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[resenha] Metamorfose?

6 de abril de 2014 - domingo - 15:43h   ¤   Categoria(s): Aventura / Fantasia, Literatura estrangeira, Resenhas, Terror / Sobrenatural

Metamorfose?Título: Metamorfose?
Título original: Changeless
Autor: Gail Carriger
País: EUA
Ano: 2010
Editora: Valentina
Páginas: 318
Sinopse: Alexia Maccon, a esposa do Conde de Woolsey, é arrancada do sono cedo demais, no meio da tarde, porque o marido, que deveria estar dormindo como qualquer lobisomem normal, está aos berros. Dali a pouco, ele desaparece – deixando a cargo dela um regimento de soldados sobrenaturais acampados no jardim, vários fantasmas exorcizados e uma Rainha Vitória indignada. Mas Lady Maccon conta com sua fiel sombrinha, seus artigos da última moda e seu arsenal de respostas mordazes. Mesmo quando suas investigações a levam à Escócia, ela está preparada e acaba provocando uma verdadeira reviravolta na dinâmica da alcateia, como só uma preternatural é capaz de fazer. Talvez até encontre tempo para procurar seu imprevisível marido. Mas apenas se… lhe der vontade.
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A preternatural o fuzilou com os olhos e, em seguida, concentrou o olhar penetrante no indefeso Tuntstell, sentado do outro lado da mesa, junto aos zeladores. Se o professor Lyall não queria contar, talvez Tunstell o fizesse. O ruivo arregalou os olhos ao sentir sua mirada e meteu depressa na boca um pedaço enorme de vitela, tentando dar a entender que não sabia de nada.

Avaliação:

Aviso: esta resenha revela detalhes finais do livro Alma?, o primeiro volume da série O Protedorado da Sombrinha.

Um estranho fenômeno aconteceu em Londres: subitamente, dentro de uma área definida da cidade, os poderes dos sobrenaturais parecem ter sido neutralizados. Lobisomens não conseguiam se transformar, vampiros não conseguiam expor suas presas e fantasmas acabavam sendo exorcizados. De repente, também, Lorde Maccon vai viajar sem dar muitas explicações a Alexia.

Por alguma estranha coincidência, a força neutralizadora desaparece assim que a alcateia escocesa, que estava na cidade, vai embora. Por outra estranha coincidência, Alexia fica sabendo que seu marido viajou à Escócia para tratar de assuntos de família. Qual a única coisa que ela tem a fazer diante de toda essa situação caótica? Investigar, é claro.
Com a ajuda de diversos antigos e novos amigos, a preternatural ruma à Escócia para descobrir o que todos esses acontecimentos têm a ver uns com os outros.

Metamorfose?, o segundo livro da série, continua com a mesma característica do primeiro: leve, divertido, diferente, encantador, engraçado. Alexia continua sendo o mulherão hilário e apaixonante com sua inteligência, seu sarcasmo e seus comentários afiados.
O enredo da história também está com o mesmo ritmo que prende o leitor, com mistérios a serem resolvidos, situações bizarras, cenas de ação, pitadas de sensualidade, tecnologia do “futuro do pretérito” e, lógico, diálogos deliciosos de se ler.

Talvez vocês tenham ouvido falar que a série quase foi descontinuada aqui no Brasil, mas, “grazadeus”, está tudo resolvido e, nós leitores brasileiros, poderemos continuar nos deleitando com uma das melhores séries sobrenaturais steampunk da atualidade. Até porque, bem, depois do final surpreendentemente desconcertante desse segundo livro, eu fiquei sem fala, de queixo caído, com uma questão de vida ou morte para ter minha pergunta respondida: “Mas… mas… como assim???”.

Como eu disse na resenha do livro anterior, se você não quer ler um livro nhenhenhéin sobre vampiros, lobisomens e fantasmas, leia essa série.
Metamorfose?

[resenha] A Princesa de Gelo

26 de janeiro de 2014 - domingo - 22:04h   ¤   Categoria(s): Desafios, Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

A Princesa de GeloTítulo: A Princesa de Gelo
Título original: The Ice Princess
Autor: Camila Läckberg
País: Suécia
Ano: 2002
Editora: Planeta
Páginas: 365
Sinopse: “A Princesa de Gelo”, primeira aventura de Erica Falck, uma biógrafa que encontra seu passado mergulhado num lago gelado de sangue. A história leva o leitor a acompanhar os passos de Erica e descobrir por que grandes segredos permaneceram tanto tempo escondidos e como o silêncio pode matar a alma.
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Por sorte, os olhos do cadáver estavam fechados, mas os lábios tinham uma coloração azul-clara. Uma fina camada de gelo se formara ao redor do seu dorso, escondendo a parte inferior do corpo completamente. O braço direito, manchado de sangue, caía debilmente da beira da banheira, e os dedos estavam mergulhados na piscina congelada de sangue no chão. Havia uma lâmina na beira da banheira.

Avaliação:
Na contracapa de A princesa de gelo está escrito que Camila Läckberg é a nova rainha do crime. As primeiras coisas que me passaram pela cabeça foram: “Uôu, que responsabilidade! Será que ela é tudo isso mesmo? Será que ela não se sentiu intimidada ao receber este título, já que todo mundo pensaria a mesma coisa que eu estou pensando?”
Só tinha um jeito de saber: lendo o livro.

Então, lá fui eu parar no pequeno povoado de Fjällbacka, na Suécia, onde, segundo a história, uma mulher chamada Alexandra Wijkner foi encontrada morta, com os pulsos cortados e congelada, dentro da banheira da antiga casa onde havia morado na infância.
Erica Falck, protagonista do livro, esteve morando em Estocolmo nos últimos anos, trabalhando como escritora de biografias, mas voltou a Fjällbacka por conta do falecimento de seus pais. Ela e Alexandra eram melhores amigas quando crianças, mas estiveram separadas durante 25 anos, desde que Alexandra fora embora repentinamente para Gotemburgo com sua família, sem nem ao menos se despedir de Erica. Mesmo não sendo policial, a escritora se vê envolvida nas investigações da morte da amiga, que, apesar das primeiras impressões, não foi suicídio.
Pouco a pouco, conforme evidências do crime começam a vir à tona, junto com elas, emergem também segredos enterrados há muito tempo no fundo das lembranças de alguns moradores do povoado.

A primeira coisa que eu posso dizer sobre A princesa de gelo é que este livro tem um enredo muito bem estruturado. Eu não sei se tenho condições de confirmar se Camila Läckberg realmente se compara a Agatha Christie, pois li apenas 1 livro da clássica escritora. Entretanto, gostei muito de algumas semelhanças de estrutura, como os milhares de segredos guardados e como quase todos os personagens são suspeitos do crime. À medida que a investigação avança e os segredos vão sendo revelados, as pontas vão sendo amarradas e o emaranhado da rede toma forma, acabando por explicar por que Alexandra foi assassinada. E, bem no finzinho, quando você acha que ainda há dúvidas pendentes de explicação, um último nó é atado e você tem a sensação de certeza que de nenhuma ponta ficou solta.

O que eu achei um pouco diferente nesse livro em relação aos outros que eu tenho lido (independentemente do gênero) é que não há nenhum personagem que se destaque em termos de personalidade. Todos são pessoas razoavelmente comuns no seu jeito de ser e nenhum deles é necessariamente apaixonante (como Myron Bolitar ou Alexia Tarabotti, por exemplo). Entretanto, isso não diminui em nada a qualidade do livro, pois o que prende o leitor é realmente o enredo e o seu desenvolvimento.

Uma certeza que eu tenho em relação à autora é que eu quero muito ler as sequências. Aos que têm repulsa por séries, muita calma: pelo que eu entendi, os livros são independentes, bem no estilo Harlan Coben. Além de querer ler mais histórias ótimas como as de A princesa do gelo, eu quero muito saber como vai evoluir a vida dos personagens que continuam aparecendo nos próximos livros.

Este livro foi a meta de novembro do Projeto Variedade Literária.
A Princesa de Gelo

[resenha] O Menino da Mala

14 de outubro de 2013 - segunda-feira - 09:27h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

O Menino da MalaTítulo: O Menino da Mala
Título original: Dregen i kufferten
Autor: Lene Kaaberbøl e Agnete Friis
País: Dinamarca
Ano: 2008
Editora: Arqueiro
Páginas: 252
Sinopse: Atendendo a um pedido de sua amiga Karin, Nina Borg vai à estação ferroviária de Copenhague buscar uma mala. Dentro, encontra um menino de 3 anos nu e dopado, mas vivo.
A única que pode esclarecer esse absurdo é Karin, mas ela é brutalmente assassinada. Nina se dá conta de que sua vida está ameaçada e que o garoto também precisa ser salvo.
Neste primeiro livro da série da enfermeira Nina Borg, vendido para 27 países, as autoras Lene Kaaberbøl e Agnete Friis apresentam uma heroína que busca fazer justiça em meio à crueldade do mundo.
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Estranhamente, o menino era muito mais leve em seus braços do que no interior da mala. Tão leve quanto uma pluma. Nina podia sentir no próprio pescoço o ar quente que ele soprava em preguiçosas lufadas. Meu Deus. Quem seria capaz de fazer uma coisa dessas a uma criança?

Avaliação:
Uma das primeiras coisas que eu notei no livro, ao longo da leitura, é que a lógica da sua sequência é diferente da dos livros americanos do mesmo gênero. Em O Menino da Mala, não demora muito para o leitor saber quem são as pessoas e o que elas fizeram. A estrutura da história foca mais no “porquê” e no “como”. Ainda no começo do livro, já é possível saber quem é o garoto, quem o colocou na mala e a mando de quem. Mas como ele foi parar lá e por qual motivo é justamente a forma como o enredo será desenvolvido.
Inicialmente, as autoras apresentam diversos personagens, em cenários diferentes, dando a entender que todos se encontrarão no final, quando a trama for amarrada e concluída.

Talvez seja somente falta de costume, mas a sensação que este tipo de estrutura traz é diferente. Não há ansiedade ou afobação. A leitura parece mais calma, como se fosse apenas questão de tempo para o leitor chegar a todas as explicações. O ruim é que isso não gera aquela curiosidade desesperada; não há muito envolvimento com o livro ou com os personagens. Parece que o leitor é apenas um espectador plácido enquanto os coitadinhos dos personagens estão lá se matando no palco. Por que se descabelar junto com uma mãe que perdeu seu filho se é possível saber o tempo todo que ele está bem, nas mãos de uma enfermeira que está fazendo o possível para ajudá-lo? É um outro ritmo. Dá tempo de se pensar um pouco, raciocinar melhor sobre a história, sem atropelos. Mas, como leitora, eu pergunto se isso é legal em um livro policial.
Uma amiga minha, acostumada a ler livros cheios de assassinato, sangue e investigação, me disse que esse formato é comum aos livros nórdicos. Eu apenas li O Hipnotista – e o achei bem normalzão –, então não tenho muito parâmetro para dizer qual tipo de estrutura prefiro, mas confesso que senti falta de ser agarrada pelas orelhas, com alguém me dizendo “Vem, Lia, vamos descobrir toda essa podridão juntos”.

A história é muito boa, sim, isso eu não vou negar. O final é surpreendente, há reviravoltas e surpresas que amenizam um pouco toda aquela sensação de previsibilidade que o livro vem trazendo o caminho inteiro.
No meu caso, acho que é questão de ler mais autores nórdicos para me acostumar. De qualquer forma, ainda assim, eu recomendo esse livro, principalmente para se sair daquela mesmice de perseguições alucinadas nos cenários já batidos das cidades-padrão dos Estados Unidos.
O Menino da Mala

Leia um trecho: aqui

[resenha] Madame Bovary

29 de setembro de 2013 - domingo - 11:09h   ¤   Categoria(s): Desafios, Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Madame BovaryTítulo: Madame Bovary
Título original: Madame Bovary
Autor: Gustave Flaubert
País: França
Ano: 1857
Editora: L&PM
Páginas: 334
Sinopse: ‘Madame Bovary’ trata da desesperança e do desespero de uma mulher que, sonhadora, se vê presa em um casamento insípido, com um marido de personalidade fraca, em uma cidade do interior. O romance mostra o crescente declínio da vida – interna e externa – de Emma Bovary.
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Gostava do mar apenas pelas suas tempestades e da verdura só quando a encontrava espalhada entre ruínas. Tinha necessidade de tirar de tudo uma espécie de benefício pessoal e rejeitava como inútil o que quer que não contribuísse para a satisfação imediata de um desejo do seu coração – tendo um temperamento mais sentimental do que artístico e interessando-se mais por emoções do que por paisagens

Avaliação:
Eu gosto muito de ler clássicos. Acho que eles têm muito a ensinar. Sobre uma época, sobre um lugar, sobre o autor, sobre costumes e valores. Mas eu sempre reivindiquei para mim o direito de não gostar do que li. Estes livros podem ensinar muito, podem ser importantíssimos para a literatura, mas não quer dizer que a leitura sempre será agradável. Foi o caso de O Morro dos Ventos Uivantes. É o caso, agora, de Madame Bovary.
Mas não é que eu detestei o livro. O que aconteceu foi apenas que ele não me apeteceu como deveria, afinal, é uma história que se passa na França do século XIX. O motivo da minha apatia talvez seja o fato de eu ter lido O Primo Basílio há pouquíssimo tempo. Eça de Queirós foi acusado de plágio por essa obra. Verdade ou não, justo ou não, as duas obras realmente têm bastante semelhanças.
Emma Bovary, assim como Luísa, gostava muito de ler romances e se encantava com as histórias de paixões arrebatadoras que os personagens viviam. Ambas tinham uma vida enfadonha dentro de seus casamentos e ambas cometeram adultério em busca de emoções, apesar de toda a ilusão que as acompanhava. E tiveram, cada uma à sua maneira, um fim trágico.

O autor, Gustave Flaubert, foi levado a julgamento por causa deste livro, acusado por ofensa à moral e à religião. Achei interessante e, ao mesmo tempo, um pouco triste perceber como as questões moralísticas e religiosas da época simplesmente parecem tolas aos nossos olhos da atualidade. Fruto dos valores que prevalecem hoje, o adultério é tido como algo banal, e o aspecto ameaçador da religião é digno de zombaria.

O livro começa contando sobre a infância de Charles Bovary. Ele era um garoto que vivia na área rural e que mais tarde foi mandado para a escola, na cidade, para estudar. Posteriormente, formou-se médico. Com ajuda da sua mãe, casou-se com uma viúva rica, porém seca e amarga. Em uma consulta ao velho sr. Rouault, tem a chance de conhecer a filha dele, Emma. Pouco tempo depois, sua primeira esposa morre e Charles acaba por pedir Emma em casamento. Entretanto, com pouco tempo de casada, Emma já começa a se incomodar com a monotonia dos seus dias. Sendo ela uma mulher estudada, logo passa a sentir desprezo pela simplicidade – muitas vezes ingenuidade – do seu marido. O amor que ele lhe oferecia estava infinitamente longe do que ela havia sonhado para si, baseado no que havia lido nos romances de sua juventude.

Além de todo o desenrolar decorrente da inquietação de Emma, o livro também possibilita conhecer um pouco da região norte da França, nos arredores de Rouen, mostrando-nos os hábitos e pensamentos da época. As notas de rodapé, ótimas, explicam o contexto cultural e histórico, e você aprende bastante lendo-as.
Entretanto, apesar de a história ser interessante, não me senti cativada pelo texto. Não foi uma leitura que tenha enchido meu coração. Com relação aos personagens, eles têm suas características muito bem descritas, mas parecem impessoais e distantes, como se o leitor não conseguisse se aproximar deles para conhecê-los melhor. Há livros em que o autor praticamente joga o leitor dentro da história, como se fosse amigo íntimo dos personagens. Há outros em que o leitor sente que se torna o próprio personagem, entrando em sua alma e entendendo-a, tamanha é a identificação. Infelizmente, Madame Bovary não se encaixa em nenhum destes dois casos.

De qualquer forma, é um livro que valeu muito a pena ter lido, principalmente pela sua importância histórica e moral. A minha recomendação é que se leia, de preferência, com um intervalo bem grande entre ele e O Primo Basílio.

Esta resenha, errr, veja bem… faz parte da meta de agosto (!?!?) do Projeto Variedade Literária.
Madame Bovary

[resenha] Um gato de rua chamado Bob

16 de setembro de 2013 - segunda-feira - 10:01h   ¤   Categoria(s): Animais, Biografia, Literatura estrangeira, Resenhas

Um gato de rua chamado BobTítulo: Um gato de rua chamado Bob
Título original: A street cat named Bob
Autor: James Bowen
País: Inglaterra
Ano: 2013
Editora: Novo Conceito
Páginas: 236
Sinopse: É uma tarde de outono em Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de todos os lados e clientes entram e saem das lojas. No meio de tudo isso está um gato. Usando um vistoso lenço Union Jack em volta do pescoço e cercado por uma multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja, sorri – é, sorri – timidamente. Próximo a ele, está seu dono James Bowen, com seu violão surrado, cantando músicas do Oasis. Então, ele para de tocar e se abaixa para Bob – ‘Vamos, Bob, cumprimente!’, diz. Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e a estende para James. A multidão assobia. Não é todo dia que se vê um gato sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se abalar com o barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento – mas Bob não é um gato comum…
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Eu estava começando a amar o modo como Bob parecia ser capaz de iluminar o dia das pessoas. Ele era uma bela criatura, não havia dúvida. Mas não era apenas isso. Havia algo mais em Bob. Era sua personalidade que estava atraindo a atenção. As pessoas podiam sentir algo nele.

Avaliação:
Se alguém me perguntasse do que se trata o livro e eu tivesse que responder em uma única frase, seria: “É a história de um gato que tirou um cara do vício das drogas”. Acho que essa frase, por si só, já deixa implícito o quanto o livro é emocionante e o quanto Bob é um animal fantástico. O resto, em detalhes, o leitor vai acabar descobrindo (ou confirmando) ao longo da leitura.

Um gato de rua chamado Bob conta como James Bowen teve sua vida totalmente transformada quando um gato laranja apareceu no prédio onde havia começado a morar recentemente. James era um viciado em heroína lutando para se livrar das drogas. Ex-morador das ruas de Londres, estava há pouco tempo habitando um apartamento numa moradia subvencionada, voltada especialmente para ajudar pessoas que estão tentando reiniciar suas vidas. O gato estava em um estado bastante fragilizado. Magro, com partes da pelagem faltando e um ferimento na perna, ele acabou contando com a ajuda e atenção de James para se recuperar. Foi levado ao veterinário e foi até castrado. Quando o gato, já batizado de Bob, estava curado, James achou que poderia deixá-lo ir embora. Mas Bob resolveu ficar. Tendo como amigo um animal surpreendentemente inteligente e companheiro, James passou a ter um motivo para acordar todos os dias e se manter “limpo”.
As histórias das aventuras de James juntamente com Bob são de derreter o coração. O livro já me fez querer chorar logo na segunda página. Eu adoro gatos, mas infelizmente ainda não tive um para mim. Cheguei a conviver com alguns durante a minha infância, mas apenas de forma superficial. Nunca tive chance de ser muito próxima deles e muito menos tive um para chamá-lo de “meu”. Gosto deles, mas não sei como eles são, não conheço detalhes dos seus comportamentos. Por esse motivo, os relatos de James sobre a personalidade e as atitudes de Bob me encantavam de forma covarde, além de terem sido ótimo aprendizado. Eu não fazia ideia, por exemplo, de que machos que atingem a maturidade sexual costumam ser mais bochechudos, e esta era justamente uma das características que me chamavam a atenção nas fotos que via do Bob.

Após o fim da leitura, é como se a história de James e Bob ficasse em você. No meio da tarde, você se pega pensando neles, preocupada, com vontade de proteger Bob e querendo saber se James está conseguindo se recuperar bem da abstinência. É como se a existência deles fizesse parte da sua vida. O livro acaba, mas o seu vínculo emocional com os “meninos” demora para se dissolver.
Um gato de rua chamado Bob

Baixe o trecho do livro: aqui

Vídeo:
Um videozinho pra dar um gostinho… =)