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[resenha] Dexter – A mão esquerda de Deus

24 de julho de 2012 - terça-feira - 20:36h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

Dexter - A mão esquerda de DeusTítulo: Dexter – A mão esquerda de Deus
Título original: Darkly Dreaming Dexter
Autor: Jeff Lindsay
País: EUA
Ano: 2004
Editora: Planeta
Páginas: 270
Sinopse: Dexter Morgan é um educado lobo vestido em pele de ovelha. Ele é atraente e charmoso, mas algo em seu passado fez com que se transformasse numa pessoa diferente. Dexter é um serial killer. Na verdade, é um assassino incomum que extermina apenas aqueles que merecem. Ao mesmo tempo, trabalha como perito da polícia de Miami. Em ‘Dexter, a mão esquerda de Deus’, o livro que deu origem à série de TV, o matador depara-se com um concorrente de estilo semelhante ao seu, encanta-se e incomoda-se com ele, prevê seus passos.
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Eu tinha me esforçado para fazer direito, mas só se pode usar o que há. Não poderia ter feito nada se eles não estivessem lá há tempo suficiente para secar, mas estavam muito sujos. Eu limpara quase toda a sujeira, mas alguns corpos tinham ficado na horta muito tempo e não dava para saber onde começava a sujeira e terminava o corpo. [...]
Eram sete, sete pequenos corpos, sete órfãos bem sujos, deitados em tapetes de borracha para banheiro, que são mais limpos e não grudam.
[...]
– O senhor acha que é só isso, padre? Sete corpos? Eles imploraram? Acha que são só esses, padre? Só sete? Peguei todos?
[...]
– Por favor, eu não consegui me conter, simplesmente não consegui. Por favor, entenda… – ele disse.
– Eu entendo, padre. Entendo perfeitamente. Sabe, eu também não consigo me conter. Mas crianças? Eu jamais faria isso com crianças. Com crianças, nunca. Tenho de achar gente como você.

Avaliação:
Dexter Morgan trabalha na polícia de Miami, como analista forense. Nas horas vagas, é um serial killer. Alguma coisa durante a sua infância fez com que ele adquirisse a necessidade de matar. Entretanto, ele dá vazão a isso capturando e matando criminosos.
Dexter é bonito, charmoso, simpático, mas toda sua vida é uma fachada que ele construiu para proteger sua verdadeira natureza. Incapaz de ter ou entender sentimentos humanos, ele luta para gerenciar todos os aspectos da sua existência.

Neste primeiro livro, uma série de assassinatos vem desafiando não só a polícia de Miami, mas também o nosso querido protagonista. Com a história narrada em 1ª pessoa, podemos ter acesso total e absoluto à mente de Dexter. Acompanhamos todos os seus pensamentos, questionamentos, vontades, conseguimos entender a sua lógica de raciocínio e vemos o quanto este assassino o deixa maravilhado e ao mesmo tempo enciumado pela qualidade de seus crimes.

Eu comprei este livro por um único motivo: tenho uma séria dificuldade de parar quieta para assistir um seriado. A maioria dos que comecei, não consegui dar continuidade. Com Dexter, tive o dom de assistir somente 2 episódios da 1ª temporada. Sim, é isso mesmo, DOIS episódios. Então eu resolvi comprar o livro, já que a história me interessava muito e porque sei que a curiosidade de ler é maior do que a de assistir.

Ainda que eu tenha assistido bem pouco do seriado, algumas semelhanças com o livro são muito boas, principalmente com relação aos personagens. Já a história acaba diferenciando bastante. O criminoso que vem intrigando Dexter é encontrado e algumas reviravoltas acontecem, que eu não pude ainda verificar no seriado.

O livro é bastante interessante e com certeza eu gostaria de ler as continuações, mas a sensação que eu tive é toda a peculiaridade e atratividade do personagem principal são mais bem exploradas no seriado. Com certeza, vou acabar assistindo a mais alguns episódios, e quando eu me cansar novamente, com certeza vou comprar mais um livro da série.
Dexter

Seriado:
O trailer é da 1ª terporada, que passou em 2006. Este ano, daqui a alguns meses, começa a 7ª temporada.

[resenha] A Resposta

17 de julho de 2012 - terça-feira - 18:40h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

A RespostaTítulo: A Resposta
Título original: The Help
Autor: Kathryn Stockett
País: EUA
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 567
Sinopse: ‘A Resposta’ traz uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA. Eugenia ‘Skeeter’ Phelan, jovem que acabou de se graduar e quer virar escritora, encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, ‘Skeeter’ encontra um tema em duas mulheres negras – Aibileen, empregada que já ajudou a criar 17 crianças brancas, mas chora a perda do próprio filho, e Minny, cozinheira de mão cheia que não arruma emprego porque não leva desaforo dos patrões para casa.
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- E todas essas casas que estão sendo construídas sem dependências de empregada? É simplesmente um perigo. Todo mundo sabe que elas transmitem doenças diferentes das nossas. [...]
- Seria bom que ela [a empregada, Aibileen] não precisasse usar o banheiro da casa.
[...]
- Foi exatamente por isso que criei o Projeto de Higiene para Empregadas Domésticas. Uma medida para prevenir doenças. [...] Um projeto de lei que prevê que toda casa branca tenha um banheiro separado para empregadas de cor.

Avaliação:
Pense em um livro perfeito, em todos os aspectos. Pense em uma história perfeita que faz você ter vontade de dizer tanta coisa sobre ela que fica perdida por não saber como organizar suas ideias.
Eu vou começar pela parte “tangível”, que é mais fácil. Definitivamente, eu sou uma pessoa que torce o nariz para “capas-de-filme” em livros, quando estes são adaptados para o cinema. Entretanto, achei a capa de “A Resposta” absolutamente linda como sendo a de “Histórias Cruzadas”. Talvez sejam as cores, talvez sejam os elogios ao filme na época da premiação do Oscar, talvez seja a simpatia que tenho pela atriz Emma Stone. Posso não saber exatamente o que é, mas é um livro extremamente atraente à primeira vista, mesmo que a pessoa não saiba da existência de “Histórias Cruzadas”. Gostei muito também da textura meio emborrachada / aveludada, contrastando com o já costumeiro verniz. Foi um pouco desconfortável nos momentos em que eu estava com a mão suando, mas nada que tire o mérito da beleza da capa como um todo.

A Resposta
A história em si é linda, emocionante e ao mesmo tempo revoltante. Skeeter é uma jovem branca, solteira, que, ao contrário de suas amigas, não largou a faculdade para se casar. Aibileen e Minny são empregadas, negras, que toda a vida trabalharam em casas de patroas brancas. Estas 3 mulheres são as personagens principais da história que se passa em 1962, na cidade de Jackson, Mississipi, EUA. Era uma época em que negros eram obrigados a frequentar escolas, hospitais, mercados, banheiros etc separados dos brancos. Havia bairros negros e bairros brancos. Havia leis que não permitiam casamentos entre negros e brancos. Era nesta época que Martin Luther King estava prestes a discursar o seu famoso “I Have A Dream”. Skeeter, querendo se tornar escritora, resolveu colocar em um livro todo o incômodo que sentia acerca da segregação racial. Desejando escrever depoimentos com os pontos de vista das empregadas negras de Jackson, tomou coragem para pedir ajuda a Aibileen e Minny, mesmo sabendo das terríveis consequências que seus atos poderiam ter para todas as envolvidas.

O texto flui como uma boa história costuma fluir, e te abraça de uma maneira acolhedora a cada vez que você abre o livro para ler mais um pouco. De repente, você se pega pensando enquanto lava a louça da janta: “O que vai acontecer com a Aibileen? Será que vão descobrir?”. Os capítulos são escritos em 1ª pessoa, mas agrupados e alternando entre cada uma das 3 personagens principais, o que possibilita entrar a fundo na alma destas mulheres. Você acaba desenvolvendo um amor por elas que chega a desejar que elas realmente existissem, que você as conhecesse, que fossem suas melhores amigas. Você torce por elas, se envolve, chora, fica gelada de nervosismo e ansiedade nos momentos mais tensos do livro.

A Resposta
Quanto ao tema da segregação racial, as próprias histórias e diálogos cheios de preconceito dentro do enredo são suficientes para gerar uma indignação sem tamanho. O trecho que transcrevi no começo é só uma pequena amostra do que é exposto no livro. O mundo, os conceitos e a forma de pensar mudaram razoavelmente desde a década de 1960 até hoje, mas confesso que não tenho conhecimento o bastante para gerar ou entrar em uma discussão com propriedade.

O que eu posso dizer é que entendo, agora, uma das frases da contracapa, em que uma escritora diz ter se tornado espontaneamente uma divulgadora de “A Resposta”. Não deixem de ler. Envolvam-se, emocionem-se, chorem e passem pelos momentos de revolta. Deixem este livro abraçá-los.

Quanto ao filme, eu ainda não o assisti e pretendo fazer isto depois de escrever esta resenha, para não ser influenciada. Mas confesso que desde que comecei a ler o livro, eu fiquei me coçando de vontade de assistir de uma vez por todas.

“A Resposta” também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta de julho é ler um livro com mais de 500 páginas.

Outras capas:
A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta

Filme:
Trailer do filme “Histórias Cruzadas”:

[dica] Literatura americana

4 de julho de 2012 - quarta-feira - 17:35h   ¤   Categoria(s): Dicas, Literatura estrangeira, Por temas

Hoje, 4 de julho, é Dia da Independência nos Estados Unidos.
Eu estou longe de ser fã dos EUA, mas gostaria de aproveitar a data para dar algumas dicas de leitura com clássicos da Literatura americana.

 
Moby DickTítulo: Moby Dick
Autor: Herman Melville
Editora: Cosac Naify
Páginas: 656
Sinopse: O livro traz o relato de um marinheiro letrado, Ishmael, sobre a última viagem de um navio baleeiro de Nantucket, o Pequod, que parte da costa leste dos Estados Unidos rumo ao Pacífico Sul, onde encontra o imenso cachalote branco que, no passado, arrancara a perna do vingativo capitão Ahab. Ao longo de 135 capítulos, Herman Melville explora diversos gêneros literários para compor sua história, da narrativa de viagens ao teatro shakespeareano, do sermão à poesia popular, passando pela descrição científica e a meditação filosófica.

 
As Aventuras de Tom SawyerTítulo: As Aventuras de Tom Sawyer
Autor: Mark Twain
Editora: L&PM
Páginas: 328
Sinopse: ‘As aventuras de Tom Sawyer’ é um dos grandes clássicos da literatura americana. Tom Sawyer, o imortal personagem de Mark Twain, um menino astuto, mostra-se tão à vontade no mundo respeitável de sua tia Polly quanto no mundo aventureiro e desprotegido de seu amigo Huck Finn. Os dois vivem uma série de aventuras, acidentalmente presenciando um assassinato e provando a inocência do homem injustamente acusado, assim como sendo caçados por Injun Joe, o verdadeiro assassino, e finalmente escapando e encontrando o tesouro que Joe havia enterrado.

 
Título: O Velho e o Mar
Autor: Ernest Hemingway
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 128
Sinopse: Esta é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável confiança na vida. Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.

 
Letra EscarlateTítulo: A Letra Escarlate
Autor: Nathaniel Hawthorne
Editora: Penguin – Companhia
Páginas: 312
Sinopse: Na rígida comunidade puritana de Boston do século XVII, a jovem Hester Prynne tem uma relação adúltera que termina com o nascimento de uma criança ilegítima. Desonrada e renegada publicamente, ela é obrigada a levar sempre a letra ‘A’ de adúltera bordada em seu peito. Hester usa sua força interior e de sua convicção de espírito para criar a filha sozinha, lidar com a volta do marido e proteger o segredo acerca da identidade de seu amante.

 
O Apanhador no Campo de CenteioTítulo: O Apanhador no Campo de Centeio
Autor: J. D.Salinger
Editora: Editora do Autor
Páginas: 208
Sinopse: Um garoto americano de 16 anos relata com suas próprias palavras as experiências que ele atravessa durante os tempos de escola e depois, revela tudo o que se passa em sua cabeça. O que será que um adolescente pensa sobre seus pais, professores e amigos?

 
 
Eu acho que leria todos… =/

[resenha] Quando Ela Se Foi

26 de junho de 2012 - terça-feira - 17:15h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

Quando Ela Se FoiTítulo: Quando Ela Se Foi
Título original: Long Lost
Autor: Harlan Coben
País: EUA
Ano: 2009
Editora: Arqueiro
Páginas: 256
Sinopse: Dez anos atrás, Myron Bolitar e Terese Collins fugiram juntos para uma ilha. Durante três semanas, eles se entregaram um ao outro sem pensar no amanhã. Depois disso, os dois se reencontraram apenas uma vez, quando Terese ajudou Myron a salvar seu filho e então foi embora, sem deixar vestígios. Agora, no meio da madrugada, ela telefona – ‘Venha para Paris’. Terese pede a ajuda de Myron para localizar o ex-marido, Rick Collins, que telefonara depois de anos implorando que ela o encontrasse na capital francesa. Eles logo descobrem que Rick foi assassinado e que Terese é a principal suspeita. Porém algo ainda mais atordoante é revelado – perto do corpo havia longos fios de cabelo louros e uma mancha de sangue que o exame de DNA revelou pertencer à filha do casal. Só que sua única filha morrera em um acidente de carro muitos anos antes. Logo Myron se vê perseguido nas ruas de Paris e de Londres. As agências de segurança de quatro países parecem querer as mesmas informações de que ele precisa para desvendar a morte de Rick e o destino da filha que Terese pensava ter perdido para sempre.
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Recostei-me na cadeira, esperando que Terese estivesse pronta para falar. Lembrei-me do que Win tinha dito sobre o segredo dela, que era algo muito grave. Fiquei aflito. Meus olhos dardejavam de um lado para outro e foi então que algo chamou minha atenção.
A van branca.
Depois de um tempo, a pessoa se acostuma a viver dessa maneira. Sempre alerta. A gente olha ao redor e, quando identifica certos padrões, fica com a pulga atrás da orelha. Era a terceira vez que eu via a mesma van.

Avaliação:
Este é o 3º livro que eu leio do Harlan Coben, também o 3º com o personagem Myron Bolitar e seus amigos. Os anteriores foram Quebra de Confiança e Jogada Mortal.
Da série Myron Bolitar, de um total de 10 livros, somente 5 foram lançados no Brasil (marcados na lista abaixo com o nome em português), numa ordem totalmente aleatória.
Deal Breaker (1995) – Quebra de Confiança
Drop Shot (1996) – Jogada Mortal
Fade Away (1996)
Back Spin (1997)
One False Move (1998)
The Final Detail (1999)
Darkest Fear (2000)
Promise Me (2006) – A Promessa (lançado pela Editora Arx)
Long Lost (2009) – Quando Ela Se Foi
Live Wire (2011) – Alta Tensão

Não posso negar que ter lido uma nova aventura da série com um gap tão grande me causou um certo estranhamento. Apesar de as histórias não serem estritamente sequenciais, a linha do tempo é perceptível e alguns fatos de livros anteriores são citados.
Confesso que me causou certa comoção ao encontrar o trio Myron, Win e Esperanza cerca de 10 anos mais velhos (desde Jogada Mortal). Como já devo ter dito em outras resenhas, tratam-se de personagens tão carismáticos, tão únicos, tão reais nas suas personalidades, que você tem a sensação de que realmente os conhece e que se torna cada vez mais íntimo deles a cada livro que lê. Muitas vezes, as atitudes e frases que aparecem nas histórias fazem você pensar “Putz, isso é a cara do Myron!!” ou “Tinha que ser o Win pra dizer uma barbaridade dessas!”, e você ri alto.
Por este motivo, foi quase um choque ter a sensação de que o tempo passou, que algumas coisas na vida deles mudaram e você não ficou sabendo, que você não esteve lá para acompanhar.
Ok, isso parece um bocado de exagero, mas acredito que quem teve a oportunidade de ler livros (em especial, séries) com personagens tão envolventes deve entender o que senti.

Com relação à história em si, notei que a sua amplitude aumentou consideravelmente, tendo outros países como cenário e abrangendo terrorismo e instituições internacionais. Nota-se que o autor fez uma boa dose de pesquisa para poder incluir estes novos elementos em seu livro. Uma das descrições de Paris é de fazer o leitor sentir inveja de Myron.

Quanto à qualidade do enredo, não há muito mais o que dizer de Harlan Coben que eu já não tenha dito nas resenhas anteriores: li de forma atropelada, desesperada para saber a solução dos mistérios, não conseguia ir fazer xixi de tanto que o livro me prendia, e no final da história, todos os pontos foram amarrados de forma perfeita. Cheguei até a cogitar a possibilidade de parar de resenhar Harlan Coben (não necessariamente parar de lê-lo) para não ser tão repetitiva nos elogios a esse autor que, com razão, é chamado de “Mestre das noites em claro”.
Quando Ela Se Foi

Veja também:

[resenha] Eu Sei o Que Você Está Pensando

11 de junho de 2012 - segunda-feira - 12:56h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

Eu Sei o Que Você Está PensandoTítulo: Eu Sei o Que Você Está Pensando
Título original: Think Of A Number
Autor: John Verdon
País: EUA
Ano: 2010
Editora: Arqueiro
Páginas: 340
Sinopse: Eu sei o que você está pensando propõe um enigma que parece insolúvel. Um homem recebe pelo correio uma carta que termina da seguinte forma – “Se alguém lhe dissesse para pensar em um número, sei em que número você pensaria. Não acredita? Vou provar. Pense em qualquer número de um a mil. Agora veja como conheço seus segredos”. O destinatário, Mark Mellery, pensa no número 658 e, ao abrir um envelope que acompanha a mensagem, descobre que o autor da carta previu corretamente o número que ele acabara de escolher de modo aleatório. Desesperado com os bilhetes ameaçadores que se seguem à carta, Mark procura um velho colega de faculdade, o detetive David Gurney, recentemente aposentado do Departamento de Polícia de Nova York. Aos 47 anos, David acaba de se mudar com a esposa para uma fazenda no interior do estado e tenta se adaptar a um novo estilo de vida. Mas sua mente, extremamente lógica, é fisgada pelo quebra-cabeça apresentado por Mark. Ele percebe que encontrou um vilão à sua altura quando as estranhas ameaças terminam em morte. Tudo leva a crer que o assassino, além de ser clarividente, cometeu um crime impossível, deixando pistas sem sentido e desaparecendo no meio do nada. Consumido pelo desafio de encontrar uma resposta lógica para o caso, David aceita trabalhar como consultor na investigação, colocando em risco seu já debilitado casamento e até mesmo sua vida.
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A clara progressão das pegadas na neve, uma depois da outra, seguindo por oitocentos metros ou mais, simplesmente acabava. Não havia nenhum sinal do que acontecera ao indivíduo que as tinha deixado.
[...]
Era como se o assassino tivesse andado objetivamente até esse lugar, parado ali, mudando o peso do corpo de um pé para o outro durante alguns minutos, talvez esperando alguém ou alguma coisa, e então… evaporado.

Avaliação:
A sinopse é fantástica, o título é intrigante e a capa chama a atenção. Livros assim há de monte, principalmente do gênero policial/suspense. Muitos são apenas propaganda, mas Eu Sei o Que Você Está Pensando faz parte da lista dos que não só cumprem com a promessa, como também o fazem de forma elegante e atendem a expectativa mais do que satisfatoriamente.

A proposta do enredo é realmente de queimar o cérebro. Como diabos esse criminoso sabe em qual número que a pessoa pensou? Que pistas são essas que não ajudam em nada a descobrir quem é esse assassino?
A narrativa é em 3ª pessoa, mas sendo o detetive David Gurney o personagem principal, todo o desenvolvimento da história é baseado no ponto de vista dele. É extremamente agradável acompanhar o desenrolar do seu raciocínio para montar o quebra-cabeça que ajudará a encontrar o criminoso. Também sob a ótica de David Gurney, são apresentadas as personalidades dos demais personagens. Com tantos anos de experiência na profissão, o detetive sabe ler em cada expressão, olhar e tom de voz as motivações e receios das pessoas com quem interage. A “materialização” destes personagens na imaginação do leitor é um atrativo à parte.
Um outro ponto que eu, particularmente, gostei bastante, foi das informações técnicas apresentadas em algumas ocasiões da história. Num livro policial, aparecem diversos profissionais ligados à área, como médicos legistas e psiquiatras, havendo muitas discussões referentes a crimes e seus autores. Se as informações que eu li forem realmente legítimas, eu adorei o aprendizado que me foi proporcionado.

Eu me arriscaria a dizer que Eu Sei o Que Você Está Pensando se trata de um livro muito mais mental do que necessariamente de ação, onde o ritmo da história não é atropelado. Há muitos diálogos, muitas análises, alguns devaneios. Eu recomendaria aos leitores que não só gostam do gênero, mas que também têm o costume de tentar desvendar o mistério juntamente com a evolução da leitura.
Eu Sei o Que Você Está Pensando