Tag: ‘Literatura francesa’

[comprei] Da Terra à Lua – Jules Verne

15 de junho de 2014 - domingo - 14:37h   ¤   Categoria(s): Comprei, Ficção Científica, Literatura estrangeira

Então, eu comprei um livro.

Depois de um longo jejum de 172 dias – CENTO E SETENTA E DOIS DIAS!! –, eu comprei um livro. A última vez que eu tinha comprado foi em 23 de dezembro de 2013. Láááá no ano passado, sabe? =D

Esse post é a estreia da seção “Comprei” do blog. Eu nunca fui de fazer posts de caixinha de correio ou de novas aquisições porque, sacumé, teria que atualizar o blog com uma frequência da qual eu não daria conta, hahaha!
Mas, de uns tempos pra cá, tudo mudou! Sou uma pessoa diferente!! Dominei o que me dominava, aprendi a ser dona de mim! [efeito sonoro: Ooooohhh!!! Clap, clap, clap!]

Como as compras serão (ou pelo menos deverão ser) mais raras, eu achei que seria uma boa criar essa seção “Comprei”. Só que o objetivo não é apenas mostrar o livro comprado. Eu deverei, também, justificar a compra e seguir a regra definida no começo do ano, que é começar a ler imediatamente. Nada de “enfilar” e deixar pra depois.

Chega de enrolação?
Vamos lá.

livro: Da Terra à Lua – De la Terre à la Lune
autor: Jules Verne
data de compra: 14 de junho de 2014
justificativas: 1. É bilíngue (português-francês), e eu estou atualmente tentando melhorar meu francês. 2. Estava com promoção de 50% de desconto. Paguei R$ 17,50 por ele. 3. Como dito acima, eu estava há 172 dias sem comprar livros.

Da Terra à Lua Da Terra à Lua
Méliès!! ♥ (algumas das inspirações para o filme Le voyage dans la Lune foram este livro e Ao redor da Lua, também de Jules Verne)
Da Terra à Lua
Uma página em francês, a outra em português
Da Terra à Lua Da Terra à Lua
Ilustrações originais da primeira edição
Da Terra à Lua

Confesso que eu não gostei da capa, mas o projeto gráfico é lindão! A capa dura e as ilustrações fazem dele um livro não só para se ler, mas também para se ter.

[resenha] Madame Bovary

29 de setembro de 2013 - domingo - 11:09h   ¤   Categoria(s): Desafios, Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Madame BovaryTítulo: Madame Bovary
Título original: Madame Bovary
Autor: Gustave Flaubert
País: França
Ano: 1857
Editora: L&PM
Páginas: 334
Sinopse: ‘Madame Bovary’ trata da desesperança e do desespero de uma mulher que, sonhadora, se vê presa em um casamento insípido, com um marido de personalidade fraca, em uma cidade do interior. O romance mostra o crescente declínio da vida – interna e externa – de Emma Bovary.
Compre: compare preços

Gostava do mar apenas pelas suas tempestades e da verdura só quando a encontrava espalhada entre ruínas. Tinha necessidade de tirar de tudo uma espécie de benefício pessoal e rejeitava como inútil o que quer que não contribuísse para a satisfação imediata de um desejo do seu coração – tendo um temperamento mais sentimental do que artístico e interessando-se mais por emoções do que por paisagens

Avaliação:
Eu gosto muito de ler clássicos. Acho que eles têm muito a ensinar. Sobre uma época, sobre um lugar, sobre o autor, sobre costumes e valores. Mas eu sempre reivindiquei para mim o direito de não gostar do que li. Estes livros podem ensinar muito, podem ser importantíssimos para a literatura, mas não quer dizer que a leitura sempre será agradável. Foi o caso de O Morro dos Ventos Uivantes. É o caso, agora, de Madame Bovary.
Mas não é que eu detestei o livro. O que aconteceu foi apenas que ele não me apeteceu como deveria, afinal, é uma história que se passa na França do século XIX. O motivo da minha apatia talvez seja o fato de eu ter lido O Primo Basílio há pouquíssimo tempo. Eça de Queirós foi acusado de plágio por essa obra. Verdade ou não, justo ou não, as duas obras realmente têm bastante semelhanças.
Emma Bovary, assim como Luísa, gostava muito de ler romances e se encantava com as histórias de paixões arrebatadoras que os personagens viviam. Ambas tinham uma vida enfadonha dentro de seus casamentos e ambas cometeram adultério em busca de emoções, apesar de toda a ilusão que as acompanhava. E tiveram, cada uma à sua maneira, um fim trágico.

O autor, Gustave Flaubert, foi levado a julgamento por causa deste livro, acusado por ofensa à moral e à religião. Achei interessante e, ao mesmo tempo, um pouco triste perceber como as questões moralísticas e religiosas da época simplesmente parecem tolas aos nossos olhos da atualidade. Fruto dos valores que prevalecem hoje, o adultério é tido como algo banal, e o aspecto ameaçador da religião é digno de zombaria.

O livro começa contando sobre a infância de Charles Bovary. Ele era um garoto que vivia na área rural e que mais tarde foi mandado para a escola, na cidade, para estudar. Posteriormente, formou-se médico. Com ajuda da sua mãe, casou-se com uma viúva rica, porém seca e amarga. Em uma consulta ao velho sr. Rouault, tem a chance de conhecer a filha dele, Emma. Pouco tempo depois, sua primeira esposa morre e Charles acaba por pedir Emma em casamento. Entretanto, com pouco tempo de casada, Emma já começa a se incomodar com a monotonia dos seus dias. Sendo ela uma mulher estudada, logo passa a sentir desprezo pela simplicidade – muitas vezes ingenuidade – do seu marido. O amor que ele lhe oferecia estava infinitamente longe do que ela havia sonhado para si, baseado no que havia lido nos romances de sua juventude.

Além de todo o desenrolar decorrente da inquietação de Emma, o livro também possibilita conhecer um pouco da região norte da França, nos arredores de Rouen, mostrando-nos os hábitos e pensamentos da época. As notas de rodapé, ótimas, explicam o contexto cultural e histórico, e você aprende bastante lendo-as.
Entretanto, apesar de a história ser interessante, não me senti cativada pelo texto. Não foi uma leitura que tenha enchido meu coração. Com relação aos personagens, eles têm suas características muito bem descritas, mas parecem impessoais e distantes, como se o leitor não conseguisse se aproximar deles para conhecê-los melhor. Há livros em que o autor praticamente joga o leitor dentro da história, como se fosse amigo íntimo dos personagens. Há outros em que o leitor sente que se torna o próprio personagem, entrando em sua alma e entendendo-a, tamanha é a identificação. Infelizmente, Madame Bovary não se encaixa em nenhum destes dois casos.

De qualquer forma, é um livro que valeu muito a pena ter lido, principalmente pela sua importância histórica e moral. A minha recomendação é que se leia, de preferência, com um intervalo bem grande entre ele e O Primo Basílio.

Esta resenha, errr, veja bem… faz parte da meta de agosto (!?!?) do Projeto Variedade Literária.
Madame Bovary