Tag: ‘Um Desafio Realmente Desafiante’

[resenha] Garota Replay

13 de novembro de 2012 - terça-feira - 17:04h   ¤   Categoria(s): Desafios, Infantojuvenil, Literatura nacional, Resenhas, Romance

Garota ReplayTítulo: Garota Replay
Autor: Tammy Luciano
País: Brasil
Ano: 2012
Editora: Novo Conceito
Páginas: 144
Sinopse: Thizi é uma garota do bem, apaixonada pela vida. Mas, após uma madrugada trágica, sente que tudo à sua volta desmorona. Descobre que Tadeu, seu namorado, beijou uma garota em uma noitada e quebrou o nariz de Tito, melhor amigo de Thizi, quando soube que ele fotografou a prova da traição. Na mesma noite, Tadeu dirigiu bêbado e causou grave acidente, que deixou o amigo Gabiru em coma. Em meio a tanta decepção, Thizi encontra uma Replay de si mesma, uma igual. Agora, não mais a única do planeta, ela se sente a pessoa mais solitária do mundo e precisa entender que o amor tem o poder de provocar as melhores mudanças.
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Pelo jeito da moça, ela tinha se dado melhor nos encontros com a sorte do que eu. Os cabelos eram supertratados, a pele macia como uma seda, o olhar brilhante e um semblante de realização, me fazendo refletir sobre as vezes em que culpei minha aparência física pelos não acertos.

Avaliação:
Thizi é uma garota de 20-e-poucos anos cujos pais passam, pelo menos, 10 meses do ano viajando. Seu namorado, Tadeu, tem o costume de traí-la com a Barra da Tijuca inteira, na frente de quem estiver lá para ver. Tito, seu melhor amigo, vive querendo alertá-la sobre as safadezas do namorado. Em uma certa noite, Tito fotografou Tadeu beijando uma garota em uma balada. Após uma confusão em que Tadeu dá um soco em Tito e quebra seu nariz, Tadeu se envolve em um acidente de carro, por dirigir bêbado, levando seu amigo Gabiru a ficar em coma.
Depois dos confusos e trágicos acontecimentos envolvendo seu namorado e seu melhor amigo, em que não sabe direito o que fazer, Thizi resolve sair para espairecer. Em uma balada, simplesmente do nada, vê uma garota que é idêntica a si mesma. Não era apenas alguém parecido com ela, mas definitivamente uma cópia. A diferença é que a sua “gêmea” estava mais bem vestida, usava acessórios mais elegantes e uma maquiagem mais bonita. Como se isto não bastasse, a cópia também parecia ser uma garota mais segura, mais autoconfiante e mais experiente. Ou seja, um clone melhorado de Thizi.
Após esta estranha aparição, além de ter que lidar com o namorado internado no hospital e o melhor amigo que a partir de agora quer distância, Thizi também resolve descobrir quem é, afinal de contas, a sua replay.

O livro é uma delícia de se ler! É leve, é cativante, flui que é uma maravilha. É o tipo de escrita que vai simplesmente levando o leitor sem ele perceber. A história é muito bonitinha, com uma grande virada no enredo que me deixou boquiaberta, mas o que mais me encantou foi o significado da Garota Replay. Achei a ideia bastante original e ficava imaginando, durante a leitura, o que eu pensaria se encontrasse uma replay minha e depois descobrisse o que ela é.
Acho que este livro, não só pelo entretenimento em si, vale como uma boa leitura para uma oportunidade de reflexão sobre a forma como você está deixando a sua vida ser conduzida.

Eu também gostei muito da ilustração que cobre a capa e a contracapa. É super meiga e delicada, apesar dos traços e cores fortes. Bem, eu não tenho muito conhecimento em desenho, então é melhor não ficar opinando com muitos detalhes para não correr o risco de falar alguma besteira e cometer uma gafe.
Outro ponto foi que eu ganhei o livro na Bienal de São Paulo, na tarde de autógrafos da Tammy Luciano, que é uma fofa! Super simples e super atenciosa, eu já a tinha conhecido uns dias antes, na Bienal mesmo, quando estava de bobeira no estande da Novo Conceito e, do nada, comecei a bater papo com ela ao, de repente, nos vermos no mesmo grupinho de conversa.

Este livro também faz parte do Desafio Realmente Desafiante. A meta do mês de novembro é ler um livro bem fininho, com menos de 200 páginas.
Garota Replay

[resenha] As Aventuras de Tom Sawyer

28 de setembro de 2012 - sexta-feira - 09:36h   ¤   Categoria(s): Desafios, Infantojuvenil, Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

As Aventuras de Tom SawyerTítulo: As Aventuras de Tom Sawyer
Título original: The Adventures Of Tom Sawyer
Autor: Mark Twain
País: EUA
Ano: 1876
Editora: L&PM
Páginas: 283
Sinopse: As Aventuras de Tom Sawyer é um dos grandes clássicos da literatura americana. Tom Sawyer, o imortal personagem de Mark Twain, um menino astuto, mostra-se tão à vontade no mundo respeitável de sua tia Polly quanto no mundo aventureiro e desprotegido de seu amigo Huck Finn. Os dois vivem uma série de aventuras, acidentalmente presenciando um assassinato e provando a inocência do homem injustamente acusado, assim como sendo caçados por Injun Joe, o verdadeiro assassino, e finalmente escapando e encontrando o tesouro que Joe havia enterrado.
Embora originalmente escrito como história de aventura para jovens, este livro é muito mais do que isto, é um mergulho na vida do interior dos Estados Unidos, especialmente na região do “imenso Mississipi”, na metade do século XIX.
Através das trepidantes aventuras de Tom e Huck, Mark Twain coloca em evidência sua grande habilidade de escritor, seu senso de justiça e sua posição antiescravagista.
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– Tom! Onde está você? To-o-om!…
Justamente nesse momento, ela escutou um barulhinho muito leve às suas costas e virou-se bem a tempo de agarrar um meninozinho pelos fundilhos frouxos das calças. O garoto esperneou, mas não conseguiu fugir.
– Ah, peguei! Devia ter me lembrado daquele armário. O que é que você estava fazendo socado lá dentro?
– Nada, titia!
– Ah, nada, é? Olhe o estado das suas mãos! Veja só como sua boca está melada! Que meleca toda é essa?
– Eu não sei, titia!
– Ah, o pobrezinho não sabe!… Pois eu sei muito bem o que é. É geleia, sem a menor dúvida. E olhe que eu já lhe disse milhares de vezes que, se não parasse de mexer nos potes de geleia, eu ia arrancar sua pele!

Avaliação:
Tom Sawyer é um garoto que mora com sua tia Polly, seu irmão mais novo Sid e sua prima Mary. A época é a primeira metade do século XIX e o local é algum condado no Estado de Missouri, nos EUA.

Eu havia decidido ler este livro por causa da importância desta obra na literatura, não só americana, mas também mundial. Mas eu não imaginava que eu pudesse me divertir tanto com a leitura. “As Aventuras de Tom Sawyer” é leve, leve como a inocência de uma criança, que é justamente o personagem principal da história.

Tom é o típico menino atentado. Não consegue parar quieto um minuto, vive aprontando e levando bronca da sua tia Polly, chega atrasado às aulas por perder o foco em alguma brincadeira a caminho da escola, vive sujo da cabeça aos pés por causa das travessuras. Mas é um garoto com um coração puro, ingênuo e bondoso. Nada do que ele apronta e nem seus pensamentos são feitos de maldade.

Uma das coisas constantes na história, e muito bonitinha, é a noção de mundo e de tempo que Tom tem. Uma simples bronca a mais da tia Polly, um pequeno desentendimento com a namoradinha e uma chateação na escola podem ser motivos suficientes para que o menino se sinta terrivelmente miserável em sua vida, fazendo-o decidir que deveria fugir de casa e se tornar pirata. Sim… pirata!!
Ser criança, aliás, é a grande delícia de se ler este livro! O próprio autor recomenda que, apesar de ter sido escrito para o público infantil, nada impede de adultos o lerem, para que relembrem como se sentiam e o que pensavam quando eram crianças.

Um ponto interessante de esclarecimento é que o personagem Huckleberry Finn é um dos amigos de Tom Sawyer neste livro, mas em 1885, é lançado o livro “As Aventuras de Huckleberry Finn”, considerado a obra-prima do autor. Pra quem gosta de ler em ordem, “Aventuras de Tom Sawyer” vem primeiro.

Não deixem de ler este livro! Não apenas por ser um grande clássico, mas também porque realmente é uma história bonita, simples, divertida e que toca o coração do leitor, principalmente daquele que já se esqueceu onde ficaram as suas lembranças mais puras.

“Aventuras de Tom Sawyer” também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta de setembro era ler um livro de um autor que já é falecido.
As Aventuras de Tom Sawyer

Filme:
Passeando pelo youtube, é possível achar diversas adaptações para a obra. O filme abaixo é a versão de 1938.

[resenha] Dança Macabra

3 de setembro de 2012 - segunda-feira - 18:13h   ¤   Categoria(s): Crítica, Literatura estrangeira, Resenhas, Terror / Sobrenatural

Dança MacabraTítulo: Dança Macabra
Título original: Danse Macabre
Autor: Stephen King
País: EUA
Ano: 1981
Editora: Ponto de Leitura
Páginas: 590
Sinopse: Numa abrangente radiografia, “Dança macabra” é também um emocionado tributo a todos aqueles que um dia se dedicaram à arte de apavorar plateias e leitores. Um presente aos fãs desta que é uma das mais malditas formas de entretenimento. Seja especulando sobre as origens dos medos da infância, racionalizando a sedução do grotesco, ou refletindo sobre as adaptações para o cinema de suas próprias obras, esta é a última palavra em horror do autor que reinventou o gênero.
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Poderíamos dizer que o tema principal de O bebê de Rosemary é o da paranoia urbana (em oposição à paranoia rural ou das cidades pequenas quem vemos em The Body Snatchers, de Jack Finney), mas um importante tema menor poderia ser levantado nessas linhas: o enfraquecimento da convicção religiosa é uma brecha aberta para o Demônio, tanto no macrocosmo (questões de fé mundial), como no microcosmo (o ciclo da fé de Rosemary Reilly, da descrença enquanto Rosemary Woodhouse, até a volta para a crença enquanto Rosemary Woodhouse, mãe da Criança infernal).

Avaliação:
“Dança Macabra” é um livro onde o gênero do terror como um todo é analisado por um dos seus maiores contribuidores: o escritor Stephen King.

O autor começa falando brevemente da necessidade que as pessoas têm de achar que um escritor de terror deve, obrigatoriamente, ter algum distúrbio psicológico que o levou a escolher este gênero. Aceitando esta premissa, procura, em seu passado, o ponto onde tornou-se “essa pessoa diferente”. King também faz uma ótima análise sobre os arquétipos do terror, como o vampiro, o lobisomem, monstro e o fantasma. Em seguida, como conteúdo principal e mais longo do livro, o gênero é discutido nos seus meios principais de comunicação – o rádio, o cinema, a TV e os livros –, onde são dissecados muitos dos clássicos como O Bebê de Rosemary, O Massacre da Serra Elétrica, Psicose, O Exorcista, Os Mortos-Vivos, O Incrível Homem que Encolheu etc.

O livro foi publicado em 1981, e esta é uma informação que deve ser lembrada a todo momento. Além disso, o material analisado (o terror produzido entre 1950 e 1980) tem como base a realidade dos EUA. Muitas vezes, você se depara com frases do tipo “Freak é exibido hoje em dia, de vez em quando, na TV por assinatura, e talvez já tenha saído em videocassete”, numa época em que Spielberg ainda era apenas alguém com muito potencial.

“Dança Macabra” é perfeito para quem realmente gosta do gênero do terror e pode ser mais bem aproveitado ainda por quem conhece bem o assunto. Eu acabei lendo por acaso, por causa do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta de agosto (tô atrasada!) era ler um livro publicado no ano do seu nascimento. Como eu leio praticamente qualquer coisa, acabo não sendo fã de nenhum gênero em específico. Por este motivo, achei “Dança Macabra” um pouco denso demais, com informações demais e aproveitamento de menos.
Mas não deixo de recomendar a quem esteja interessado em conhecer mais sobre o terror. Muitas obras das quais eu nunca tinha ouvido falar são dissecadas de maneira encantadora pela profundidade do potencial de aprendizado, o que me gerou verdadeira curiosidade e interesse em ir atrás e ler/assistir.
No final, Stephen King passa uma lista de sugestão de aproximadamente 100 filmes e 100 livros, para a qual eu digo “amém” de olhos fechados.

O único aspecto que realmente me incomodou no livro foram os diversos erros de digitação que encontrei ao longo dele. Coisas banais como falta de espaçamento entre 2 palavras eram irritantemente frequentes e erros do tipo “bastabte” (ao invés de “bastante”) eram de causar certa indignação.
Dança Macabra

[resenha] A Resposta

17 de julho de 2012 - terça-feira - 18:40h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

A RespostaTítulo: A Resposta
Título original: The Help
Autor: Kathryn Stockett
País: EUA
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 567
Sinopse: ‘A Resposta’ traz uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA. Eugenia ‘Skeeter’ Phelan, jovem que acabou de se graduar e quer virar escritora, encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, ‘Skeeter’ encontra um tema em duas mulheres negras – Aibileen, empregada que já ajudou a criar 17 crianças brancas, mas chora a perda do próprio filho, e Minny, cozinheira de mão cheia que não arruma emprego porque não leva desaforo dos patrões para casa.
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- E todas essas casas que estão sendo construídas sem dependências de empregada? É simplesmente um perigo. Todo mundo sabe que elas transmitem doenças diferentes das nossas. [...]
- Seria bom que ela [a empregada, Aibileen] não precisasse usar o banheiro da casa.
[...]
- Foi exatamente por isso que criei o Projeto de Higiene para Empregadas Domésticas. Uma medida para prevenir doenças. [...] Um projeto de lei que prevê que toda casa branca tenha um banheiro separado para empregadas de cor.

Avaliação:
Pense em um livro perfeito, em todos os aspectos. Pense em uma história perfeita que faz você ter vontade de dizer tanta coisa sobre ela que fica perdida por não saber como organizar suas ideias.
Eu vou começar pela parte “tangível”, que é mais fácil. Definitivamente, eu sou uma pessoa que torce o nariz para “capas-de-filme” em livros, quando estes são adaptados para o cinema. Entretanto, achei a capa de “A Resposta” absolutamente linda como sendo a de “Histórias Cruzadas”. Talvez sejam as cores, talvez sejam os elogios ao filme na época da premiação do Oscar, talvez seja a simpatia que tenho pela atriz Emma Stone. Posso não saber exatamente o que é, mas é um livro extremamente atraente à primeira vista, mesmo que a pessoa não saiba da existência de “Histórias Cruzadas”. Gostei muito também da textura meio emborrachada / aveludada, contrastando com o já costumeiro verniz. Foi um pouco desconfortável nos momentos em que eu estava com a mão suando, mas nada que tire o mérito da beleza da capa como um todo.

A Resposta
A história em si é linda, emocionante e ao mesmo tempo revoltante. Skeeter é uma jovem branca, solteira, que, ao contrário de suas amigas, não largou a faculdade para se casar. Aibileen e Minny são empregadas, negras, que toda a vida trabalharam em casas de patroas brancas. Estas 3 mulheres são as personagens principais da história que se passa em 1962, na cidade de Jackson, Mississipi, EUA. Era uma época em que negros eram obrigados a frequentar escolas, hospitais, mercados, banheiros etc separados dos brancos. Havia bairros negros e bairros brancos. Havia leis que não permitiam casamentos entre negros e brancos. Era nesta época que Martin Luther King estava prestes a discursar o seu famoso “I Have A Dream”. Skeeter, querendo se tornar escritora, resolveu colocar em um livro todo o incômodo que sentia acerca da segregação racial. Desejando escrever depoimentos com os pontos de vista das empregadas negras de Jackson, tomou coragem para pedir ajuda a Aibileen e Minny, mesmo sabendo das terríveis consequências que seus atos poderiam ter para todas as envolvidas.

O texto flui como uma boa história costuma fluir, e te abraça de uma maneira acolhedora a cada vez que você abre o livro para ler mais um pouco. De repente, você se pega pensando enquanto lava a louça da janta: “O que vai acontecer com a Aibileen? Será que vão descobrir?”. Os capítulos são escritos em 1ª pessoa, mas agrupados e alternando entre cada uma das 3 personagens principais, o que possibilita entrar a fundo na alma destas mulheres. Você acaba desenvolvendo um amor por elas que chega a desejar que elas realmente existissem, que você as conhecesse, que fossem suas melhores amigas. Você torce por elas, se envolve, chora, fica gelada de nervosismo e ansiedade nos momentos mais tensos do livro.

A Resposta
Quanto ao tema da segregação racial, as próprias histórias e diálogos cheios de preconceito dentro do enredo são suficientes para gerar uma indignação sem tamanho. O trecho que transcrevi no começo é só uma pequena amostra do que é exposto no livro. O mundo, os conceitos e a forma de pensar mudaram razoavelmente desde a década de 1960 até hoje, mas confesso que não tenho conhecimento o bastante para gerar ou entrar em uma discussão com propriedade.

O que eu posso dizer é que entendo, agora, uma das frases da contracapa, em que uma escritora diz ter se tornado espontaneamente uma divulgadora de “A Resposta”. Não deixem de ler. Envolvam-se, emocionem-se, chorem e passem pelos momentos de revolta. Deixem este livro abraçá-los.

Quanto ao filme, eu ainda não o assisti e pretendo fazer isto depois de escrever esta resenha, para não ser influenciada. Mas confesso que desde que comecei a ler o livro, eu fiquei me coçando de vontade de assistir de uma vez por todas.

“A Resposta” também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta de julho é ler um livro com mais de 500 páginas.

Outras capas:
A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta A Resposta

Filme:
Trailer do filme “Histórias Cruzadas”:

[resenha] Orgulho e Preconceito

19 de junho de 2012 - terça-feira - 21:01h   ¤   Categoria(s): Literatura estrangeira, Resenhas, Romance

Orgulho e PreconceitoTítulo: Orgulho e Preconceito
Título original: Pride And Prejudice
Autor: Jane Austen
País: Inglaterra
Ano: 1813
Editora: L&PM
Páginas: 392
Sinopse: Orgulho e Preconceito apresenta o romance de Elizabeth Bennet, segunda mais velha dentre cinco filhas solteiras de uma família inglesa sem muitas posses, e Fitzwillam Darcy, um rico esnobe que a conhece em um baile e, diferente dos mocinhos clássicos, não fica imediatamente encantado por ela. A busca das jovens mulheres por um bom casamento na sociedade inglesa rural do século XIX é o mote do romance e também o principal alvo da crítica da escritora.
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É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.
Por menos conhecidos que possam ser os sentimentos ou pontos de vista de tal homem em seus primeiros contatos com um novo ambiente, essa verdade está tão enraizada nas mentes das famílias vizinhas que o recém-chegado é considerado propriedade de direito das moças do lugar.

Avaliação:
“Como escrever uma resenha de um clássico da literatura sem derramar clichês no texto, principalmente quando a sua opinião com relação ao livro é a mesma da maioria que o leu?” Pois é, isso foi o que me passou pela cabeça antes de começar a resenhar simplesmente o segundo livro mais amado pelos leitores do Reino Unido, conforme uma enquete feita pela BBC de Londres em 2003.

Os dois pontos que mais me chamaram atenção em Orgulho e Preconceito tratam-se de características que eu poderia classificar como opostas, mas que ocorrem de forma simultânea. As críticas à sociedade inglesa rural do século XIX podem ser perfeitamente aplicadas aos dias atuais, por exemplo, no Brasil em que vivemos hoje. O casamento por interesse, a futilidade das pessoas, a preocupação em exibir aquilo que não se é e o julgamento baseado em aparências são atitudes que ainda existem, 199 anos depois da publicação do livro. Em contraponto, a caracterização da época, com diversos valores e costumes que já não existem mais na sociedade ocidental, é encantadora ao pintar o retrato fiel do período. Exemplos disso são a forma de tratamento entre marido e mulher, o tempo entre 2 pessoas se conhecerem e o pedido de casamento, a questão do direito à herança no caso de filhas mulheres, a diferença entre a vida rural e a vida na cidade, as casas, os veículos etc.

Como eixo principal do enredo, temos os relacionamentos amorosos entre personagens de variadas personalidades: o cavalheiro sempre gentil e bem-humorado, seu amigo que à primeira impressão é tido como arrogante, os homens que mentem descaradamente para conquistar donzelas ingênuas, a moça doce e sempre sorridente, a sua irmã geniosa, sagaz e irônica, a adolescente frívola e inquieta.
Colocando como pano de fundo as características citadas anteriormente, temos, então, o romance que continua não só atraindo leitores como também vem sendo adaptado na TV e no cinema até a atualidade.

Deixando de lado toda a importância da obra no contexto da literatura mundial, Orgulho e Preconceito também tem sabor de uma boa novela, pelos relacionamentos, intrigas, humor e cotidiano contidos nele. Mas seja por puro entretenimento ou pela elegância de se ler um clássico, eu me pergunto o que seria a minha infinitamente humilde recomendação diante de 199 anos de sucesso deste livro…

Orgulho e Preconceito também faz parte do Desafio Realmente Desafiante, cuja meta do mês de junho é ler um livro que virou filme. Apesar de eu estar lendo por causa da adaptação de 2005, uma amiga minha me recomendou fortemente a série da BBC, de 1995, que está no vídeo no fim do post.
Orgulho e Preconceito

Leia um trecho: (fonte: Livraria Cultura)

Minissérie em 6 capítulos:
Pride And Prejudice (1995) – trailer