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[resenha] A Resposta

17 de julho de 2012 - terça-feira - 18:40h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

A RespostaTítulo: A Resposta
Título original: The Help
Autor: Kathryn Stockett
País: EUA
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 567
Sinopse: ‘A Resposta’ traz uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA. Eugenia ‘Skeeter’ Phelan, jovem que acabou de se graduar e quer virar escritora, encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, ‘Skeeter’ encontra um tema em duas mulheres negras – Aibileen, empregada que já ajudou a criar 17 crianças brancas, mas chora a perda do próprio filho, e Minny, cozinheira de mão cheia que não arruma emprego porque não leva desaforo dos patrões para casa.
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- E todas essas casas que estão sendo construídas sem dependências de empregada? É simplesmente um perigo. Todo mundo sabe que elas transmitem doenças diferentes das nossas. [...]
- Seria bom que ela [a empregada, Aibileen] não precisasse usar o banheiro da casa.
[...]
- Foi exatamente por isso que criei o Projeto de Higiene para Empregadas Domésticas. Uma medida para prevenir doenças. [...] Um projeto de lei que prevê que toda casa branca tenha um banheiro separado para empregadas de cor.

Avaliação:
Pense em um livro perfeito, em todos os aspectos. Pense em uma história perfeita que faz você ter vontade de dizer tanta coisa sobre ela que fica perdida por não saber como organizar suas ideias.
Eu vou começar pela parte “tangível”, que é mais fácil. Definitivamente, eu sou uma pessoa que torce o nariz para “capas-de-filme” em livros, quando estes são adaptados para o cinema. Entretanto, achei a capa de “A Resposta” absolutamente linda como sendo a de “Histórias Cruzadas”. Talvez sejam as cores, talvez sejam os elogios ao filme na época da premiação do Oscar, talvez seja a simpatia que tenho pela atriz Emma Stone. Posso não saber exatamente o que é, mas é um livro extremamente atraente à primeira vista, mesmo que a pessoa não saiba da existência de “Histórias Cruzadas”. Gostei muito também da textura meio emborrachada / aveludada, contrastando com o já costumeiro verniz. Foi um pouco desconfortável nos momentos em que eu estava com a mão suando, mas nada que tire o mérito da beleza da capa como um todo.

A Resposta
A história em si é linda, emocionante e ao mesmo tempo revoltante. Skeeter é uma jovem branca, solteira, que, ao contrário de suas amigas, não largou a faculdade para se casar. Aibileen e Minny são empregadas, negras, que toda a vida trabalharam em casas de patroas brancas. Estas 3 mulheres são as personagens principais da história que se passa em 1962, na cidade de Jackson, Mississipi, EUA. Era uma época em que negros eram obrigados a frequentar escolas, hospitais, mercados, banheiros etc separados dos brancos. Havia bairros negros e bairros brancos. Havia leis que não permitiam casamentos entre negros e brancos. Era nesta época que Martin Luther King estava prestes a discursar o seu famoso “I Have A Dream”. Skeeter, querendo se tornar escritora, resolveu colocar em um livro todo o incômodo que sentia acerca da segregação racial. Desejando escrever depoimentos com os pontos de vista das empregadas negras de Jackson, tomou coragem para pedir ajuda a Aibileen e Minny, mesmo sabendo das terríveis consequências que seus atos poderiam ter para todas as envolvidas.

O texto flui como uma boa história costuma fluir, e te abraça de uma maneira acolhedora a cada vez que você abre o livro para ler mais um pouco. De repente, você se pega pensando enquanto lava a louça da janta: “O que vai acontecer com a Aibileen? Será que vão descobrir?”. Os capítulos são escritos em 1ª pessoa, mas agrupados e alternando entre cada uma das 3 personagens principais, o que possibilita entrar a fundo na alma destas mulheres. Você acaba desenvolvendo um amor por elas que chega a desejar que elas realmente existissem, que você as conhecesse, que fossem suas melhores amigas. Você torce por elas, se envolve, chora, fica gelada de nervosismo e ansiedade nos momentos mais tensos do livro.

A Resposta
Quanto ao tema da segregação racial, as próprias histórias e diálogos cheios de preconceito dentro do enredo são suficientes para gerar uma indignação sem tamanho. O trecho que transcrevi no começo é só uma pequena amostra do que é exposto no livro. O mundo, os conceitos e a forma de pensar mudaram razoavelmente desde a década de 1960 até hoje, mas confesso que não tenho conhecimento o bastante para gerar ou entrar em uma discussão com propriedade.

O que eu posso dizer é que entendo, agora, uma das frases da contracapa, em que uma escritora diz ter se tornado espontaneamente uma divulgadora de “A Resposta”. Não deixem de ler. Envolvam-se, emocionem-se, chorem e passem pelos momentos de revolta. Deixem este livro abraçá-los.

Quanto ao filme, eu ainda não o assisti e pretendo fazer isto depois de escrever esta resenha, para não ser influenciada. Mas confesso que desde que comecei a ler o livro, eu fiquei me coçando de vontade de assistir de uma vez por todas.

“A Resposta” também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta de julho é ler um livro com mais de 500 páginas.

Outras capas:
A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta

Filme:
Trailer do filme “Histórias Cruzadas”:

[resenha] Orgulho e Preconceito

19 de junho de 2012 - terça-feira - 21:01h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Orgulho e PreconceitoTítulo: Orgulho e Preconceito
Título original: Pride And Prejudice
Autor: Jane Austen
País: Inglaterra
Ano: 1813
Editora: L&PM
Páginas: 392
Sinopse: Orgulho e Preconceito apresenta o romance de Elizabeth Bennet, segunda mais velha dentre cinco filhas solteiras de uma família inglesa sem muitas posses, e Fitzwillam Darcy, um rico esnobe que a conhece em um baile e, diferente dos mocinhos clássicos, não fica imediatamente encantado por ela. A busca das jovens mulheres por um bom casamento na sociedade inglesa rural do século XIX é o mote do romance e também o principal alvo da crítica da escritora.
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É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.
Por menos conhecidos que possam ser os sentimentos ou pontos de vista de tal homem em seus primeiros contatos com um novo ambiente, essa verdade está tão enraizada nas mentes das famílias vizinhas que o recém-chegado é considerado propriedade de direito das moças do lugar.

Avaliação:
“Como escrever uma resenha de um clássico da literatura sem derramar clichês no texto, principalmente quando a sua opinião com relação ao livro é a mesma da maioria que o leu?” Pois é, isso foi o que me passou pela cabeça antes de começar a resenhar simplesmente o segundo livro mais amado pelos leitores do Reino Unido, conforme uma enquete feita pela BBC de Londres em 2003.

Os dois pontos que mais me chamaram atenção em Orgulho e Preconceito tratam-se de características que eu poderia classificar como opostas, mas que ocorrem de forma simultânea. As críticas à sociedade inglesa rural do século XIX podem ser perfeitamente aplicadas aos dias atuais, por exemplo, no Brasil em que vivemos hoje. O casamento por interesse, a futilidade das pessoas, a preocupação em exibir aquilo que não se é e o julgamento baseado em aparências são atitudes que ainda existem, 199 anos depois da publicação do livro. Em contraponto, a caracterização da época, com diversos valores e costumes que já não existem mais na sociedade ocidental, é encantadora ao pintar o retrato fiel do período. Exemplos disso são a forma de tratamento entre marido e mulher, o tempo entre 2 pessoas se conhecerem e o pedido de casamento, a questão do direito à herança no caso de filhas mulheres, a diferença entre a vida rural e a vida na cidade, as casas, os veículos etc.

Como eixo principal do enredo, temos os relacionamentos amorosos entre personagens de variadas personalidades: o cavalheiro sempre gentil e bem-humorado, seu amigo que à primeira impressão é tido como arrogante, os homens que mentem descaradamente para conquistar donzelas ingênuas, a moça doce e sempre sorridente, a sua irmã geniosa, sagaz e irônica, a adolescente frívola e inquieta.
Colocando como pano de fundo as características citadas anteriormente, temos, então, o romance que continua não só atraindo leitores como também vem sendo adaptado na TV e no cinema até a atualidade.

Deixando de lado toda a importância da obra no contexto da literatura mundial, Orgulho e Preconceito também tem sabor de uma boa novela, pelos relacionamentos, intrigas, humor e cotidiano contidos nele. Mas seja por puro entretenimento ou pela elegância de se ler um clássico, eu me pergunto o que seria a minha infinitamente humilde recomendação diante de 199 anos de sucesso deste livro…

Orgulho e Preconceito também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta do mês de junho é ler um livro que virou filme. Apesar de eu estar lendo por causa da adaptação de 2005, uma amiga minha me recomendou fortemente a série da BBC, de 1995, que está no vídeo no fim do post.
Orgulho e Preconceito

Leia um trecho: (fonte: Livraria Cultura)

Minissérie em 6 capítulos:
Pride And Prejudice (1995) – trailer