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[resenha] Eu, Robô

8 de março de 2015 - domingo - 15:43h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Resenhas

Título: Eu, Robô
Título original: I, Robot
Autor: Isaac Asimov
País: EUA
Edição original: 1950
Editora: Aleph
Páginas: 315
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Powell ficou boquiaberto.
– Você está sendo ridículo. Já falei que nós o fizemos.
– E se não acredita em nós – acrescentou Donovan –, ficaremos felizes em desmontá-lo!
O robô fez um gesto largo com as mãos, em desaprovação.
– Não aceito nada com base em autoridades no assunto. Uma hipótese deve ser sustentada pela razão, caso contrário não tem valor… e supor que vocês me fizeram vão contra todos os preceitos da lógica.

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

As Três Leis da Robótica de Isaac Asimov são apresentadas pela primeira vez nos contos que foram compilados na coletânea Eu, robô. Esta coletânea, de dezembro de 1950, contém 9 contos do autor, publicados em revistas entre 1940 e 1950.
A linha que costura e dá coesão à sequência dos contos é o relato de uma entrevista feita com a dra. Susan Calvin, psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc. Nascida em 1982, dra. Calvin aceitou conceder essa entrevista às vésperas de sua aposentadoria, aos 75 anos. Ou seja, o “tempo atual” do livro se passa um pouco depois do ano 2057.
Ao entrevistador, a dra. Calvin relembra os casos mais interessantes sobre os robôs da U.S. Robots, que são justamente os contos da coletânea. Na lista abaixo, seguem eles na ordem em que aparecem no livro, com sua data de publicação e uma sinopse bem curta.

Robbie - set/1940 – Ainda da época em que robôs não tinham a capacidade de se comunicar pela fala, Robbie é o robô-babá da família Weston, e foi adquirido para cuidar da garotinha Gloria, que o adora de paixão. Mas a mãe de Gloria não vê com bons olhos a amizade da filha com um robô.
Andando em círculos - mar/1942 – Gregory Powell e Mike Donovan são personagens de muitos contos de Asimov. Eles são engenheiros de testes de robôs experimentais na U.S. Robots. Em 2015, a dupla é enviada a Mercúrio para testar um robô que será responsável por extrair selênio das minas existentes no planeta. Mas, por algum motivo, o robô está andando em círculos ao redor de uma das minas, ao invés de trazer selênio para a estação mineradora.
Razão - abr/1941 – Powell e Donovan estão trabalhando em uma estação espacial juntamente com o robô Cutie, que é dotado da capacidade de utilizar a razão no seu raciocínio. Em um dado momento, ele não aceita que foram os humanos que o construíram e começa a defender a existência de um “Mestre” criador.
É preciso pegar o coelho - fev/1944 – Powell e Donovan foram enviados a um asteroide para testar um robô múltiplo (um corpo principal que comanda outros corpos menores fisicamente independentes), que foi criado para realizar extração de minério neste local. Todos os testes em laboratório deram certo. Mas o robô não estava cumprindo seu dever no ambiente real. Questionado pelos engenheiros, o robô afirma que tudo está dentro da normalidade, que não há nada de errado. Mas HÁ algo errado.
Mentiroso! - mai/1941 – Na U.S. Robots, a dra. Susan Calvin é comunicada sobre a existência de um robô que lê mentes. Todas as 33 unidades deste modelo, fabricadas anteriormente, não tinham essa capacidade. A montagem de todos eles é exatamente igual. Mas o número 34 podia ler mentes. Por quê?
Um robozinho sumido - mar/1947 – Dra. Susan Calvin, que nunca havia deixado a superfície da Terra até então, teve que ser enviada à Hiperbase, pois todo o trabalho envolvendo a construção do Propulsor Hiperatômico estava paralisado. Um dos robôs utilizados nesse projeto desapareceu. Ou melhor, ele se misturou a uma carga de 62 robôs idênticos a ele que apareceu na estação espacial, aparentemente porque ele não queria ser encontrado.
Evasão! - ago/1945 – Depois de ter seu supercomputador destruído ao tentar realizar cálculos para a criação de um motor interestelar, a principal empresa concorrente da U.S. Robots a procura, desafiando-a a construir o motor utilizando os mesmos cálculos. O Cérebro, potente computador da U.S. Robots, consegue cumprir com o desafio e cria uma nave espacial capaz de fazer realizar longas viagens interestelares. Gregory Powell e Mike Donovan entram na nave para conhecê-la, pois eles serão os prováveis engenheiros de teste. Quando eles se dão conta, a própria nave já saiu da Terra sem o comando deles.
Evidência - set/1946 – Stephen Byerley é uma pessoa pública. Advogado e promotor, ele é candidato a prefeito. Francis Quinn, um político que tem interesse em impedir que Byerley seja eleito, procura a U.S. Robots com o objetivo de pedir ajuda para que consigam provar que o candidato é um robô. Bem, a empresa é a única fabricante de robôs existente, e afirma conhecer todos os robôs que construíram…
O conflito inevitável - jun/1950 – Stephen Byerley foi eleito Coordenador da Região Norte do planeta. Estão acontecendo em alguns locais da Terra problemas relacionados à economia, que não deveriam acontecer, já que todos os cálculos são feitos por robôs programados com as Leis da Robótica. Todas as alocações de recursos e decisões de aspecto econômico deveriam beneficiar ao máximo o ser humano. Ou melhor, não deveriam lhe causar nenhum tipo de mal.

A maioria dos contos trata de histórias de robôs que, por algum motivo, estavam falhando ou tendo comportamentos inesperados. Além de se tentar descobrir a causa das falhas, as Leis da Robótica também são bastante discutidas. Para a minha felicidade, várias reflexões de cunho filosófico e psicológico são provocadas. Em todas as minhas resenhas de obras de ficção científica, eu sempre digo que é isso que vale nessas histórias. O que o futuro vai fazer com nossas relações humanas? O que a tecnologia vai causar em nosso comportamento? Atualmente já vemos vários textos enchendo a internet, falando sobre o quanto estamos mais desatentos, ou fotos de pessoas em uma mesa de jantar, todas com a cara enfiada no celular. Em Eu, robô, um passo adiante é dado nessa discussão: como a própria tecnologia poderia se comportar, se adquirisse alguns aspectos do comportamento humano? Esse assunto não tem como não ser fascinante!

Um outro ponto realmente interessante que me chamou muito a atenção foi em relação às datas citadas. Logo no começo do livro, há uma introdução em que o entrevistador fornece uma breve biografia da dra. Susan Calvin. A princípio, seria normal ler que a dra. Calvin nasceu em 1982, formou-se em 2003 e terminou o doutorado em 2008. No entanto, o que é passado recente para nós ou passado bastante longínquo para o entrevistador era, na verdade, um futuro distante para o autor na época em que o texto foi escrito. Confesso que achei essas diferenças de datas tão perturbadora quanto ler sobre um robô que não acredita que foi criado por um humano.

Com relação ao filme de 2004, com o Will Smith, independentemente de você ter assistido ou não, leia o livro. Leia. Ponto final. O enredo do filme não tem semelhança com nenhum dos contos. São mostradas as Leis da Robótica, alguns personagens aparecem, mas o livro é bem mais amplo e mais provocador.
Aceite meu conselho: leia o livro. =)

Veja também:

[resenha] O Fim da Eternidade

9 de outubro de 2014 - quinta-feira - 10:13h   ¤   Categoria(s): Ficção Científica, Literatura estrangeira, Resenhas

O Fim da EternidadeTítulo: O Fim da Eternidade
Título original: The end of eterninty
Autor: Isaac Asimov
País: EUA
Ano: 1955
Editora: Aleph
Páginas: 255
Sinopse: Andrew Harlan é um Eterno – membro de uma organização que monitora e controla o Tempo. Um Técnico que lida diariamente com o destino de bilhões de pessoas no mundo inteiro – sua função é iniciar Mudanças de Realidade, ou seja, alterar o curso da História. Condicionado por um treinamento rigoroso e por uma rígida autodisciplina, Harlan aprendeu a deixar as emoções de lado na hora de fazer seu trabalho. Tudo vai bem até o dia em que ele conhece a atraente Noÿs Lambent, uma mulher que abala suas estruturas e faz com que passe a rever seus conceitos, em nome de algo tão antigo quanto o próprio tempo – o amor. Agora ele terá de arriscar tudo – não apenas seu emprego, mas sua vida, a de Noÿs e até mesmo o curso da História.
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Avaliação:

Ele havia alterado a Realidade. Havia adulterado um mecanismo por uns poucos minutos do Século 223 e, como resultado, um jovem não conseguiu assistir a uma palestra sobre mecânica à qual deveria ter comparecido. Nunca estudou engenharia solar e, em consequência, um invento perfeitamente simples teve seu desenvolvimento adiado por dez anos cruciais. Uma guerra no 224, espantosamente, sumiu da Realidade como resultado.

A sensação que corria pelo meu corpo quando terminei de ler este livro foi de poesia. Sim, poesia corria em mim. Entrou pelos meus olhos, navegou em minha corrente sanguínea e evaporou pelos meus poros, causando arrepios.
Nunca imaginei que ficção científica pudesse ser assim. No entanto, esta era a segunda história que eu lia de Isaac Asimov. A primeira tinha sido a trilogia da Fundação, para a qual jamais terei confiança suficiente que me dê coragem de escrever uma resenha. A Fundação é muito mais do que as viagens interplanetárias e império que ocupa a galáxia inteira.
Da mesma forma, O Fim da Eternidade é muito mais do que a sinopse tenta mostrar. Parece com uma simples história de viagem no tempo, incrementada com a tensão causada por um coração apaixonado prestes a causar um possível desastre. Mas não é.
Ou é.
É tudo isso somado, só que elevado a uma outra dimensão de significado. Ou, como numa frase que eu adoro falar: é um outro patamar de existência.

É um pouco inútil eu ficar falando aqui do enredo do livro. Em O Fim da Eternidade, as viagens no tempo são, sim, usadas para causar modificações, tanto no passado quanto no futuro. (Estou dizendo isso porque, em diversas histórias desse tema, uma das dificuldades que viajantes do tempo têm é justamente a incapacidade de mudar os fatos.) Mas o livro não é só sobre isso. O enredo vai te entreter, te fazer sonhar e questionar e te guiar. Mas as últimas páginas é que te dirão sobre o que o livro é. E, nesse momento, você vai sentir o seu entendimento se ampliar. Sabe aquilo que eu falei agora há pouco sobre dimensão e patamar? Então.

Talvez eu esteja exagerando. Talvez eu ainda seja uma novata em termos de Isaac Asimov e esteja impressionada. Talvez eu pareça aquela adolescente de 13 anos em seu primeiro vou-amá-lo-para-sempre. Mas se você também é novato em Isaac Asimov, eu gostaria que você sentisse o que eu senti. Desejo muito que, ao fim do livro, você olhe pro infinito – porque simplesmente você não consegue focar em nada por um tempo – e faça a cara de encantamento que eu fiz. Foi uma pena eu não ter uma câmera à mão para registrar o meu rosto nesse instante e guardar a imagem para sempre.
O Fim da Eternidade

Leia um trecho: aqui

Veja também:

Sequência dos livros do Isaac Asimov

25 de maio de 2014 - domingo - 15:34h   ¤   Categoria(s): Dicas, Ficção Científica, Literatura estrangeira, Sequência de livros de autores

Isaac AsimovAproveitando o ensejo do lançamento de O Sol Desvelado, de Isaac Asimov, pela Editora Aleph, resolvi fazer um post no estilo daqueles que fiz para o Harlan Coben e para a Tess Gerritsen.
Segundo o Wikipedia, a obra do Asimov é bem, mas BEEEM extensa. Entretanto, do que foi publicado no Brasil, a maioria se encontra esgotada. Por isso, a lista vai ser realmente pequena, contendo apenas os livros de ficção científica que encontrei à venda no site da Livraria Cultura e os que têm previsão de nova publicação.

 
 
Trilogia Fundação

TÍTULO ORIGINAL ANO
(EUA)
TÍTULO NO BRASIL ANO
(BRA)
EDITORA
Foundation 1951 Fundação 2009 Aleph
Foundation and Empire 1952 Fundação e Império 2009 Aleph
Second Foundation 1953 Segunda Fundação 2009 Aleph

 
 
Extensão da série Fundação

TÍTULO ORIGINAL ANO
(EUA)
TÍTULO NO BRASIL ANO
(BRA)
EDITORA
Foundation’s Edge 1982 Limites da Fundação 2012 Aleph
Foundation and Earth 1986 Fundação e Terra 2013 Aleph
Prelude to Foundation 1988 Prelúdio à Fundação 2013 Aleph
Forward the Foundation 1993 Origens da Fundação 2014 Aleph

 
 
Série Robôs

TÍTULO ORIGINAL ANO
(EUA)
TÍTULO NO BRASIL ANO
(BRA)
EDITORA
The Caves of Steel 1954 As Cavernas de Aço 2013 Aleph
The Naked Sun 1957 O Sol Desvelado 2014 Aleph
The Robots of Dawn 1983 Os Robôs da Alvorada 2015 Aleph
Robots and Empire 1985 Robôs e Império 2017 Aleph

 
 
Trilogia do Império*

TÍTULO ORIGINAL ANO
(EUA)
TÍTULO NO BRASIL ANO
(BRA)
EDITORA
Pebble in the Sky 1950 Pedra no Céu 2016 Aleph
The Stars, Like Dust 1951 - - Aleph
The Currents of Space 1952 - - Aleph

*A ordem da tabela acima está por ano em que o livro foi escrito, mas é comum aparecer em outras páginas (no Wikipedia, por exemplo) a ordem cronológica da história: The Currents of Space > The Stars, Like Dust > Pebble in the Sky.
 
 
Romances que não fazem parte de séries

TÍTULO ORIGINAL ANO
(EUA)
TÍTULO NO BRASIL ANO
(BRA)
EDITORA
The End of Eternity 1955 O Fim da Eternidade 2007 Aleph
The Gods Themselves 1972 Os Próprios Deuses 2010 Aleph
Nightfall 1990 O Cair da Noite 2012 Arte e Letra

 
 
Coletâneas de pequenas histórias

TÍTULO ORIGINAL ANO
(EUA)
TÍTULO NO BRASIL ANO
(BRA)
EDITORA
I, Robot 1950 Eu, Robô 2014 Aleph

 
 
Obs.: este post é constantemente atualizado (última atualização: 18/01/2016). Apenas o texto inicial, do topo, será mantido no contexto da época da postagem original.

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Esta pesquisa foi feita juntando as seguintes fontes:
Wikipedia
Livraria Cultura
Editora Aleph
Vídeo “Abdução #10″, da Editora Aleph
E um agradecimento especial à Luciana, da Aleph, que sempre me ajuda com as informações contidas neste post.

Veja também: