Tag: ‘Literatura nórdica’

[resenha] A Princesa de Gelo

26 de janeiro de 2014 - domingo - 22:04h   ¤   Categoria(s): Desafios, Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

A Princesa de GeloTítulo: A Princesa de Gelo
Título original: The Ice Princess
Autor: Camila Läckberg
País: Suécia
Ano: 2002
Editora: Planeta
Páginas: 365
Sinopse: “A Princesa de Gelo”, primeira aventura de Erica Falck, uma biógrafa que encontra seu passado mergulhado num lago gelado de sangue. A história leva o leitor a acompanhar os passos de Erica e descobrir por que grandes segredos permaneceram tanto tempo escondidos e como o silêncio pode matar a alma.
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Por sorte, os olhos do cadáver estavam fechados, mas os lábios tinham uma coloração azul-clara. Uma fina camada de gelo se formara ao redor do seu dorso, escondendo a parte inferior do corpo completamente. O braço direito, manchado de sangue, caía debilmente da beira da banheira, e os dedos estavam mergulhados na piscina congelada de sangue no chão. Havia uma lâmina na beira da banheira.

Avaliação:
Na contracapa de A princesa de gelo está escrito que Camila Läckberg é a nova rainha do crime. As primeiras coisas que me passaram pela cabeça foram: “Uôu, que responsabilidade! Será que ela é tudo isso mesmo? Será que ela não se sentiu intimidada ao receber este título, já que todo mundo pensaria a mesma coisa que eu estou pensando?”
Só tinha um jeito de saber: lendo o livro.

Então, lá fui eu parar no pequeno povoado de Fjällbacka, na Suécia, onde, segundo a história, uma mulher chamada Alexandra Wijkner foi encontrada morta, com os pulsos cortados e congelada, dentro da banheira da antiga casa onde havia morado na infância.
Erica Falck, protagonista do livro, esteve morando em Estocolmo nos últimos anos, trabalhando como escritora de biografias, mas voltou a Fjällbacka por conta do falecimento de seus pais. Ela e Alexandra eram melhores amigas quando crianças, mas estiveram separadas durante 25 anos, desde que Alexandra fora embora repentinamente para Gotemburgo com sua família, sem nem ao menos se despedir de Erica. Mesmo não sendo policial, a escritora se vê envolvida nas investigações da morte da amiga, que, apesar das primeiras impressões, não foi suicídio.
Pouco a pouco, conforme evidências do crime começam a vir à tona, junto com elas, emergem também segredos enterrados há muito tempo no fundo das lembranças de alguns moradores do povoado.

A primeira coisa que eu posso dizer sobre A princesa de gelo é que este livro tem um enredo muito bem estruturado. Eu não sei se tenho condições de confirmar se Camila Läckberg realmente se compara a Agatha Christie, pois li apenas 1 livro da clássica escritora. Entretanto, gostei muito de algumas semelhanças de estrutura, como os milhares de segredos guardados e como quase todos os personagens são suspeitos do crime. À medida que a investigação avança e os segredos vão sendo revelados, as pontas vão sendo amarradas e o emaranhado da rede toma forma, acabando por explicar por que Alexandra foi assassinada. E, bem no finzinho, quando você acha que ainda há dúvidas pendentes de explicação, um último nó é atado e você tem a sensação de certeza que de nenhuma ponta ficou solta.

O que eu achei um pouco diferente nesse livro em relação aos outros que eu tenho lido (independentemente do gênero) é que não há nenhum personagem que se destaque em termos de personalidade. Todos são pessoas razoavelmente comuns no seu jeito de ser e nenhum deles é necessariamente apaixonante (como Myron Bolitar ou Alexia Tarabotti, por exemplo). Entretanto, isso não diminui em nada a qualidade do livro, pois o que prende o leitor é realmente o enredo e o seu desenvolvimento.

Uma certeza que eu tenho em relação à autora é que eu quero muito ler as sequências. Aos que têm repulsa por séries, muita calma: pelo que eu entendi, os livros são independentes, bem no estilo Harlan Coben. Além de querer ler mais histórias ótimas como as de A princesa do gelo, eu quero muito saber como vai evoluir a vida dos personagens que continuam aparecendo nos próximos livros.

Este livro foi a meta de novembro do Projeto Variedade Literária.
A Princesa de Gelo

[resenha] O Menino da Mala

14 de outubro de 2013 - segunda-feira - 09:27h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

O Menino da MalaTítulo: O Menino da Mala
Título original: Dregen i kufferten
Autor: Lene Kaaberbøl e Agnete Friis
País: Dinamarca
Ano: 2008
Editora: Arqueiro
Páginas: 252
Sinopse: Atendendo a um pedido de sua amiga Karin, Nina Borg vai à estação ferroviária de Copenhague buscar uma mala. Dentro, encontra um menino de 3 anos nu e dopado, mas vivo.
A única que pode esclarecer esse absurdo é Karin, mas ela é brutalmente assassinada. Nina se dá conta de que sua vida está ameaçada e que o garoto também precisa ser salvo.
Neste primeiro livro da série da enfermeira Nina Borg, vendido para 27 países, as autoras Lene Kaaberbøl e Agnete Friis apresentam uma heroína que busca fazer justiça em meio à crueldade do mundo.
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Estranhamente, o menino era muito mais leve em seus braços do que no interior da mala. Tão leve quanto uma pluma. Nina podia sentir no próprio pescoço o ar quente que ele soprava em preguiçosas lufadas. Meu Deus. Quem seria capaz de fazer uma coisa dessas a uma criança?

Avaliação:
Uma das primeiras coisas que eu notei no livro, ao longo da leitura, é que a lógica da sua sequência é diferente da dos livros americanos do mesmo gênero. Em O Menino da Mala, não demora muito para o leitor saber quem são as pessoas e o que elas fizeram. A estrutura da história foca mais no “porquê” e no “como”. Ainda no começo do livro, já é possível saber quem é o garoto, quem o colocou na mala e a mando de quem. Mas como ele foi parar lá e por qual motivo é justamente a forma como o enredo será desenvolvido.
Inicialmente, as autoras apresentam diversos personagens, em cenários diferentes, dando a entender que todos se encontrarão no final, quando a trama for amarrada e concluída.

Talvez seja somente falta de costume, mas a sensação que este tipo de estrutura traz é diferente. Não há ansiedade ou afobação. A leitura parece mais calma, como se fosse apenas questão de tempo para o leitor chegar a todas as explicações. O ruim é que isso não gera aquela curiosidade desesperada; não há muito envolvimento com o livro ou com os personagens. Parece que o leitor é apenas um espectador plácido enquanto os coitadinhos dos personagens estão lá se matando no palco. Por que se descabelar junto com uma mãe que perdeu seu filho se é possível saber o tempo todo que ele está bem, nas mãos de uma enfermeira que está fazendo o possível para ajudá-lo? É um outro ritmo. Dá tempo de se pensar um pouco, raciocinar melhor sobre a história, sem atropelos. Mas, como leitora, eu pergunto se isso é legal em um livro policial.
Uma amiga minha, acostumada a ler livros cheios de assassinato, sangue e investigação, me disse que esse formato é comum aos livros nórdicos. Eu apenas li O Hipnotista – e o achei bem normalzão –, então não tenho muito parâmetro para dizer qual tipo de estrutura prefiro, mas confesso que senti falta de ser agarrada pelas orelhas, com alguém me dizendo “Vem, Lia, vamos descobrir toda essa podridão juntos”.

A história é muito boa, sim, isso eu não vou negar. O final é surpreendente, há reviravoltas e surpresas que amenizam um pouco toda aquela sensação de previsibilidade que o livro vem trazendo o caminho inteiro.
No meu caso, acho que é questão de ler mais autores nórdicos para me acostumar. De qualquer forma, ainda assim, eu recomendo esse livro, principalmente para se sair daquela mesmice de perseguições alucinadas nos cenários já batidos das cidades-padrão dos Estados Unidos.
O Menino da Mala

Leia um trecho: aqui

[resenha] O Hipnotista

24 de março de 2012 - sábado - 16:26h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

HipnotistaTítulo: O Hipnotista
Título original: Hypnotisören
Autor: Lars Kepler
País: Suécia
Ano: 2009
Editora: Intrínseca
Tradutor: Alexandre Martins
Páginas: 477
Sinopse: Um massacre de uma família nos arredores de Estocolmo abala a polícia sueca. Os homicídios chamam a atenção do detetive Joona Linna, que exige investigar os assassinatos. O criminoso ainda está foragido, e há somente uma testemunha – o filho de 15 anos, que sobreviveu ao ataque. Quem cometeu os crimes o queria morto – ele recebeu mais de cem facadas e está em estado de choque. Desesperado por informações, Linna só vê uma saída – a hipnose. Ele convence o Dr. Erik Maria Bark – especialista em pacientes psicologicamente traumatizados – a hipnotizar o garoto, na esperança de descobrir o assassino através das memórias da vítima. É o tipo de trabalho que Bark jurara nunca mais fazer – eticamente questionável e psicologicamente danoso. Quando ele quebra a promessa e hipnotiza o garoto, uma longa e aterrorizante sequência de acontecimentos tem início.
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- Todos foram atacados com uma faca – diz Joona Linna. – Devia estar um caos completo lá. Os corpos estavam… estavam em um estado horrível. Foram chutados e espancados. Esfaqueados, claro, muitas vezes, e a garotinha… fora cortada ao meio. A parte inferior do corpo, a partir da cintura, estava na poltrona em frente à TV.

Avaliação:
Vocês já tiveram a sensação de não ter gostado do que sentiram ao terminar de ler um livro? Notem: falo de não gostar do sentimento, mas não necessariamente de não gostar do livro.
Terminei de ler O Hipnotista e a sensação que eu tinha era de “O que está acontecendo comigo? O que estão acontecendo com meus valores e conceitos?”.

O livro narra as consequências terríveis envolvendo a vida do psiquiatra Erik Maria Bark quando ele aceita hipnotizar o único sobrevivente de um massacre contra uma família inteira, a fim de tentar encontrar o assassino. Dez anos antes, devido a acontecimentos desastrosos, Erik havia jurado nunca mais exercer a hipnose. Mas foi convencido a quebrar esta promessa.

É um ótimo suspense policial, com uma narrativa muito concisa e sólida, e um ritmo típico de um livro do gênero. Pode-se dizer que o livro é todo perfeito, certinho, sem nada para se criticar ferozmente: não há finais esdrúxulos ou frustrantes e as amarrações são muito bem feitas. Entretanto, é uma história que eu achei quase comum, sem elementos surpreendentes ou realmente perturbadores. É comparável àquela garota bonita, perfeitinha, sem nenhum defeito, mas também sem nenhuma particularidade encantadora. Exatamente por este motivo que eu digo que não gostei do que senti ao terminar o livro. A minha opinião me é preocupante!

Por que não me senti fascinada? Por que a maldade e a loucura humana contidas na história não me chocaram? Será que eu me acostumei e passei a aceitar como “normais” as atrocidades que vejo nos noticiários? Será que o mundo paranoico de hoje já não me impressiona?
Talvez eu esteja mais exigente com as histórias, querendo algo mais inédito, mais aterrorizante. Ou até mesmo toda a aclamação em torno do livro criou em mim uma expectativa além da adequada…
Acredito que a explicação para a minha opinião em relação ao livro seja um pouco de cada das questões acima levantadas. E com certeza terei uma resposta mais definitiva lendo mais livros do gênero. Pode ser que eu acabe ficando cada vez mais saturada deste tipo de história, ou talvez eu realmente me certifique de que O Hipnotista era apenas mais um ótimo suspense policial.

A capa é uma das mais bonitas da minha estante, chamativa, elegante e assustadora, com destaque para o metalizado imitando muito bem uma tesoura velha.

Este livro também faz parte da lista do Desafio Realmente Desafiante. A meta do mês de Março é ler um livro com a capa verde, vermelha ou azul.
O Hipnotista

Leia um trecho: aqui

Entrevista:
Esta é uma entrevista que encontrei no youtube, a uma TV portuguesa. Nela, os autores citam seu outro livro, “O Executor”.

Veja também:

[dica] A Garota das Laranjas – Jostein Gaarder

13 de fevereiro de 2012 - segunda-feira - 20:43h   ¤   Categoria(s): Dicas, Infantojuvenil, Literatura estrangeira

Em 2005, Jostein Gaarder veio para o Brasil para o lançamento do seu livro “A Garota das Laranjas”. Eu nunca fui de ficar indo em sessões de autógrafos de autores, e só tinha lido “O Mundo de Sofia” até então, mas não sei por que cargas d’água, lá fui eu na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos pegar autógrafo do escritor norueguês.

As fotos estão pequenas pois editei-as para um outro blog meu, na época, e não sei onde coloquei os arquivos originais.
Jostein Gaarder Jostein Gaarder Jostein Gaarder Jostein Gaarder
A Garota das LaranjasTítulo: A Garota das Laranjas
Autor: Jostein Gaarder
Páginas: 132
Editora: Companhia das Letras
Neste livro de Jostein Gaarder, uma carta que ficou guardada por muito tempo revela ao adolescente Georg uma história extraordinária. O autor da carta é o pai do menino, morto há onze anos. Ele escreveu esta longa mensagem de despedida para que o garoto pudesse ler quando estivesse mais maduro. A história contada pelo pai é do tempo em que era um jovem estudante de medicina e de sua busca por uma moça desconhecida, que ele vê por acaso nas ruas de Oslo, sempre carregando um saco cheio de laranjas. Apaixonado, o rapaz persegue os diversos mistérios que cercam os seus encontros fugidios com a garota das laranjas, numa aventura que culmina numa grande revelação.

 
Recomendo muito a vocês este livro! Tem uma história linda e emocionante! Só não empresto porque meu exemplar é autografado, rsrs. ^_~ #exibida

Veja também:

[resenha] O Dia do Curinga

26 de outubro de 2011 - quarta-feira - 17:10h   ¤   Categoria(s): Aventura / Fantasia, Literatura estrangeira, Resenhas

O Dia do CuringaTítulo: O Dia do Curinga
Título original: Kabalmysteriet
Autor: Jostein Gaarder
País: Noruega
Ano: 1995
Editora: Companhia das Letras
Tradutor: João Azenha Jr.
Páginas: 378
Sinopse: ‘Você já pensou que num baralho existem muitas cartas de copas e de ouros, outras tantas de espadas e de paus, mas que existe apenas um curinga?’, pergunta à sua mãe certa vez a jovem protagonista de O mundo de Sofia. Esse é o ponto de partida deste outro livro de Jostein Gaarder, a história de um garoto chamado Hans-Thomas e seu pai, que cruzam a Europa, da Noruega à Grécia, à procura da mulher que os deixou oito anos antes. No meio da viagem, um livro misterioso desencadeia uma narrativa paralela, em que mitos gregos, maldições de família, náufragos e cartas de baralho que ganham vida transformam a viagem de Hans-Thomas numa autêntica iniciação à busca do conhecimento – ou à filosofia.
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Você sabe o que sua avó me disse um dia? Ela disse ter lido na Bíblia que Deus está lá no céu e ri das pessoas que não acreditam nele. [...] Se há um Deus, que nos criou, então de uma certa forma somos “artificiais” aos seus olhos. [...]Se nós fôssemos capazes de criar um ser artificial, Hans-Thomas, nós também iríamos rachar o bico de rir se esse ser artificial saísse por aí falando um monte de bobagens sobre os índices da bolsa de valores ou sobre corridas de cavalos, por exemplo, sem perguntar a coisa mais simples e importante de todas: “De onde é que eu vim?”.

Avaliação:
Ao mesmo tempo em que conta a história da viagem de Hans-Thomas com seu pai, da Noruega à Grécia em busca de sua mãe/esposa, “O Dia do Curinga” conta uma outra história, contida em um livro que Hans-Thomas ganha de forma misteriosa no caminho da viagem.
É através dessas divertidas histórias dentro de histórias que o autor transmite sua mensagem, de forma homeopática e, por pouco, imperceptível.

Não me sinto muito à vontade para contar diretamente qual é essa mensagem, ou melhor, essa “luz nos olhos”, que Jostein Gaarder deseja jogar na gente, uma vez que a própria leitura do livro faz parte do processo. O que eu posso dizer é que um curinga dentro de um baralho é como se fosse alguém diferente, que se destaca e consegue enxergar coisas que “cartas comuns” deixam de ver, por viver seu dia-a-dia de forma automática e inquestionável. O trecho que eu coloquei na citação acima também dá uma boa dica do que o livro se trata. E apesar de parecer, não há uma intenção de cunho religioso, mas sim de algo muito maior.

O fato de haver histórias de histórias dentro de mais histórias pode confundir um pouco o leitor com os diversos personagens, mas ainda assim, a leitura é fluida e você nem percebe que está aprendendo enquanto se distrai.

Antes mesmo de o livro chegar ao fim, você já vai desejar lê-lo de novo.
O Dia do Curinga

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