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[resenha] O Morro dos Ventos Uivantes

5 de janeiro de 2012 - quinta-feira - 10:48h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

O Morro dos Ventos UivantesTítulo: O Morro dos Ventos Uivantes
Título original: Wuthering Heights
Autor: Emily Brontë
País: Reino Unido
Ano: 1847
Editora: Lua de Papel
Tradutor: Ana Maria Chaves
Páginas: 292
Sinopse: A obra conta a história da paixão entre Heathcliff e Catherine na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes. Amigos de infância, eles são separados pelo destino, mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta – um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança.
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– Não pretendia rir de ti – disse ela. – Mas foi mais forte do que eu. Vá lá, Heathcliff, ao menos dá-me um aperto de mão! Por que estás aborrecido? Foi só porque te estranhei. Se lavares a cara e penteares o cabelo, tudo mudará. Mas sempre estás muito porco!
E ficou olhando, preocupada, para aquela mão toda suja que estava a apertar e para o vestido, com medo de tê-lo sujado.
– Não precisavas ter me tocado! – retorquiu ele, libertando bruscamente a mão, como se tivesse adivinhado o seu pensamento. – Sou porco, gosto de ser porco e serei sempre porco!
E, dizendo isto, saiu precipitadamente da sala, perante a satisfação dos patrões e a incredulidade de Catherine, que não compreendia por que razão seus comentários tinham dado lugar a tamanha manifestação de mau humor.

Avaliação:
Eu me interessei por comprar este livro porque sabia que era um clássico, mas também porque notei que nas livrarias estavam aparecendo várias edições dele, de diversas editoras. E pensava: “Por que é que este livro está tão em evidência?” Foi só depois de tê-lo comprado, manuseando-o em casa, é que li o pequeno selo vermelho na capa, onde diz que é o livro preferido do Edward e da Bella. Como eu somente assisti aos filmes, mas não li a saga Crepúsculo, eu não fazia nem ideia. De qualquer forma, esta pequena nota e a contracapa me deixaram bastante curiosa e me deram a entender de que se tratava de uma intensa história de amor.

A história é narrada através das lembranças de Ellen Dean, uma mulher que foi governanta nas propriedades Morro dos Ventos Uivantes e Granja dos Tordos, onde se passa o enredo. Suas memórias retornam no tempo para mais de 20 anos antes, quando um garoto chamado de Heathcliff foi retirado das ruas e trazido para a casa dos Earnshaw pelo próprio chefe da família.
Sendo o menino de pele escura e estando sujo e maltrapilho, fora logo tratado com desprezo por todos da casa, exceto por Catherine, filha do sr. Earnshaw, de quem ficou muito amigo. Desta amizade, cresce uma proximidade muito forte, o que acaba se tornando, naturalmente, um intenso amor.
Entretanto, poucos anos mais tarde, por força das conveniências sociais, Catherine casa-se com Edgar Linton, um dos filhos da respeitável família vizinha. A partir daí, inicia-se toda uma saga de ódio e vingança por parte de Heathcliff, que atingirá as famílias Earnshaw e Linton, juntamente com seus descendentes, causando-lhes constante e praticamente interminável sofrimento.

Infelizmente o livro não foi bem o que eu esperava. A intensidade que caracteriza a história de amor entre Catherine e Heathcliff é de um aspecto bastante negativo e a personalidade dos personagens me causava angústia e irritação.
Com a exceção de Ellen Dean e o sr. Lockwood (que é, na verdade, apenas um “recurso” na narrativa), todos os outros se encaixam em pelo menos uma destas terríveis características: malvado, manipulador, chantagista, egocêntrico, egoísta, orgulhoso, dramático ou mimado.
A energia emanada não é das mais agradáveis e eu não consegui ter prazer na leitura.

Sei que muita gente tem este livro como seu favorito e que se encanta com a história, e eu confesso que gostaria de ter enxergado as coisas desta forma. Talvez eu tenha sido pega de surpresa, com uma expectativa errada, e talvez se eu ler o livro novamente daqui a alguns anos, minhas impressões mudem.
Mais uma vez, como acontece com todo livro que não me agrada, estou aberta a discussões e explicações. Fiquem à vontade para me esclarecer qual foi a parte que eu não “captei”, rs.

Com relação ao livro em si, eu gostei bastante da capa da edição da Lua de Papel. Se a intenção era associar o livro à saga Crepúsculo, ficou perfeita! Dentro, nas páginas, a cada início de capítulo, tem uma espécie de marca d’água da imagem da flor da capa do livro.
O Morro dos Ventos Uivantes
Sendo um clássico de respeito, esta história teve inúmeras adaptações. No cinema, Wuthering Heights virou filme em 1920, 1939, 1954 (por Luis Buñuel), 1970, 1992 e 1998. Em 2003, a MTV fez uma versão adolescente, com a história se passando na Califórnia.
Adaptações em séries foram feitas em 1978 e 2009. No Brasil, o clássico virou novela em 1967 e 1973.

Quando estava pesquisando o nome do livro em japonês, encontrei uma versão em mangá que parece ser muito legal, na Amazon do Japão. Clique na imagem, que é possível olhar um trecho da revista.
O Morro dos Ventos Uivantes

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[resenha] O Médico e o Monstro

3 de novembro de 2011 - quinta-feira - 16:38h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Terror / Sobrenatural

O Médico e o MonstroTítulo: O Médico e o Monstro
Título original: The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde
Autor: Robert Louis Stevenson
País: Escócia
Ano: 1886
Editora: L&PM
Tradutor: José Paulo Golob, Maria Angela Aguiar e Roberta Sartori
Páginas: 62
Sinopse: Esta obra traz à vida uma história sobre a natureza humana e a dualidade entre o bem e o mal. O livro acompanha a investigação do advogado Gabriel John Utterson sobre as estranhas ocorrências com seu amigo Dr. Henry Jekyll, um homem recatado, elegante, que protege, até depois de sua morte, Edward Hyde, um criminoso de feições grosseiras e hábitos assustadores.
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– [...] O nome do homem era Hyde.
– Hmm – fez Mr. Utterson. – Qual a aparência dele?
– Ele não é fácil de descrever. Há algo de errado com sua aparência, alguma coisa desagradável, alguma coisa realmente detestável. Nunca vi nenhum outro homem a quem detestasse tanto, e devo confessar que não saberia dizer por quê. Ele deve ter alguma deformidade em algum lugar do corpo, embora não consiga especificar em que ponto.

Avaliação:
O ponto de partida desta clássica história se dá durante um dos passeios dominicais a pé de Gabriel John Utterson com seu primo Richard Enfield, quando este lhe conta sobre um episódio que presenciou, em uma madrugada, de um estranho homem que pisoteou uma criança. Este homem, de nome Edward Hyde, era herdeiro do médico Henry Jekyll, conforme o testamento que estava em poder do advogado Mr. Utterson.

Como dito na sinopse, esta história trata do fenômeno das múltiplas personalidades, que ocorre nas pessoas não somente em forma de doenças psiquiátricas, mas simplesmente no fato de termos sempre um lado bom e um lado mau dentro de nós mesmos.

Apesar de a história ser bem curta, achei a leitura um pouco cansativa, envolta em mistérios de uma maneira bem nebulosa, com os fatos obscuros e a presença de percepções não-ditas. Toda a explicação é dada no final, de forma que você sente necessidade de relê-la, também encorajado pela pequena quantidade de páginas.

Aliás, o livro onde eu li O Médico e o Monstro, na verdade, é uma coletânea contendo também Drácula, de Bram Stoker e Frankenstein, de Mary Shelley. Chama-se Clássicos do Horror, da Série Ouro da L&PM. Um pouco pesado pra carregar ou segurar ao ler, mas vale a pena, por já ter as 3 histórias logo de uma vez, e provavelmente ser mais barato do que se comprasse os 3 livros separados.
O Médico e o Monstro

Filme:
Para complementar a leitura, eu assisti o filme de 1931, considerado uma das versões mais clássicas. O enredo central não muda muito, mas a história do filme difere em muitas partes, como a presença de personagens femininas, que não existem no livro. O que eu achei mais interessante foi a oportunidade de poder ver como era o estilo de filmagem, atuação e efeitos especiais do começo do século XX.
Eu não encontrei nenhum trailer, mas segue abaixo um trecho do filme.

Além disso, a história do dr. Jekyll e do Mr. Hyde é um legado cultural tão importante que gerou inúmeras adaptações. Uma das mais bonitinhas é a do Frajola e do Piu-piu. Rsrs…

Veja também:

[autor] Agatha Christie

15 de setembro de 2011 - quinta-feira - 16:12h   ¤   Categoria(s): Autores

Agatha Christie (✫ Torquay, Inglaterra, 15.set.1890 – † Wallingford, Inglaterra, 12.jan.1976) foi uma escritora britânica. Agatha Christie
Considerada a “Rainha do Crime”, é autora de mais de 80 livros e coleções de contos, diversas peças de teatro e 6 romances românticos sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Com 4 bilhões de cópias vendidas de seus romances que foram traduzidos para pelo menos 103 idiomas, Agatha Christie é superada somente pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare.

Caçula de 3 filhos, Agatha foi educada dentro de casa, por decisão de sua mãe, que acreditava que crianças não deveriam aprender a ler antes dos 8 anos de idade. Aos 5, a garota aprendeu a ler sozinha. Sua educação foi dada basicamente através dos seus pais, de tutores e babás/damas de companhia. Dentre seu aprendizado estavam matemática, conhecimentos gerais, piano, canto, dança e francês.

Durante a I Guerra Mundial, a escritora foi enfermeira e, posteriormente, farmacêutica em um hospital, funções que influenciariam seu trabalho, já que muitos dos assassinatos em seus livros se dariam através de venenos.

Após um conturbado “namoro” de 2 anos, Agatha casou-se pela primeira vez em 1914 com Archibald Christie, piloto do Corpo Real de Aviadores. O casal teve somente uma filha, Rosalind, nascida em 1919, que também viria a ser a única filha de Agatha e mãe de seu único neto, Mathew Prichard.

A escritora teve seu 1º romance publicado em 1920: O Misterioso Caso de Styles. O protagonista, detetive Hercule Poirot, seria personagem de mais 33 livros e dezenas de contos de Agatha Christie.

Em 1926, após seu marido ter lhe contado que estava apaixonado por outra mulher e que desejava o divórcio, a escritora desapareceu durante 11 dias, o que causou muita repercussão na imprensa. Neste mesmo ano, Agatha escreveu o que foi considerada sua obra-prima: O Assassinato de Roger Ackroyd.
O divórcio dos Christies só aconteceu de fato 2 anos depois, em 1928.
Em 1930, casou-se pela segunda vez, com o arqueólogo Max Mallowan, 14 anos mais jovem. Com o marido, Agatha viajou pelo mundo inteiro, realizando diversas expedições arqueológicas, o que serviu de inspiração para novas histórias, como Morte no Nilo. O casamento feliz com Mallowan durou até a morte da escritora.

Em 1934, no auge da carreira, Agatha publica um de seus livros mais famosos, Assassinato no Expresso do Oriente, que foi adaptado diversas vezes, para o cinema, teatro e TV.
Em novembro de 1952, estreou no Ambassadors Theatre, em Londres, a sua peça A Ratoeira. Em março de 1974, a peça foi para o St. Martin’s Theatre, onde continua sendo exibida até hoje. Por esta obra, a escritora detém o recorde no Guinness pela peça que está há mais tempo em cartaz em toda história do teatro.

Em 1971, Agatha Christie recebeu a mais alta condecoração do Reino Unido, tornando-se Dama da Ordem do Império Britânico. Em 12 de janeiro de 1976, a escritora faleceu de causas naturais e está sepultada no Cemitério da Paróquia de St. Mary, Cholsey, Oxfordshire, Inglaterra.

O Assassinato de Roger Ackroyd
O Assassinato de Roger AckroydTrês mortes estranhas em sequência despertam grande curiosidade na moradora de uma pequena vila inglesa. Ela tem então por vizinho um visitante, chamado Hércule Poirot. Essas três mortes envolvem respectivamente um assassinato, um suicídio e um segundo assassinato. O primeiro corpo é do marido de uma mulher que, depois, se suicida. Seu suicídio é seguido pela morte de um terceiro homem, que se descobre ser amante dela. A mulher, por sua vez, estava sendo chantageada em função de ter matado o marido para ficar com o amante. O assassino de seu amante talvez seja, então, o chantagista, que estava para ser descoberto, ou talvez não seja.

Assassinato no Expresso do Oriente
Assassinato no Expresso do OrientePouco depois da meia-noite, uma tempestade de neve pára o Expresso do Oriente nos trilhos. O luxuoso trem está surpreendentemente cheio para essa época do ano. Mas, na manhã seguinte, há um passageiro a menos. Um americano é encontrado morto em sua cabina, com doze facadas, e a porta estava trancada por dentro. Pistas falsas são colocadas no caminho de Hercule Poirot para tentar mantê-lo fora de cena, mas, num dramático desenlace, ele apresenta não uma, mas duas soluções para o crime.

 
Suas obras foram (e certamente continuarão sendo) adaptadas em diversos formatos e meios de comunicação, como filmes, peças, séries de TV, graphic novels, anime e até video game.
A adaptação mais famosa, de Assassinato no Expresso do Oriente, é de 1974.

Mais informações sobre a escritora: http://agathachristie.com/

Veja também:
Sequência dos livros da Agatha Christie

[resenha] O Dragão de Sua Majestade

5 de setembro de 2011 - segunda-feira - 18:47h   ¤   Categoria(s): Aventura / Fantasia, Literatura estrangeira, Resenhas

O Dragão de Sua MajestadeTítulo: O Dragão de Sua Majestade
Título original: His Majesty’s Dragon
Autor: Naomi Novik
País: EUA
Ano: 2006
Editora: Galera
Tradutor: Edmo Suassuna Filho
Páginas: 348
Sinopse: Durante a era napoleônica, uma descoberta estranha transforma os rumos de uma grande guerra entre duas das maiores potências do mundo. Um ovo de dragão encontrado em uma fragata francesa capturada pelos ingleses se torna o pivô de batalhas aéreas. Temeraire, o dragão, descobre dentro de si um poder desconhecido que mudará para sempre não só a vida de seu capitão, mas também toda a história da humanidade.
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A criatura piscou. O capitão percebeu que os olhos eram de um azul profundo, com pupila vertical. Então a criatura falou:
- Por que está de cara feia?
[...]
Laurence encarou a criatura, em seguida o pálido e assustado rapaz, para então respirar fundo e dizer:
- Peço perdão, não o fiz de propósito. Meu nome é Will Laurence; qual é o seu?
Nenhuma disciplina poderia ter evitado o murmúrio de choque que atravessou o convés. O dragonete não pareceu percebê-lo, mas pensou na pergunta por vários momentos, e finalmente disse, com ar insatisfeito.
- Eu não tenho um nome.

Avaliação:
O ovo de dragão encontrado no navio francês capturado pela Marinha Real Britânica chocou em pleno mar. De forma inesperada e totalmente fora do que havia planejado, capitão Laurence foi escolhido pela criatura e solicitado, por ela mesma, que lhe desse um nome.
Temeraire.
Ao colocar-lhe o arreio, o capitão sabia que estava preso por toda sua vida ao dragão, tendo que se tornar seu aviador, deixar a Marinha e servir a Sua Majestade no Corpo Aéreo do país.

Entretanto, ao longo da convivência e do intenso treinamento pelo qual precisam passar, Laurence e Temeraire descobrem uma inesperada afinidade que resulta numa sólida amizade entre o cavaleiro e sua fera. Juntos, evoluem em suas habilidades bélicas e enfrentam provas de fogo, dentre outras descobertas e aprendizados.

Antes de começar a ler o livro, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato de a autora ter misturado, dentro de uma única história, fantasia e fatos históricos. Mas ao longo da leitura, isto deixa de ser tão importante, passando a ter como “protagonista” o relacionamento entre o capitão Laurence e Temeraire. Os diálogos entre eles chegam a ser perturbadoramente emocionantes, tamanha é a demonstração de lealdade e vínculo de um para com o outro.

Além disto, diferentemente das outras histórias de dragões que já li, neste livro há muito pouco da tradicional aventura fantástica de magias e varinhas de condão, o que acaba tornando-o ainda mais interessante e “próximo” da realidade.

Também não pude deixar de tirar uma foto mais detalhada da capa, que é linda e, na minha opinião, mais bonita que a da edição anterior. O tom envelhecido contrasta com o título em relevo brilhante de maneira maravilhosa.

Não vejo a hora de ler as continuações!
O Dragão de Sua Majestade O Dragão de Sua Majestade

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