Tag: ‘Literatura inglesa’

[resenha] Orgulho e Preconceito

19 de junho de 2012 - terça-feira - 21:01h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Orgulho e PreconceitoTítulo: Orgulho e Preconceito
Título original: Pride And Prejudice
Autor: Jane Austen
País: Inglaterra
Ano: 1813
Editora: L&PM
Páginas: 392
Sinopse: Orgulho e Preconceito apresenta o romance de Elizabeth Bennet, segunda mais velha dentre cinco filhas solteiras de uma família inglesa sem muitas posses, e Fitzwillam Darcy, um rico esnobe que a conhece em um baile e, diferente dos mocinhos clássicos, não fica imediatamente encantado por ela. A busca das jovens mulheres por um bom casamento na sociedade inglesa rural do século XIX é o mote do romance e também o principal alvo da crítica da escritora.
Compre: compare preços

É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.
Por menos conhecidos que possam ser os sentimentos ou pontos de vista de tal homem em seus primeiros contatos com um novo ambiente, essa verdade está tão enraizada nas mentes das famílias vizinhas que o recém-chegado é considerado propriedade de direito das moças do lugar.

Avaliação:
“Como escrever uma resenha de um clássico da literatura sem derramar clichês no texto, principalmente quando a sua opinião com relação ao livro é a mesma da maioria que o leu?” Pois é, isso foi o que me passou pela cabeça antes de começar a resenhar simplesmente o segundo livro mais amado pelos leitores do Reino Unido, conforme uma enquete feita pela BBC de Londres em 2003.

Os dois pontos que mais me chamaram atenção em Orgulho e Preconceito tratam-se de características que eu poderia classificar como opostas, mas que ocorrem de forma simultânea. As críticas à sociedade inglesa rural do século XIX podem ser perfeitamente aplicadas aos dias atuais, por exemplo, no Brasil em que vivemos hoje. O casamento por interesse, a futilidade das pessoas, a preocupação em exibir aquilo que não se é e o julgamento baseado em aparências são atitudes que ainda existem, 199 anos depois da publicação do livro. Em contraponto, a caracterização da época, com diversos valores e costumes que já não existem mais na sociedade ocidental, é encantadora ao pintar o retrato fiel do período. Exemplos disso são a forma de tratamento entre marido e mulher, o tempo entre 2 pessoas se conhecerem e o pedido de casamento, a questão do direito à herança no caso de filhas mulheres, a diferença entre a vida rural e a vida na cidade, as casas, os veículos etc.

Como eixo principal do enredo, temos os relacionamentos amorosos entre personagens de variadas personalidades: o cavalheiro sempre gentil e bem-humorado, seu amigo que à primeira impressão é tido como arrogante, os homens que mentem descaradamente para conquistar donzelas ingênuas, a moça doce e sempre sorridente, a sua irmã geniosa, sagaz e irônica, a adolescente frívola e inquieta.
Colocando como pano de fundo as características citadas anteriormente, temos, então, o romance que continua não só atraindo leitores como também vem sendo adaptado na TV e no cinema até a atualidade.

Deixando de lado toda a importância da obra no contexto da literatura mundial, Orgulho e Preconceito também tem sabor de uma boa novela, pelos relacionamentos, intrigas, humor e cotidiano contidos nele. Mas seja por puro entretenimento ou pela elegância de se ler um clássico, eu me pergunto o que seria a minha infinitamente humilde recomendação diante de 199 anos de sucesso deste livro…

Orgulho e Preconceito também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta do mês de junho é ler um livro que virou filme. Apesar de eu estar lendo por causa da adaptação de 2005, uma amiga minha me recomendou fortemente a série da BBC, de 1995, que está no vídeo no fim do post.
Orgulho e Preconceito

Leia um trecho: (fonte: Livraria Cultura)

Minissérie em 6 capítulos:
Pride And Prejudice (1995) – trailer

[resenha] Frankenstein

25 de fevereiro de 2012 - sábado - 15:28h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Terror / Sobrenatural

FrankensteinTítulo: Frankenstein
Título original: Frankenstein
Autor: Mary Shelley
País: Inglaterra
Ano: 1818
Editora: L&PM
Tradutor: Miécio Araújo Jorge Honkins
Páginas: 173
Sinopse: Victor Frankenstein, cientista de Genebra, é recolhido do gelo pela tripulação de um navio a caminho do polo Norte. Atormentado, conta sua história ao capitão do navio – algum tempo antes, ele conseguira dar vida a uma criatura sobre-humana. Esta, porém, logo espalha o terror à sua volta.
Compre: compare preços

Esses pensamentos me animavam e levavam-me a aplicar com maior ardor a adquirir a arte da linguagem. Meus órgãos vocais eram na verdade grosseiros porém macios e, embora minha voz fosse muito diferente da suave musicalidade dos tons emitidos por eles, eu pronunciava certas palavras, tais como as ouvia, com relativa facilidade.

Avaliação:
Um dos maiores e mais importantes clássicos da literatura mundial. Uma história que atravessou o tempo, foi recontada dezenas de vezes, de diversas formas, e serviu de inspiração para outras novas histórias. Um personagem conhecido por toda a humanidade. Isso é “Frankenstein”, de Mary Shelley.

A história começa com as cartas do Capitão Wolton escritas à irmã, narrando sua expedição no Polo Norte. Em certo momento, resgata em seu navio um homem aparentemente perdido no gelo, cujo nome é Victor Frankenstein.
A partir daí, este homem começa a contar ao capitão toda a sua história.

Victor relata sua infância e adolescência com a família, e seu posterior ingresso à universidade, onde estuda Ciências Naturais e acaba descobrindo o segredo da geração da vida. De forma ambiciosa e angustiante, passa a se dedicar sem descanso na criação de um ser humano, porém de dimensões gigantescas e feições assustadoras. Entretanto, quando finalmente consegue dar vida à criatura, Victor foge, horrorizado com sua obra e a abandona à sua própria sorte.

O enredo desta história é um pouco diferente do que eu esperava, pois me baseava (talvez erroneamente) nas releituras mais populares da atualidade, como Edward Mãos-de-Tesoura e até o Frank, da Turma da Mônica, achando que houvesse mais ênfase na criatura em si. Na verdade, o enredo é estruturado em grandes blocos, cada um focando um determinado personagem ou período em específico. Em um deles, o monstro reencontra seu criador, aproximadamente 2 anos após ter ganhado vida, e conta-lhe todos os percalços pelos quais passou durante este período. É neste “bloco” que temos a oportunidade de nos maravilharmos com a criatura e com as suas descobertas, aprendizados e a perda da inocência. Eu diria que é o trecho mais encantador do livro.

De qualquer forma, a obra como um todo é arrepiante, qualquer que seja o sentido dessa palavra. É uma história muito bonita, aflitiva, aterrorizante e cheia de oportunidades para reflexões acerca de valores como o preconceito, a prepotência e a maleabilidade da natureza humana.

O exemplar onde eu li esta história foi a coletânea “Clássicos do Horror”, da Série Ouro da L&PM, que contém também “Drácula”, de Bram Stoker, e “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson, já resenhado no blog. Por este motivo, utilizei as mesmas imagens da resenha de “O Médico e o Monstro”.

Conforme havia citado no início, “Frankenstein” teve dezenas de adaptações, como no cinema, teatro, TV, rádio e quadrinhos. As mais famosas são as filmagens de 1910, 1931 e 1994.
Frankenstein

Filme:

Veja também:

[resenha] O Morro dos Ventos Uivantes

5 de janeiro de 2012 - quinta-feira - 10:48h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

O Morro dos Ventos UivantesTítulo: O Morro dos Ventos Uivantes
Título original: Wuthering Heights
Autor: Emily Brontë
País: Reino Unido
Ano: 1847
Editora: Lua de Papel
Tradutor: Ana Maria Chaves
Páginas: 292
Sinopse: A obra conta a história da paixão entre Heathcliff e Catherine na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes. Amigos de infância, eles são separados pelo destino, mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta – um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança.
Compre: compare preços

– Não pretendia rir de ti – disse ela. – Mas foi mais forte do que eu. Vá lá, Heathcliff, ao menos dá-me um aperto de mão! Por que estás aborrecido? Foi só porque te estranhei. Se lavares a cara e penteares o cabelo, tudo mudará. Mas sempre estás muito porco!
E ficou olhando, preocupada, para aquela mão toda suja que estava a apertar e para o vestido, com medo de tê-lo sujado.
– Não precisavas ter me tocado! – retorquiu ele, libertando bruscamente a mão, como se tivesse adivinhado o seu pensamento. – Sou porco, gosto de ser porco e serei sempre porco!
E, dizendo isto, saiu precipitadamente da sala, perante a satisfação dos patrões e a incredulidade de Catherine, que não compreendia por que razão seus comentários tinham dado lugar a tamanha manifestação de mau humor.

Avaliação:
Eu me interessei por comprar este livro porque sabia que era um clássico, mas também porque notei que nas livrarias estavam aparecendo várias edições dele, de diversas editoras. E pensava: “Por que é que este livro está tão em evidência?” Foi só depois de tê-lo comprado, manuseando-o em casa, é que li o pequeno selo vermelho na capa, onde diz que é o livro preferido do Edward e da Bella. Como eu somente assisti aos filmes, mas não li a saga Crepúsculo, eu não fazia nem ideia. De qualquer forma, esta pequena nota e a contracapa me deixaram bastante curiosa e me deram a entender de que se tratava de uma intensa história de amor.

A história é narrada através das lembranças de Ellen Dean, uma mulher que foi governanta nas propriedades Morro dos Ventos Uivantes e Granja dos Tordos, onde se passa o enredo. Suas memórias retornam no tempo para mais de 20 anos antes, quando um garoto chamado de Heathcliff foi retirado das ruas e trazido para a casa dos Earnshaw pelo próprio chefe da família.
Sendo o menino de pele escura e estando sujo e maltrapilho, fora logo tratado com desprezo por todos da casa, exceto por Catherine, filha do sr. Earnshaw, de quem ficou muito amigo. Desta amizade, cresce uma proximidade muito forte, o que acaba se tornando, naturalmente, um intenso amor.
Entretanto, poucos anos mais tarde, por força das conveniências sociais, Catherine casa-se com Edgar Linton, um dos filhos da respeitável família vizinha. A partir daí, inicia-se toda uma saga de ódio e vingança por parte de Heathcliff, que atingirá as famílias Earnshaw e Linton, juntamente com seus descendentes, causando-lhes constante e praticamente interminável sofrimento.

Infelizmente o livro não foi bem o que eu esperava. A intensidade que caracteriza a história de amor entre Catherine e Heathcliff é de um aspecto bastante negativo e a personalidade dos personagens me causava angústia e irritação.
Com a exceção de Ellen Dean e o sr. Lockwood (que é, na verdade, apenas um “recurso” na narrativa), todos os outros se encaixam em pelo menos uma destas terríveis características: malvado, manipulador, chantagista, egocêntrico, egoísta, orgulhoso, dramático ou mimado.
A energia emanada não é das mais agradáveis e eu não consegui ter prazer na leitura.

Sei que muita gente tem este livro como seu favorito e que se encanta com a história, e eu confesso que gostaria de ter enxergado as coisas desta forma. Talvez eu tenha sido pega de surpresa, com uma expectativa errada, e talvez se eu ler o livro novamente daqui a alguns anos, minhas impressões mudem.
Mais uma vez, como acontece com todo livro que não me agrada, estou aberta a discussões e explicações. Fiquem à vontade para me esclarecer qual foi a parte que eu não “captei”, rs.

Com relação ao livro em si, eu gostei bastante da capa da edição da Lua de Papel. Se a intenção era associar o livro à saga Crepúsculo, ficou perfeita! Dentro, nas páginas, a cada início de capítulo, tem uma espécie de marca d’água da imagem da flor da capa do livro.
O Morro dos Ventos Uivantes
Sendo um clássico de respeito, esta história teve inúmeras adaptações. No cinema, Wuthering Heights virou filme em 1920, 1939, 1954 (por Luis Buñuel), 1970, 1992 e 1998. Em 2003, a MTV fez uma versão adolescente, com a história se passando na Califórnia.
Adaptações em séries foram feitas em 1978 e 2009. No Brasil, o clássico virou novela em 1967 e 1973.

Quando estava pesquisando o nome do livro em japonês, encontrei uma versão em mangá que parece ser muito legal, na Amazon do Japão. Clique na imagem, que é possível olhar um trecho da revista.
O Morro dos Ventos Uivantes

Veja também: