.S. Robots com o objetivo de pedir ajuda para que consigam provar que o candidato é um robô. Bem, a empresa é a única fabricante de robôs existente, e afirma conhecer todos os robôs que construíram…
O conflito inevitável - jun/1950 – Stephen Byerley foi eleito Coordenador da Região Norte do planeta. Estão acontecendo em alguns locais da Terra problemas relacionados à economia, que não deveriam acontecer, já que todos os cálculos são feitos por robôs programados com as Leis da Robótica. Todas as alocações de recursos e decisões de aspecto econômico deveriam beneficiar ao máximo o ser humano. Ou melhor, não deveriam lhe causar nenhum tipo de mal.

A maioria dos contos trata de histórias de robôs que, por algum motivo, estavam falhando ou tendo comportamentos inesperados. Além de se tentar descobrir a causa das falhas, as Leis da Robótica também são bastante discutidas. Para a minha felicidade, várias reflexões de cunho filosófico e psicológico são provocadas. Em todas as minhas resenhas de obras de ficção científica, eu sempre digo que é isso que vale nessas histórias. O que o futuro vai fazer com nossas relações humanas? O que a tecnologia vai causar em nosso comportamento? Atualmente já vemos vários textos enchendo a internet, falando sobre o quanto estamos mais desatentos, ou fotos de pessoas em uma mesa de jantar, todas com a cara enfiada no celular. Em Eu, robô, um passo adiante é dado nessa discussão: como a própria tecnologia poderia se comportar, se adquirisse alguns aspectos do comportamento humano? Esse assunto não tem como não ser fascinante!

Um outro ponto realmente interessante que me chamou muito a atenção foi em relação às datas citadas. Logo no começo do livro, há uma introdução em que o entrevistador fornece uma breve biografia da dra. Susan Calvin. A princípio, seria normal ler que a dra. Calvin nasceu em 1982, formou-se em 2003 e terminou o doutorado em 2008. No entanto, o que é passado recente para nós ou passado bastante longínquo para o entrevistador era, na verdade, um futuro distante para o autor na época em que o texto foi escrito. Confesso que achei essas diferenças de datas tão perturbadora quanto ler sobre um robô que não acredita que foi criado por um humano.

Com relação ao filme de 2004, com o Will Smith, independentemente de você ter assistido ou não, leia o livro. Leia. Ponto final. O enredo do filme não tem semelhança com nenhum dos contos. São mostradas as Leis da Robótica, alguns personagens aparecem, mas o livro é bem mais amplo e mais provocador.
Aceite meu conselho: leia o livro. =)

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