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[resenha] Feche Bem os Olhos

25 de março de 2013 - segunda-feira - 14:09h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

Feche Bem os OlhosTítulo: Feche Bem os Olhos
Título original: Shut Your Eyes Tight
Autor: John Verdon
País: EUA
Ano: 2011
Editora: Arqueiro
Páginas: 425
Sinopse: David Gurney sempre foi viciado em resolver enigmas. Mesmo dois anos depois de ter trocado a carreira policial pela pacata vida no campo, sua mente investigativa não consegue resistir a uma boa charada. Foi assim com o caso do Assassino dos Números, um ano antes. Agora, a história se repete quando ele é convidado para trabalhar como consultor e ajudar a polícia a desvendar um instigante homicídio. Jillian Perry, uma jovem de 19 anos, foi morta de maneira brutal no dia do próprio casamento. Todas as pistas apontam para um misterioso jardineiro, só que nada mais na história se encaixa – o motivo, o lugar onde a arma do crime foi deixada e, principalmente, o modus operandi. A princípio, David reluta em aceitar o convite, preocupado em preservar seu casamento, já que sua esposa, Madeleine, é totalmente avessa ao seu envolvimento em qualquer assunto policial. Porém, recusar-se a participar da investigação seria ir contra sua essência e David acaba se convencendo de que não conseguirá dormir em paz enquanto o criminoso estiver à solta. Quando começa a entrevistar parentes e conhecidos de Jillian e a avançar no caso, fica claro que o assassino é não só mais inteligente e implacável do que ele esperava, como também destemido o suficiente para atacar seu ponto fraco. David terá que pensar além das evidências para desvendar o quebra-cabeça mais sinistro com que já se deparou.
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– Sabe quando a gente simplesmente assimila o que vê numa cena de homicídio e começa a visualizar o que aconteceu para que os elementos do local se encontrem na posição em que estão?
Gurney deu de ombros.
– Claro. É automático. É o que a gente faz.
– Então, eu fiquei observando como todo o sangue das carótidas desceu por um só lado do corpo, apesar de o tronco estar sentado ereto, meio sustentado pelos braços da cadeira, e fiquei pensando por quê. Quer dizer, há uma artéria de cada lado, então por que o sangue foi todo para um lado só?

Avaliação:
Eu poderia começar esta resenha dizendo que Feche Bem os Olhos, em relação ao livro anterior, Eu Sei o Que Você Está Pensando, é basicamente “mais do mesmo”. Só que essa frase soaria totalmente pejorativa, sendo que o que eu quero dizer, na verdade, é que todos os excelentes elementos encontrados no primeiro livro também se encontram no segundo. As pistas aparentemente sem sentido, o quebra-cabeça de fritar o cérebro (tanto do detetive quanto do leitor), a inteligência do assassino, a profundidade dos personagens, os ensinamentos sobre aspectos técnicos dos métodos de investigação e o ritmo (mais mental do que de ação) da narrativa são as partes que se unem e orquestram de forma perfeita, mais uma vez, este novo livro do John Verdon.

O enredo em si é ótimo, chamando a atenção e intrigando o leitor como se o dragasse para dentro do livro. Jillian Perry, a noiva assassinada, 19 anos de idade, estava se casando com um homem rico, muito mais velho do que ela. A princípio, nada de tão estranho, principalmente pelo fato de a família da noiva também ser extremamente rica. O problema é que o noivo é diretor da escola especial onde Jillian estudou. A escola… bem… é voltada para ajudar e educar adolescentes problemáticas, com históricos de abuso sexual. Não, não para garotas que sofreram abusos, mas que causaram abusos em outras crianças.
Mas o perfil desta personagem não é o elemento mais perturbador deste livro. A esta informação, o detetive David Gurney deverá juntar todas as pistas explícitas, caçar novas peças que a investigação até agora deixou passar, e tentar fazer tudo se encaixar em uma história com começo, meio e fim. Por maior e mais insensata que esta história possa parecer.

Uma coisa que eu realmente gostei nos 2 livros do John Verdon e que quero comentar novamente nessa resenha é em relação ao foco no raciocínio e inteligência como instrumentos principais para solucionar o caso. Não há perseguições de carro, lutas, tiros ou brigas no grito. Quando David Gurney precisa “partir para a ação”, geralmente são investigações onde a discrição, a calma, a lucidez e o equilíbrio são altamente necessários para se obter o que precisa.

Para os leitores que estão se perguntando sobre a ordem dos livros, não se preocupem. Apesar de Eu Sei o Que Você Está Pensando acontecer 1 ano antes de Feche Bem os Olhos, é perfeitamente possível ler os livros independentemente, sem ordem, ou ler apenas um deles. Não há continuações, cada livro tem uma história fechada que começa e termina.
Feche Bem os Olhos
Leia um trecho: FecheBemosOlhos_Trecho.pdf

[resenha] Eu Sei o Que Você Está Pensando

11 de junho de 2012 - segunda-feira - 12:56h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

Eu Sei o Que Você Está PensandoTítulo: Eu Sei o Que Você Está Pensando
Título original: Think Of A Number
Autor: John Verdon
País: EUA
Ano: 2010
Editora: Arqueiro
Páginas: 340
Sinopse: Eu sei o que você está pensando propõe um enigma que parece insolúvel. Um homem recebe pelo correio uma carta que termina da seguinte forma – “Se alguém lhe dissesse para pensar em um número, sei em que número você pensaria. Não acredita? Vou provar. Pense em qualquer número de um a mil. Agora veja como conheço seus segredos”. O destinatário, Mark Mellery, pensa no número 658 e, ao abrir um envelope que acompanha a mensagem, descobre que o autor da carta previu corretamente o número que ele acabara de escolher de modo aleatório. Desesperado com os bilhetes ameaçadores que se seguem à carta, Mark procura um velho colega de faculdade, o detetive David Gurney, recentemente aposentado do Departamento de Polícia de Nova York. Aos 47 anos, David acaba de se mudar com a esposa para uma fazenda no interior do estado e tenta se adaptar a um novo estilo de vida. Mas sua mente, extremamente lógica, é fisgada pelo quebra-cabeça apresentado por Mark. Ele percebe que encontrou um vilão à sua altura quando as estranhas ameaças terminam em morte. Tudo leva a crer que o assassino, além de ser clarividente, cometeu um crime impossível, deixando pistas sem sentido e desaparecendo no meio do nada. Consumido pelo desafio de encontrar uma resposta lógica para o caso, David aceita trabalhar como consultor na investigação, colocando em risco seu já debilitado casamento e até mesmo sua vida.
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A clara progressão das pegadas na neve, uma depois da outra, seguindo por oitocentos metros ou mais, simplesmente acabava. Não havia nenhum sinal do que acontecera ao indivíduo que as tinha deixado.
[...]
Era como se o assassino tivesse andado objetivamente até esse lugar, parado ali, mudando o peso do corpo de um pé para o outro durante alguns minutos, talvez esperando alguém ou alguma coisa, e então… evaporado.

Avaliação:
A sinopse é fantástica, o título é intrigante e a capa chama a atenção. Livros assim há de monte, principalmente do gênero policial/suspense. Muitos são apenas propaganda, mas Eu Sei o Que Você Está Pensando faz parte da lista dos que não só cumprem com a promessa, como também o fazem de forma elegante e atendem a expectativa mais do que satisfatoriamente.

A proposta do enredo é realmente de queimar o cérebro. Como diabos esse criminoso sabe em qual número que a pessoa pensou? Que pistas são essas que não ajudam em nada a descobrir quem é esse assassino?
A narrativa é em 3ª pessoa, mas sendo o detetive David Gurney o personagem principal, todo o desenvolvimento da história é baseado no ponto de vista dele. É extremamente agradável acompanhar o desenrolar do seu raciocínio para montar o quebra-cabeça que ajudará a encontrar o criminoso. Também sob a ótica de David Gurney, são apresentadas as personalidades dos demais personagens. Com tantos anos de experiência na profissão, o detetive sabe ler em cada expressão, olhar e tom de voz as motivações e receios das pessoas com quem interage. A “materialização” destes personagens na imaginação do leitor é um atrativo à parte.
Um outro ponto que eu, particularmente, gostei bastante, foi das informações técnicas apresentadas em algumas ocasiões da história. Num livro policial, aparecem diversos profissionais ligados à área, como médicos legistas e psiquiatras, havendo muitas discussões referentes a crimes e seus autores. Se as informações que eu li forem realmente legítimas, eu adorei o aprendizado que me foi proporcionado.

Eu me arriscaria a dizer que Eu Sei o Que Você Está Pensando se trata de um livro muito mais mental do que necessariamente de ação, onde o ritmo da história não é atropelado. Há muitos diálogos, muitas análises, alguns devaneios. Eu recomendaria aos leitores que não só gostam do gênero, mas que também têm o costume de tentar desvendar o mistério juntamente com a evolução da leitura.
Eu Sei o Que Você Está Pensando