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[resenha] O Dia do Curinga

26 de outubro de 2011 - quarta-feira - 17:10h   ¤   Categoria(s): Aventura / Fantasia, Literatura estrangeira, Resenhas

O Dia do CuringaTítulo: O Dia do Curinga
Título original: Kabalmysteriet
Autor: Jostein Gaarder
País: Noruega
Ano: 1995
Editora: Companhia das Letras
Tradutor: João Azenha Jr.
Páginas: 378
Sinopse: ‘Você já pensou que num baralho existem muitas cartas de copas e de ouros, outras tantas de espadas e de paus, mas que existe apenas um curinga?’, pergunta à sua mãe certa vez a jovem protagonista de O mundo de Sofia. Esse é o ponto de partida deste outro livro de Jostein Gaarder, a história de um garoto chamado Hans-Thomas e seu pai, que cruzam a Europa, da Noruega à Grécia, à procura da mulher que os deixou oito anos antes. No meio da viagem, um livro misterioso desencadeia uma narrativa paralela, em que mitos gregos, maldições de família, náufragos e cartas de baralho que ganham vida transformam a viagem de Hans-Thomas numa autêntica iniciação à busca do conhecimento – ou à filosofia.
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Você sabe o que sua avó me disse um dia? Ela disse ter lido na Bíblia que Deus está lá no céu e ri das pessoas que não acreditam nele. [...] Se há um Deus, que nos criou, então de uma certa forma somos “artificiais” aos seus olhos. [...]Se nós fôssemos capazes de criar um ser artificial, Hans-Thomas, nós também iríamos rachar o bico de rir se esse ser artificial saísse por aí falando um monte de bobagens sobre os índices da bolsa de valores ou sobre corridas de cavalos, por exemplo, sem perguntar a coisa mais simples e importante de todas: “De onde é que eu vim?”.

Avaliação:
Ao mesmo tempo em que conta a história da viagem de Hans-Thomas com seu pai, da Noruega à Grécia em busca de sua mãe/esposa, “O Dia do Curinga” conta uma outra história, contida em um livro que Hans-Thomas ganha de forma misteriosa no caminho da viagem.
É através dessas divertidas histórias dentro de histórias que o autor transmite sua mensagem, de forma homeopática e, por pouco, imperceptível.

Não me sinto muito à vontade para contar diretamente qual é essa mensagem, ou melhor, essa “luz nos olhos”, que Jostein Gaarder deseja jogar na gente, uma vez que a própria leitura do livro faz parte do processo. O que eu posso dizer é que um curinga dentro de um baralho é como se fosse alguém diferente, que se destaca e consegue enxergar coisas que “cartas comuns” deixam de ver, por viver seu dia-a-dia de forma automática e inquestionável. O trecho que eu coloquei na citação acima também dá uma boa dica do que o livro se trata. E apesar de parecer, não há uma intenção de cunho religioso, mas sim de algo muito maior.

O fato de haver histórias de histórias dentro de mais histórias pode confundir um pouco o leitor com os diversos personagens, mas ainda assim, a leitura é fluida e você nem percebe que está aprendendo enquanto se distrai.

Antes mesmo de o livro chegar ao fim, você já vai desejar lê-lo de novo.
O Dia do Curinga

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