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[resenha] Uma Prova do Céu

24 de maio de 2013 - sexta-feira - 09:05h   ¤   Categoria(s): Espiritismo / Religiões, Literatura estrangeira, Resenhas

Uma Prova do CéuTítulo: Uma Prova do Céu
Título original: Proof of Heaven
Autor: Eben Alexander III
País: EUA
Ano: 2012
Editora: Sextante
Páginas: 186
Sinopse: Cético, defensor da lógica científica e neurocirurgião há mais de 25 anos, o Dr. Eben Alexander viu sua vida virar do avesso quando passou por uma experiência que ele mesmo considerava impossível. Vítima de uma meningite bacteriana grave, ficou em coma por sete dias. Enquanto os médicos tentavam controlar a doença, algo extraordinário aconteceu. Eben embarcou numa jornada por um mundo completamente estranho. Sem consciência da própria identidade, foi mergulhando cada vez mais fundo nessa realidade difusa, onde conheceu seres celestiais e fez descobertas transformadoras sobre a existência da vida após a morte e a profunda relação que todos nós temos com Deus. Quando os médicos já pensavam em suspender seu tratamento, o inesperado aconteceu- seus olhos se abriram. Ele estava de volta. Mas nunca mais seria o mesmo. Aquela experiência o levou a questionar tudo em que acreditava até então. Afinal, como neurocirurgião, ele sabia que o que vivenciou não poderia ter sido uma mera fantasia produzida por seu cérebro, que estava praticamente destruído. Analisando as evidências à luz dos conhecimentos científicos, o Dr. Eben decidiu compartilhar essa incrível história para mostrar que ciência e espiritualidade podem – e devem – andar juntas. Narrado com o fascínio de um paciente que visitou o outro lado e com a objetividade de um médico que tenta comprovar a veracidade de sua experiência, este é um livro emocionante sobre a cura física e espiritual e a vida que se esconde nas diversas dimensões do Universo.
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Escuridão, mas uma escuridão visível – como estar submerso na lama, mas ainda assim poder ver através dela. Gelatina escura talvez seja a melhor descrição: transparente, mas turva, embaçada, claustrofóbica e sufocante.
Consciência, mas consciência sem memória nem identidade – como um sonho em que você sabe o que está acontecendo em volta, mas não tem ideia de quem ou o que você é.

Avaliação:
Talvez este tenha sido o melhor livro sobre espiritualidade que eu li até hoje. Simples, sincero, impactante, pessoal porém objetivo.

Durante toda sua carreira, dr. Eben veio afirmando que as experiências de quase morte (EQM) pelas quais seus pacientes passavam eram produzidas pelos seus próprios cérebros. Respeitava as crenças deles e dava-lhes espaço para sua fé, mas ele mesmo – por ser médico e ter todo seu conhecimento baseado na ciência – nunca nem deu atenção a este assunto. Até que, um belo dia, o cérebro do dr. Eben desligou.
Um caso adulto de meningite bacteriana, raro, grave e nunca relatado na história da Medicina, fez com que a parte do seu cérebro que “produziria” EQMs simplesmente parasse de funcionar.
E se o cérebro não estava funcionando, de onde vieram as imagens dos lugares onde dr. Eben diz ter visitado? Quem eram aquela garota que o acompanhou durante seu “passeio” e os seres encantadores que voavam acima dos dois? O que eram aqueles sons e luzes? Como conseguiu obter todo aquele aprendizado que lhe foi transmitido de forma estranhamente instantânea?
Depois que dr. Eben milagrosamente despertou de seu coma de 7 dias, sendo ele neurocirurgião, interessou-se pelo seu próprio caso. Os exames feitos durante o período em que esteve doente não mentiam: seu cérebro tinha ficado fora do ar. Desta forma, era impossível afirmar que seus neurônios houvessem criado tudo o que ele viu, ouviu e aprendeu.
Dr. Eben diz ter escrito este livro porque precisava dividir com o mundo a experiência pela qual passou, precisava contar para seus amigos médicos que tudo aquilo em que eles não acreditavam era, na verdade, muito real.

Talvez o que mais me agradou em Uma prova do céu foi o seu aspecto “arreligioso”. Em nenhum momento há pregação de alguma religião. Dr. Eben fala de Deus, sim, mas de um Deus que sempre esteve lá, muito antes de os homens inventarem o Cristianismo, Islamismo, Judaísmo, etc. A narrativa em si também é muito bem escrita e bem estruturada. Os capítulos se alternam entre o que estava acontecendo no hospital, em relação ao corpo do médico – a doença, exames, médicos, familiares –, e o que acontecia na sua mente, referente à sua “aventura espiritual”.

Recomendo esse livro a qualquer um que esteja precisando ler uma história que ajude a aquecer o coração e esteja buscando um pouco mais de esperança na vida.
Uma Prova do Céu

Leia um trecho: Uma prova de ceu_Trecho.pdf

[resenha] O Hipnotista

24 de março de 2012 - sábado - 16:26h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

HipnotistaTítulo: O Hipnotista
Título original: Hypnotisören
Autor: Lars Kepler
País: Suécia
Ano: 2009
Editora: Intrínseca
Tradutor: Alexandre Martins
Páginas: 477
Sinopse: Um massacre de uma família nos arredores de Estocolmo abala a polícia sueca. Os homicídios chamam a atenção do detetive Joona Linna, que exige investigar os assassinatos. O criminoso ainda está foragido, e há somente uma testemunha – o filho de 15 anos, que sobreviveu ao ataque. Quem cometeu os crimes o queria morto – ele recebeu mais de cem facadas e está em estado de choque. Desesperado por informações, Linna só vê uma saída – a hipnose. Ele convence o Dr. Erik Maria Bark – especialista em pacientes psicologicamente traumatizados – a hipnotizar o garoto, na esperança de descobrir o assassino através das memórias da vítima. É o tipo de trabalho que Bark jurara nunca mais fazer – eticamente questionável e psicologicamente danoso. Quando ele quebra a promessa e hipnotiza o garoto, uma longa e aterrorizante sequência de acontecimentos tem início.
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- Todos foram atacados com uma faca – diz Joona Linna. – Devia estar um caos completo lá. Os corpos estavam… estavam em um estado horrível. Foram chutados e espancados. Esfaqueados, claro, muitas vezes, e a garotinha… fora cortada ao meio. A parte inferior do corpo, a partir da cintura, estava na poltrona em frente à TV.

Avaliação:
Vocês já tiveram a sensação de não ter gostado do que sentiram ao terminar de ler um livro? Notem: falo de não gostar do sentimento, mas não necessariamente de não gostar do livro.
Terminei de ler O Hipnotista e a sensação que eu tinha era de “O que está acontecendo comigo? O que estão acontecendo com meus valores e conceitos?”.

O livro narra as consequências terríveis envolvendo a vida do psiquiatra Erik Maria Bark quando ele aceita hipnotizar o único sobrevivente de um massacre contra uma família inteira, a fim de tentar encontrar o assassino. Dez anos antes, devido a acontecimentos desastrosos, Erik havia jurado nunca mais exercer a hipnose. Mas foi convencido a quebrar esta promessa.

É um ótimo suspense policial, com uma narrativa muito concisa e sólida, e um ritmo típico de um livro do gênero. Pode-se dizer que o livro é todo perfeito, certinho, sem nada para se criticar ferozmente: não há finais esdrúxulos ou frustrantes e as amarrações são muito bem feitas. Entretanto, é uma história que eu achei quase comum, sem elementos surpreendentes ou realmente perturbadores. É comparável àquela garota bonita, perfeitinha, sem nenhum defeito, mas também sem nenhuma particularidade encantadora. Exatamente por este motivo que eu digo que não gostei do que senti ao terminar o livro. A minha opinião me é preocupante!

Por que não me senti fascinada? Por que a maldade e a loucura humana contidas na história não me chocaram? Será que eu me acostumei e passei a aceitar como “normais” as atrocidades que vejo nos noticiários? Será que o mundo paranoico de hoje já não me impressiona?
Talvez eu esteja mais exigente com as histórias, querendo algo mais inédito, mais aterrorizante. Ou até mesmo toda a aclamação em torno do livro criou em mim uma expectativa além da adequada…
Acredito que a explicação para a minha opinião em relação ao livro seja um pouco de cada das questões acima levantadas. E com certeza terei uma resposta mais definitiva lendo mais livros do gênero. Pode ser que eu acabe ficando cada vez mais saturada deste tipo de história, ou talvez eu realmente me certifique de que O Hipnotista era apenas mais um ótimo suspense policial.

A capa é uma das mais bonitas da minha estante, chamativa, elegante e assustadora, com destaque para o metalizado imitando muito bem uma tesoura velha.

Este livro também faz parte da lista do Desafio Realmente Desafiante. A meta do mês de Março é ler um livro com a capa verde, vermelha ou azul.
O Hipnotista

Leia um trecho: aqui

Entrevista:
Esta é uma entrevista que encontrei no youtube, a uma TV portuguesa. Nela, os autores citam seu outro livro, “O Executor”.

Veja também:

[resenha] Com Uma Perna Só

11 de agosto de 2011 - quinta-feira - 21:10h   ¤   Categoria(s): Biografia, Literatura estrangeira, Medicina, Resenhas

Com Uma Perna SóTítulo: Com Uma Perna Só
Título original: A Leg To Stand On
Autor: Oliver Sacks
País: Inglaterra
Ano: 1984
Editora: Companhia das Letras
Tradutor: Laura Teixeira Motta
Páginas: 206
Sinopse: Durante uma escalada solitária na Noruega, em 1974, o jovem neurologista Oliver Sacks depara-se com um enorme touro branco. Em pânico, dá meia volta, dispara pelo caminho inverso e um tombo faz com que sua perna esquerda fique seriamente avariada. Depois de uma cirurgia, a sensação é de que a perna se tornara “inexistente”. O médico se transforma em paciente e é obrigado a aprender lições de passividade num leito de hospital. Sem poder andar, apartado da vida normal e isolado pela insensibilidade de colegas médicos, Sacks inicia um processo de autodiagnóstico. Decide então elaborar um relato provocativo sobre os padrões de atendimento do sistema de saúde, mas também um testemunho vivo e fluente sobre os mecanismos neuro-sensoriais responsáveis pela formação da “imagem corporal”.
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Sim, aquela era a minha situação. Minha situação, exatamente. A perna havia desaparecido, levando com ela o seu “lugar”. Por isso não parecia existir a possibilidade de recuperá-la – e isso independentemente da patologia em questão. A memória poderia ajudar quando a expectativa não podia? Não! A perna desaparecera, levando com ela o seu “passado”! Eu já não conseguia me lembrar de ter tido uma perna.

Avaliação:
Desta vez, sob o ponto de vista do paciente, dr. Sacks conta de forma bastante subjetiva a sua empreitada, desde a escalada na montanha da Noruega, passando pelo acidente, a cirurgia e a descoberta de que a perna que estava lá colada ao seu corpo “não era sua”, até a plena recuperação.

Com frequência, o autor aborda a questão da frieza e impessoalidade por parte dos médicos e enfermeiros que cuidaram do seu caso, ficando especialmente chocado devido ao fato de estar “do outro lado” da situação. Entretanto, em boa parte do livro, Sacks conta as suas impressões, pensamentos e descobertas utilizando-se diversas vezes da poesia e da filosofia para tentar se expressar de forma mais fiel ao que está sentindo.

Um único porém, na minha opinião, é que talvez toda essa poesia e filosofia possam ser excessivas e enfadonhas, uma vez que eu me perdia no meio das divagações do fascinado e intrigado doutor-paciente sobre seu próprio problema.
Com Uma Perna Só

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[resenha] O Cirurgião

24 de julho de 2011 - domingo - 22:15h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Policial, Resenhas, Suspense / Ação

O CirurgiãoTítulo: O Cirurgião
Título original: The Surgeon
Autor: Tess Gerritsen
País: EUA
Ano: 2001
Editora: Record
Tradutor: Sylvio Gonçalves
Páginas: 379
Sinopse: Catherine Cordell é uma cirurgiã cardíaca, cuja auto-estima não consegue afastar medos e demônios pessoais que a perseguem há algum tempo. Anos atrás, na Geórgia, Catherine foi a única sobrevivente da obsessão de um serial killer cruel e impiedoso. Apenas a certeza de que ele está morto permite que suas noites de sono sejam tranqüilas em seu novo lar, na cidade de Boston. Contudo, quando três mulheres aparecem mortas e os métodos usados pelo assassino conferem com o ataque sofrido pela médica no passado, ela parece ser a única pessoa capaz de identificá-lo.
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Os cabelos negros da mulher, endurecidos com sangue, projetavam-se como pêlos de porco-espinho de um rosto da cor do mármore raiado em azul. [...] Havia dois ferimentos visíveis. Um era um talho profundo na garganta [...]. O golpe de misericórdia. O segundo talho era mais embaixo, no abdômen. Este ferimento não fora feito para matar; servira a um propósito completamente diferente.

Avaliação:
Um serial killer habilidoso que extrai cirurgicamente o útero de suas vítimas antes de assassiná-las. Uma cirurgiã, sobrevivente do mesmo crime, ocorrido há 2 anos, que pensava tê-lo matado na ocasião, em legítima defesa. Uma policial feminina, a única mulher na equipe de investigação, tentando provar seu valor entre seus colegas homens. Estes são os elementos principais que compõem este tenso thriller médico, cheio de sangue e de descrições detalhadas de arrepiar.
Desta maneira, o livro prende a atenção, como era de se esperar, não só por ser um ótimo suspense policial, mas também pelo tema em si e pela perfeita forma como a história é estruturada e contada.

Apenas um ponto adicional, que não pude deixar de notar, é a questão da feminilidade e do feminismo, muito presentes ao longo do livro. O assassino retirando das vítimas o órgão que simboliza e define o “ato” de ser mulher, a ocorrência de estupros, a personagem principal ser uma médica de sucesso e a luta contra o machismo acabaram chamando um pouco a atenção, apesar de não desviarem o objetivo da história. Cito apenas como algo a se refletir.
O Cirurgião

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[resenha] O Físico

16 de julho de 2011 - sábado - 16:37h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

O FísicoTítulo: O Físico
Título original: The Physician
Autor: Noah Gordon
País: EUA
Ano: 1986
Editora: Rocco
Tradutor: Aulyde Soares Rodrigues
Páginas: 590
Sinopse: O drama turbulento e, por vezes, divertido, de um homem dotado do poder quase místico de curar, que tem a obsessão de vencer a morte e a doença, é aqui contado desde o obscurantismo e a brutalidade do século XI na Inglaterra ao esplendor e sensualidade da Pérsia, detalhando a idade de ouro da civilização árabe e judaica. A história começa quando Rob Cole, órfão, aprendiz de um barbeiro-cirurgião na Inglaterra, toma conhecimento da existência de uma escola extraordinária na Pérsia, onde um famoso físico leciona. Decidido a ir a seu encontro, descobre que o único problema estava no fato de que cristãos não tinham acesso às universidades muçulmanas durante as Cruzadas. A solução era Rob assumir a identidade de um judeu, ao mesmo tempo em que se envolvia com uma avalanche de fatos verdadeiramente impressionantes.
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[...] Não interrompeu o trabalho quando viu que a mulher se dirigia para ele.
Barbatanas no corpete erguiam seus seios, quando se movia às vezes aparecia o mamilo vermelho, e o rosto estava vulgarmente pintado. Rob J. tinha apenas nove anos, mas um menino de Londres sabia reconhecer uma prostituta.
- Você aí. Esta é a casa de Nathanael Cole?
Ele a observou ressentido, pois não era a primeira vez que uma mulher daquele tipo aparecia procurando por seu pai.
- Quem quer saber? – perguntou asperamente, satisfeito porque o pai estava fora, à procura de trabalho e ela não ia poder falar com ele, satisfeito por sua Mãezinha estar entregando bordados, sendo assim poupada daquele constrangimento.
- A mulher dele precisa dele. Ela me mandou.
- O que quer dizer, precisa dele? – As competentes mãos infantis interromperam o trabalho.
A prostituta olhou para ele friamente, percebendo o que Rob pensava dela por seu tom e modos.
- Ela é sua mãe?
Fez um gesto afirmativo.
- Está tendo um parto difícil. Está nos estábulos de Egglestan, perto de Puddle Dock. É melhor procurar seu pai e avisar – disse a mulher, e se afastou.

Avaliação:
A primeira vez em que ouvi falar d’O Físico foi em 1994, quando estava na 7ª série (#velha) e um menino da minha classe vivia falando que queria ler este livro porque gostava de Física (?!?!). Alguns anos mais tarde, entendi que o título original era The Physician e soube que a história era sobre um médico medieval.

O livro consegue prender a atenção desde o começo, quando Rob, aos 9 anos, perde a mãe devido ao parto do seu irmão mais novo, e em seguida o pai, de alguma doença erroneamente desprezada pelo médico que a diagnostica. Órfão, após ver seus 5 irmãos serem separados e dados a outras famílias, Rob acaba indo trabalhar como aprendiz de um barbeiro-cirurgião e assim tendo oportunidade de viajar por diversas regiões da Inglaterra.

Traumatizado pela sensação de impotência diante da morte de seus pais, o jovem aprendiz torna-se obcecado pelo desejo de poder curar doenças. É nesta ocasião que ele ouve falar sobre uma escola de Medicina na distante Pérsia, onde leciona o famoso médico Avicena.

O que encanta neste livro não é somente o enredo em si, ou a narrativa constantemente fluida e intensa. O pano de fundo da Idade Média, que sempre desperta interesses e curiosidade, traz os costumes, as características dos locais retratados, os aspectos da Medicina da época e a abordagem das religiões monoteístas, que juntos, não só dão mais densidade à história como contribuem como ótima fonte de conhecimento.

Com relação à – provavelmente antiga – polêmica tradução do título do livro, li algumas discussões pela internet e o ponto mais interessante que vi dizia o seguinte: “Na Idade Média o médico recebeu ainda, em latim, o epíteto de physicus, do grego physikós, de physis, natureza, equiparando-o aos estudiosos da natureza, ou seja, aos filósofos naturalistas. A denominação de ‘físico’ dada ao médico perdurou até o século XVIII e sobreviveu na língua inglesa em physician.” (fonte: http://usuarios.cultura.com.br/jmrezende/clinico.htm)
O Físico

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